Abel Braga assume o Inter nessa reta final de Campeonato Brasileiro (Credit: Nicolo Campo/Alamy Live News)
A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 reacendeu uma sensação que, segundo Abel Braga, estava adormecida há alguns anos. Campeão por onde passou e com longa trajetória ligada ao futebol brasileiro, o atual diretor técnico do Internacional acredita que a chegada de Carlo Ancelotti devolveu ao torcedor a confiança e a expectativa em torno da equipe nacional.
Em entrevista ao SportsCenter, o ex-treinador destacou o impacto causado pelo técnico italiano e afirmou que o ambiente criado desde sua contratação ajudou a aproximar novamente a Seleção dos brasileiros.
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“Ancelotti trouxe a ansiedade de volta”
De acordo com Abel Braga, o principal mérito de Carlo Ancelotti até o momento foi recuperar o entusiasmo do torcedor com a Seleção Brasileira.
Mesmo reconhecendo que o time ainda não possui uma formação totalmente consolidada, o ex-treinador acredita que a liderança do italiano tem sido fundamental para fortalecer o grupo.
“Temos jogadores ótimos, mas não uma seleção formada, tanto que a gente não consegue hoje acertar qual vai ser a escalação. O treinador é um cara de liderança, o espelho dele é muito bom. Aquilo que ele passou, passa aquilo que ele é. Você vê pelos elogios dos atletas.”
Abel também afirmou que percebeu uma mudança clara no sentimento do público em relação à equipe nacional.
“Carleto conseguiu trazer essa ansiedade de volta. A gente vê na rua, o Brasil vai começar a jogar, todo mundo acreditando em mais um título.”
De acordo com o treinador, a expectativa criada para a estreia contra o Marrocos lembra momentos que marcaram outras gerações da Seleção.
“Estou sentindo, nesse momento, uma ansiedadezinha, um friozinho na barriga que há muito tempo eu não vejo o torcedor brasileiro sentir pela estreia e pela campanha que se espera.”
Abel revela que esteve perto de assumir a Seleção
Durante a entrevista, Abel Braga também relembrou um momento importante da própria carreira. O treinador contou que chegou a ser apontado como um dos nomes cotados para comandar a Seleção Brasileira após o trabalho realizado no Fluminense.
Na época, o técnico conquistou o Campeonato Carioca e o Campeonato Brasileiro de 2012, depois de já ter feito uma grande recuperação da equipe na temporada anterior.
“Estive muito próximo da Seleção em 2012, quando ganhei o Campeonato Carioca e o Brasileirão com o Fluminense. Estava me sentindo maduro. É como se eu tivesse atingido o ápice.”
Apesar de a oportunidade não ter se concretizado, Abel garante que nunca guardou ressentimento.
“Não aconteceu porque não tinha que ser e não guardo nenhum tipo de mágoa.”
Ex-treinador elogia trajetória de Ancelotti
Embora admita que preferisse ver um treinador brasileiro à frente da Seleção, Abel não poupou elogios ao currículo e à capacidade de liderança de Carlo Ancelotti.
Para ele, o italiano reúne credenciais suficientes para lidar com a pressão que acompanha o cargo mais importante do futebol brasileiro.
“Ancelotti é um dos melhores do mundo, apesar de que eu gostaria de ver um brasileiro no cargo.”
O dirigente destacou ainda a experiência acumulada pelo treinador nas maiores competições do planeta.
“Ele é um cara que ganhou muito, tem uma intelectualidade incrível, intelectualidade tática também, trabalhou em grandes clubes, grandes competições, as mais importantes do mundo, ganhou sempre.”
Neymar segue sendo uma referência para o grupo
Outro tema abordado por Abel Braga foi a presença de Neymar na delegação brasileira. Isso porque esmo em recuperação de uma lesão na panturrilha, o camisa 10 continua sendo visto como uma liderança importante dentro do elenco.
O ex-treinador acredita que a influência do atacante vai além da participação dentro de campo.
“Estamos diante do maior jogador brasileiro da última década. Passou por problemas, mas está aqui.”
Abel também ressaltou a importância da convivência de Neymar com os demais atletas durante a competição.
“Não tenho a menor dúvida que todos os jogadores estão muito contentes com a presença dele. É um suporte a mais, uma referência.”
Por fim, demonstrou confiança de que o atacante poderá contribuir ao longo do torneio.
“No momento certo ele vai entrar, vai ajudar. Infelizmente veio a contusão, mas agora está sanada e logo, logo ele vai ajudar — assim espero.”

