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CBF lança projeto de profissionalização da arbitragem com salário fixo e risco de rebaixamento

Programa cria elite do apito, prevê quase R$ 200 milhões em dois anos e adota ranking interno para renovação dos contratos

Douglas Nunes
Formado em Jornalismo e com especialização em jornalismo esportivo, Douglas é jornalista há mais de 10 anos. Trabalhou com assessoria na Escola Zico e no Audax-RJ, além de ter sido repórter do Grupo O Dia. Está no mercado de iGaming desde 2016.
CBF lança projeto de profissionalização da arbitragem com salário fixo e risco de rebaixamento

Camisa do Brasil. Foto Alamy

A Confederação Brasileira de Futebol apresentou um dos projetos mais ambiciosos de sua história para a arbitragem. Pela primeira vez, árbitros e assistentes passarão a ter contratos de prioridade, salário fixo e rotina semelhante à de atletas profissionais. A proposta, voltada inicialmente à Série A, busca elevar o padrão técnico, aumentar a dedicação e, ao mesmo tempo, criar mecanismos mais claros de cobrança e renovação.

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Além disso, o plano prevê investimento próximo de R$ 200 milhões em dois anos e estabelece um sistema de avaliação contínua. A partir dele, erros terão impacto direto na permanência dos profissionais no grupo de elite. Assim, a CBF tenta alinhar valorização financeira com exigência de desempenho.

Este é mais um dos projetos de reformulação no futebol brasileiro. A CBF também vai implementar o Fair Play Financeiro.

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Criação da elite do apito

Ao todo, 72 profissionais foram selecionados para integrar o novo modelo. São 20 árbitros de campo, 40 assistentes e 12 árbitros de vídeo. Para isso, consideraram o desempenho recente. Desse modo, a entidade formou o que passou a chamar de “elite do apito”.

Esses nomes assinarão contratos no modelo de pessoa jurídica, com prioridade para atuar nas competições nacionais. Embora não haja exclusividade formal, a rotina será intensa e diária. Portanto, a dedicação ao ofício se tornará praticamente integral.

A principal mudança está na forma de remuneração. Até então, a maior parte dos ganhos vinha de valores pagos por partida. Agora, haverá um salário fixo mensal, acrescido de variáveis por jogo e bônus por desempenho. Com isso, a CBF pretende dar estabilidade financeira e reduzir a dependência de escalações frequentes.

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Ranking interno e risco de saída

Em contrapartida, a cobrança será maior. Um ranking de desempenho será elaborado ao longo da temporada. Com isso, vai considerar critérios como controle de jogo, aplicação das regras, preparo físico e comunicação. Ao fim do ano, pelo menos dois profissionais não terão seus contratos renovados.

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Esse sistema cria, na prática, um mecanismo de rebaixamento. Assim como também abre espaço para que outros árbitros sejam promovidos ao grupo principal. A CBF entende que essa rotatividade estimulará evolução técnica e competição interna constante.

Rotina profissional e tecnologia

Com o novo modelo, os árbitros terão cronograma semelhante ao de jogadores. Haverá treinos físicos, sessões técnicas, análises de vídeo e encontros regulares para padronização de decisões. Ao mesmo tempo, a entidade investirá em tecnologia e monitoramento.

Está prevista a criação de uma nova central do VAR, mais segura e confortável. Além disso, os profissionais usarão um “kit de arbitragem” com smartwatch para acompanhamento de dados físicos. Dessa forma, o controle de performance será contínuo.

Investimento e governança

O custo total do projeto nos próximos dois anos será de R$ 195 milhões. Em comparação ao biênio anterior, o aumento supera R$ 50 milhões.

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Paralelamente, a CBF planeja avançar em governança, transparência e comunicação. Esses temas serão debatidos em reuniões previstas para fevereiro. A intenção é assinar os contratos até o fim do mês e iniciar a execução plena em março.

Novos protocolos e punições

Entre as medidas anunciadas, estão avaliações trimestrais obrigatórias. Caso um árbitro seja reprovado, ficará afastado por três meses, recebendo apenas o valor fixo. Se for recorrente, o destino pode ser a rescisão.

A chamada “geladeira” também ganhou novo formato. Em erros considerados graves, o afastamento mínimo será de 28 dias, com retorno em divisão inferior.

Caminho para a modernização

A profissionalização vem acompanhada da ampliação de recursos tecnológicos. Até o fim da temporada, todos os jogos da Série A deverão contar com VAR, impedimento semiautomático, tecnologia da linha do gol e câmeras corporais.

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Embora algumas dessas ferramentas não estejam disponíveis nas primeiras rodadas, a instalação já ocorre em dezenas de estádios. Com isso, a CBF busca aproximar o padrão brasileiro do praticado nas principais ligas europeias.

O projeto marca uma mudança de paradigma. Ao mesmo tempo em que valoriza financeiramente os árbitros, impõe critérios claros de desempenho, permanência e evolução. Dessa forma, a arbitragem passa a ocupar, de maneira definitiva, um espaço de profissionalismo comparável ao dos próprios protagonistas do jogo.

Better Collective