Bap revelou que o Flamengo é como uma ilha no Brasil e quer transformar o clube no Real Madrid (Crédito: Latin Sport Images)
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, fez uma autoavaliação de sua gestão à frente do clube no último ano. Na segunda parte da entrevista concedida ao jornal “As”, da Espanha, Bap exaltou a administração do clube, que classificou como uma “ilha” dentro do país.
O mandatário do Flamengo voltou a citar a compra de Lucas Paquetá junto ao West Ham, por 42 milhões de euros (R$ 260 milhões). Embora confesse que poderia investir ainda mais nesta janela, o presidente deixou claro que não achou necessário.
“Posso contratar mais de um Lucas Paquetá? Sim, posso. Vou contratar? Não, porque não tenho certeza se com um Paquetá consigo ganhar tudo. Se eu contratar três Paquetás e ganhar tudo, nunca saberei se teria ganhado com um ou dois. Nunca se investe tudo num único negócio, porque, se der errado, você está arruinado. Mas, se der certo, invisto um pouco mais”, disse.
“O Flamengo está no Brasil hoje por acaso. Porque o Flamengo é uma ilha no Brasil. Nosso sucesso não se deve ao fato de o Flamengo ser maior. Deve-se ao fato de o Flamengo ser melhor administrado, melhor gerido”, concluiu.
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Pensamento na Europa
Bap fez questão de citar os grandes clubes europeus na entrevista. Sempre com admiração, mas também sob um olhar comparativo com o Flamengo. Em suas decisões, segundo ele, as grandes agremiações do Velho Continente inundam seus pensamentos. Na visão de futuro do dirigente, o Flamengo pensa em ser o Real Madrid das Américas.
“Sempre sonhei grande. Sempre pensei em ser o Real Madrid das Américas. Observo o que o Real Madrid faz, o que o City faz, o que o Atlético de Madrid faz, o que o Bayern de Munique faz, o que o PSG faz. Tento entender quais foram seus sucessos para adaptar à realidade do Brasil”, contou.
“Penso no Flamengo como se fosse um clube europeu no Brasil. Em cada decisão que tomo, penso: ‘Se o Flamengo estivesse na Europa, que decisão eu tomaria?'”, complementou.
Bap compara modelo do Flamengo ao da Disney
Gerir o Flamengo não é tarefa fácil. Um clube midiático, que mexe com a paixão de mais de 40 milhões de pessoas. Portanto, ainda há questões que vão além do futebol. Na explicação do presidente, o clube ainda não conseguiu explorar todo o seu potencial.
Desde a sua posse, em dezembro de 2024, Bap revelou que tem trabalhado nesse sentido: criar recursos oriundos do futebol, mas sem ser futebol propriamente dito. E os resultados, conforme as suas palavras, têm logrado êxito.
“É como a exploração do mundo nos séculos XV e XVI. Só que, em vez de usar caravelas para conquistar o mundo além-mar, tenta-se fazer isso de avião, voando para a China com um time de futebol. Trata-se de abrir novos mercados para o seu produto. Da mesma forma, estamos fazendo isso com o Flamengo. O resultado tem sido muito positivo”, analisou.
“Estamos criando um modelo de gestão em que o crescimento do Flamengo não depende do sucesso esportivo. Portanto, continuaremos crescendo mesmo que o Flamengo não ganhe tudo. É futebol, mas não precisa estar necessariamente ligado ao futebol. Esse é o conceito de ter um clube como a Disney, onde você vende sonhos, vende entretenimento, vende produtos, uma casa”, completou.
‘Posso gastar 50% da minha receita’
O Flamengo foi o primeiro clube brasileiro a romper a marca de R$ 2 bilhões em receitas. Em uma reunião com conselheiros no fim do ano passado, Bap afirmou que poderia gastar até R$ 1 bilhão em reforços. As palavras não soaram bem no mercado, que ficou inflacionado para o Flamengo.
Mesmo assim, na entrevista ao jornal espanhol, o mandatário rubro-negro voltou a falar sobre o tema. No entanto, fez questão de defender o fair play financeiro no futebol brasileiro. Durante a sua resposta, o dirigente afirmou que o Flamengo deve liderar o ranking dos clubes que menos gastam a sua receita.
“Nossa receita foi superior a 320 milhões de euros (R$ 2 bilhões). E este ano ultrapassará 300 milhões de euros (R$ 1,8 bilhão). Se fizéssemos um ranking dos 20 clubes com maior faturamento, o Flamengo estaria em primeiro lugar entre os que menos gastam sua receita. Tenho capacidade para gastar 40% ou 50% a mais do que gasto hoje, e isso não me afetaria em nada”, disparou.
“O Fair Play Financeiro foi criado porque existem vários clubes no Brasil que gastam 80% ou até 100% da sua receita. Na Europa, depende do país, porque existem países onde você pode gastar 60% ou 70%, mas não necessariamente”, continuou.
“Quando o Fair Play Financeiro chegar ao Brasil, eu poderei eventualmente dobrar meus gastos e investimentos, desde que tenha renda recorrente. Dessa forma, terei bastante espaço para gastar mais dinheiro. Mas isso quer dizer que vou gastar mais? Não, porque não sou bobo. Este modelo não tem segredos. Esta é a fórmula da ‘Coca-Cola rubro-negra'”, finalizou.

