Home Torcedoras Hoje em alta, futebol feminino foi proibido no Brasil por quase 40 anos; entenda o porquê

Hoje em alta, futebol feminino foi proibido no Brasil por quase 40 anos; entenda o porquê

No Dia Internacional da Mulher, o Torcedores conta porque a prática feminina do futebol era proibida em nosso país

Adriano Oliveira
Sou colaborador do Torcedores.com desde 2018, com mais de 3.600 textos publicados, porém escrevo sobre futebol há quase 20 anos. Mas é claro que a paixão por este esporte começou bem antes disso. Hoje, aos 52 anos de idade, o futebol ainda me faz sentir a mesma coisa que eu sentia aos 10.

O futebol feminino está cada vez mais em alta. A última Copa do Mundo Feminina, por exemplo, disputada na França, foi a de maior visibilidade da história, segundo atletas, dirigentes e profissionais de mídia. Diante desse cenário de pleno crescimento, é difícil imaginar que o esporte era proibido para mulheres no Brasil até pouco mais de 40 anos atrás.

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Conta a história que o futebol feminino é praticado em nosso país desde 1913, entre amistosos e jogos beneficentes. Porém, somente cerca de três décadas depois, é que o interesse pela modalidade feminina passou a se tornar mais acentuado.

Em maio de 1940, por exemplo, foi realizado um amistoso entre os selecionados femininos paulista e carioca no então recém-inaugurado estádio do Pacaembu, em São Paulo. A partida, no entanto, causou enorme polêmica, dividindo órgãos de imprensa a favor e contra a versão do esporte para mulheres.

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O futebol feminino também ganhava força principalmente no Rio de Janeiro, o que incomodou setores considerados moralistas da sociedade carioca.

Na mesma época, uma carta chegou ao então presidente da República, Getúlio Vargas. De acordo com o mestre e doutor em História Social, Fábio Franzini, o conteúdo central da correspondência chamava a atenção do Chefe de Estado para “um movimento entusiasta que estaria empolgando moças para se transformarem em jogadoras de futebol”.

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O texto ainda ressaltava ao presidente a ideia de que “a mulher não poderia praticar um esporte tão violento sem afetar suas funções fisiológicas”, reforçando ainda que “a natureza da mulher é a da maternidade” e o futebol “poderia provocar danos ao ventre”.

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Depois de várias discussões dentro do governo, Getúlio Vargas assinou em abril de 1941 o decreto-lei 3.199, que em seu artigo 54 assinalava o seguinte:

“O presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o art. 180 da Constituição, decreta: Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”.

Mais de duas décadas depois, em 1965, já no período da ditadura militar, o general Eloy de Menezes sanciona uma lei ainda mais rigorosa que a anterior, pois incluía a proibição às mulheres de outras modalidades esportivas, além do futebol.

O parágrafo dois da deliberação 7/65 do Conselho Nacional de Desportos determinava: “Não é permitida a prática de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, polo aquático, polo, rugby, halterofilismo e beisebol”.

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Somente no fim do regime militar, mais precisamente em 1979, a deliberação foi finalmente revogada com o ressurgimento do futebol feminino em várias localidades do país, o que impulsionou a criação das primeiras ligas nacionais.

Para disputar a Taça Brasil de Futebol Feminino, entre 1983 e 1988, clubes como Atlético-MG, Corinthians, São Paulo, Internacional e Cruzeiro, entre outros, também montaram suas equipes femininas.

Atualmente, o futebol feminino está em alta no mundo inteiro e nunca esteve tão popular no Brasil. Prova disso é que, segundo o Google Trends, a Copa do Mundo da França de 2019 foi o evento que apontou o maior interesse do público brasileiro desde 2004.

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