Não é mistério para qualquer um que acompanha o Esporte Clube Bahia que a Instituição tem rumado para se tornar uma SAF. Aliás, o Esquadrão Tricolor é um dos clubes do Nordeste que possui um maior avanço nessa modalidade. Neste sentido, o projeto SAF e o principal investidor estão praticamente engatilhados. No entanto, existem empecilhos que precisam serem sanados. Em suma, o Bahia procura “arrumar a casa” para um novo tempo.
Problemas com um antigo banco parceiro
Neste sentido de “arrumar a casa” a diretoria do Bahia tem um grande desafio. Isso porque além de certas dívidas com jogadores que já passaram pelo Tricolor Baiano, existe um acordo com um banco parceiro que ainda não foi sanado. O Banco Opportunity que esteve como parceira do Bahia entre os anos de 1998 a 2006 ainda tem questões financeiras a serem resolvidas com o Tricolor da Boa Terra. A antiga parceria se tornou uma “bola de neve” de problemas.
A princípio o principal impasse entre Bahia e o Banco é o distrato da parceria em 2006. Segundo o Banco Opportunity, o Bahia nunca pagou as indenizações devidas. Com isso, a Instituição financeira foi a justiça cobrar uma quantia que gira em torno de $100 milhões. Decerto, trata-se de um valor que o Bahia pagaria com muitas dificuldades.
Grupo City aguarda o fim da disputa judicial enfrentado pelo Bahia
Como já se sabe o Grupo City será o principal parceiro do Bahia no projeto da SAF. Este grupo possui alguns clubes de futebol pelo mundo, sendo o maior deles o Manchester City, um dos principais times da Premier League. Dessa forma, os investimentos que o Grupo City deverá fazer em relação ao Bahia podem encontrar dificuldades se o clube tiver acordos anteriores não resolvidos. De fato é necessário se livrar de tratados anteriores o quanto antes.
Por isso, o Grupo City espera a resolução entre Bahia e o Banco Opportunity. Sobretudo pelo fato de que o quanto mais o clube tenha problemas contratuais resolvidos mais seguro se torna investir na instituição. Assim, a diretoria do Bahia propôs um acordo com o banco.
A tentativa de resolução
Recentemente, Guilherme Bellintani, presidente atual do Bahia informou que fez uma proposta ao Banco, com o intuito de terminar esta disputa judicial. Rumores indicam que a proposta da diretoria do Bahia é pegar entorno da metade do valor pedido pela Instituição Financeira ao clube. Segundo o presidente:
“Estamos em um empecilho formal que estamos perto de resolver. Após resolver isso, em dias a gente consegue formalizar a proposta. É a proposta que o parceiro e o Bahia construíram juntos, por isso demorou tanto. Tem um representante do nosso potencial investidor aqui no Brasil trabalhando”
Como começou e se desenrolou a parceria entre Esporte Clube Bahia e Banco Opportunity
- O inicio
O ano era 1998 quando o Tricolor de Aço procurava suportar seu primeiro rebaixamento para a Série B. A queda resultou em revoltas de torcedores e a saída do presidente Antônio Pithon. Vivendo problemas financeiros, além de uma necessidade de formar um novo elenco para retornar a elite a diretoria do Bahia foi atrás de uma solução imediatista. O sucessor de Pithon na presidência do Bahia, Marcelo Guimarães, foi atrás de novos investimentos. Com isso, deu-se uma parceria de 25 anos com o Banco Opportunity.
O Banco Opportunity tinha em seu comando o banqueiro baiano Daniel Dantas. O investimento feito ao clube baiano dava ao banco uma espécie de sociedade, o qual 51% das ações do tricolor ficariam com o banco. No entanto, mesmo tendo a maior parte do Bahia o acordo dizia que os assuntos sobre o futebol iriam permanecer sob o controle do Presidente. Ou seja, Marcelo Magalhães continuava responsável de contratar e dispensar jogadores e direção técnica.
- O desenrolar
O início da parceria rendeu nos primeiros meses um título estadual. Mas meses após a conquista o Bahia não conseguiu seu retorno para a Série A. O acesso veio apenas através da Copa Havelange no ano 2000. Ou seja, não foi conquistada no campo. A “virada de mesa” foi o responsável por ajudar o Bahia e outros clubes no Brasil naquele ano.
Em 2003 o Bahia voltou a ser rebaixado para Série B. A crise financeira se agravou. O desespero no ano seguinte para retornar a Série A levou a contratações além do poder financeiro do tricolor. Para piorar, o acesso não veio. No ano seguinte, em 2005, o Bahia vergonhosamente foi rebaixado para a Série C. Um período de “caos”.
A inédita e vergonhosa queda para a Série C obrigou o Bahia a “juntar os cacos”. Com o intuito de conseguir se reerguer algumas mudanças foram feitas. Mas nada deu certo. O Bahia não conseguiu formar um time identificado com os desafios de estar na Série C. Mesmo com jogadores como o atacante Sorato, o elenco de 2006 não foi capaz de chegar ao acesso. Aliás, o time fez um campeonato estadual preocupante naquele ano. Foi a pior crise da história do Bahia. A Fonte Nova chegou a ser interditada como punição a invasão de alguns torcedores em um jogo contra o Ipatinga.
Como terminou a parceria
Assim, em 2006, a diretoria do Bahia já visando a nova temporada resolveu encerrar a parceria com o Banco Opportunity. No destrato, o Bahia teria que pagar um valor compensatório. Além disso, o banco teria direitos a parcelas de valores em jogadores que fossem vendidos pelo tricolor. O Bahia deveria pagar gradualmente ao longo dos anos o que devia ao Banco. Como os acordos não foram honrados a questão foi parar na justiça.

