Após sair em desvantagem de 2 a 0, o Botafogo arrancou o empate por 2 a 2 contra o Santos na tarde do último domingo, na Vila Belmiro, e viu a distância encurtar para 11 pontos em relação ao novo vice-líder Grêmio. Mauro Cezar Pereira, comentarista do UOL Esporte, criticou o desempenho do Glorioso apesar de manter a invencibilidade nas últimas rodadas.
“Não foi só nesse jogo (que o Botafogo não foi bem). Foram nos últimos jogos. Contra o Grêmio, o Botafogo venceu, mas foi amplamente dominado, foi muito pressionado e por muito pouco não tomou gol. O Botafogo se sustentou, teve méritos, foi elogiado, mas passou perto de um resultado que não seria aquele desejado”, iniciou Mauro Cezar, durante participação no programa “Posse de Bola”.
Contra o Red Bull Bragantino, o time estava pressionado, com o adversário perdendo chances. Houve um gol perdido cara a cara com goleiro e na sequência saiu o gol do Botafogo em falha clamorosa da dupla Cleiton e Natan. O Botafogo venceu com tudo dando certo. Mas flerta com o perigo. Não tem sido um time de imposição contra os adversários, que ganha sem dar chances. A pontuação não é proporcional ao desempenho que se vê em campo em certas partidas”, acrescentou.
O jornalista citou que os melhores jogos do Botafogo aconteceram ainda sob o comando de Luis Castro, que deixou o clube na primeira quinzena de julho para assumir o Al-Nassr, da Arábia Saudita.
“Os melhores jogos do Botafogo para mim foram contra o Corinthians, muito frágil por sinal, mas ganhou com autoridade, contra o Atlético-MG e contra o Fluminense, que não chutou para o gol. O Botafogo dominou o jogo e foi muito bem”, opinou.
Mauro Cezar destacou que o Botafogo se viu obrigado a mudar seu estilo de jogo, característico por menos posse de bola, para conquistar o empate na Vila Belmiro. Ele ainda comentou que o antecessor Luis Castro não fez nada de novo no futebol brasileiro.
“O Santos é tão ruim que o Botafogo só precisou correr um pouco mais para quase virar o jogo. O que aconteceu ontem? O Botafogo se viu numa situação que para ele não é comum, que é o adversário estar em vantagem e dar a bola. A posse de bola do segundo tempo foi 72%. Geralmente, o Botafogo tem menos posse que o adversário. É bom deixar isso claro. O que o Luis Castro colocou em prática não tem nada de novo. Vários técnicos brasileiros usam esse tipo de estratégia”, analisou.
Apesar de reconhecer a grande campanha, o comentarista seguiu criticando a atuação do Glorioso no jogo válido pela 16ª rodada do Brasileirão.
“A campanha é espetacular. Palmas para o Luis Castro lá direto da Arábia Saudita, para o John Textor e para todo mundo. O desempenho é outra coisa, tem sido daquele time que está ameaçando tropeçar e ontem tropeçou. Não pode tomar 2 a 0 da maneira que tomou do Santos, sem torcida. O time do Santos continua sendo ruim”, opinou.
Mauro acredita que o Botafogo ainda precisa de ajustes com o novo técnico Bruno Lage e vê riscos para o Botafogo. Ele ainda crê que algum concorrente ao título, como o Palmeiras, possa ultrapassar o Glorioso.
“Tem trabalho para o Bruno Lage, tem que ajustar o time, tem que continuar a aprimorar, corrigir alguns elementos, o time saber jogar em situação quando o adversário dar a bola. Não basta manter o que o Botafogo estar jogando. Se o Luis Castro estivesse ainda no Botafogo ele teria que trabalhar para o time melhorar. Jogar só dessa maneira pode não ser o bastante apesar de toda campanha e da falta de um perseguidor convicto, que pode surgir a qualquer momento. Pode ser o Palmeiras amanhã, que pode ter apenas o Brasileirão. O time já tem semanas livres para treinos de Copa do Brasil. Não jogou bem no sábado, mas pode retomar a sequência de vitórias. É bom lembrar que o Inter do Abel Braga em 2020 ganhou nove jogos seguidos. Saiu lá de baixo, teve reação espetacular e quase foi campeão”, relembrou.

