O futebol feminino está cada vez mais em alta. A última Copa do Mundo Feminina, por exemplo, disputada na França, foi a de maior visibilidade da história, segundo atletas, dirigentes e profissionais de mídia. Diante desse cenário de pleno crescimento, é difícil imaginar que o esporte era proibido para mulheres no Brasil até pouco mais de 40 anos atrás.
Conta a história que o futebol feminino é praticado em nosso país desde 1913, entre amistosos e jogos beneficentes. Porém, somente cerca de três décadas depois, é que o interesse pela modalidade feminina passou a se tornar mais acentuado.
Em maio de 1940, por exemplo, foi realizado um amistoso entre os selecionados femininos paulista e carioca no então recém-inaugurado estádio do Pacaembu, em São Paulo. A partida, no entanto, causou enorme polêmica, dividindo órgãos de imprensa a favor e contra a versão do esporte para mulheres.
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O futebol feminino também ganhava força principalmente no Rio de Janeiro, o que incomodou setores considerados moralistas da sociedade carioca.
Na mesma época, uma carta chegou ao então presidente da República, Getúlio Vargas. De acordo com o mestre e doutor em História Social, Fábio Franzini, o conteúdo central da correspondência chamava a atenção do Chefe de Estado para “um movimento entusiasta que estaria empolgando moças para se transformarem em jogadoras de futebol”.
O texto ainda ressaltava ao presidente a ideia de que “a mulher não poderia praticar um esporte tão violento sem afetar suas funções fisiológicas”, reforçando ainda que “a natureza da mulher é a da maternidade” e o futebol “poderia provocar danos ao ventre”.
Depois de várias discussões dentro do governo, Getúlio Vargas assinou em abril de 1941 o decreto-lei 3.199, que em seu artigo 54 assinalava o seguinte:
“O presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o art. 180 da Constituição, decreta: Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”.
Mais de duas décadas depois, em 1965, já no período da ditadura militar, o general Eloy de Menezes sanciona uma lei ainda mais rigorosa que a anterior, pois incluía a proibição às mulheres de outras modalidades esportivas, além do futebol.
O parágrafo dois da deliberação 7/65 do Conselho Nacional de Desportos determinava: “Não é permitida a prática de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, polo aquático, polo, rugby, halterofilismo e beisebol”.
Somente no fim do regime militar, mais precisamente em 1979, a deliberação foi finalmente revogada com o ressurgimento do futebol feminino em várias localidades do país, o que impulsionou a criação das primeiras ligas nacionais.
Para disputar a Taça Brasil de Futebol Feminino, entre 1983 e 1988, clubes como Atlético-MG, Corinthians, São Paulo, Internacional e Cruzeiro, entre outros, também montaram suas equipes femininas.
Atualmente, o futebol feminino está em alta no mundo inteiro e nunca esteve tão popular no Brasil. Prova disso é que, segundo o Google Trends, a Copa do Mundo da França de 2019 foi o evento que apontou o maior interesse do público brasileiro desde 2004.
Corinthians vira pra cima do Red Bull Bragantino, mas sofre com os desfalques e com o ótimo jogo coletivo do seu adversário – https://t.co/pDhlYBuIiJ pic.twitter.com/1eJ9WyIemu
— Torcedores.com (@Torcedorescom) March 6, 2022

