Osmar Stabile entrou no Corinthians em agosto e tenta organizar as finanças do clube (Crédito: Brazil Photo Press/Alamy Live News)
A falta de vendas de jogadores abriu um novo problema no planejamento financeiro do Corinthians. Com três transfer bans ativos e pagamentos atrasados, a diretoria estuda antecipar até 30% das receitas de 2027 para reforçar o caixa ainda nesta temporada.
A possibilidade está prevista no estatuto do clube e ganhou força diante da dificuldade para alcançar a meta de € 25 milhões, cerca de R$ 150,7 milhões, estabelecida para negociações de atletas em 2026. Até agora, porém, o Corinthians não recebeu propostas pelos principais nomes do elenco.
Corinthians esperava arrecadar R$ 150 milhões com vendas
O orçamento corintiano dependia de uma entrada significativa de recursos no mercado da bola. Nos últimos balanços, o presidente Osmar Stabile apontou justamente a ausência dessas negociações como uma das razões para o resultado deficitário apresentado pelo clube nos primeiros meses do ano.
Além disso, a janela de transferências se aproxima do fim. Embora ainda restem cerca de três semanas para negociações, a diretoria trabalha com a possibilidade de não conseguir levantar os € 25 milhões projetados.
Por isso, antecipar parte das receitas de 2027 surgiu como uma alternativa para estabelecer um fluxo de pagamentos nos próximos meses.
Estatuto permite comprometer até 30% das receitas de 2027
O artigo 117 do estatuto do Corinthians permite que a diretoria antecipe ou comprometa até 30% das receitas referentes ao primeiro ano do mandato seguinte.
“A diretoria só poderá antecipar ou comprometer o percentual de até 30% das receitas referentes ao 1º ano do mandato subsequente”, determina o artigo.
Como o Corinthians realizará eleição presidencial em novembro, a interpretação interna é de que Osmar Stabile pode utilizar o mecanismo. Além disso, a operação não exige parecer do Conselho de Orientação (Cori) nem votação no Conselho Deliberativo.
Ainda não é possível, contudo, calcular quanto o clube poderia levantar. O departamento financeiro precisa apresentar a previsão orçamentária de 2027, que servirá como referência para determinar o limite dos 30%.
Transfer bans e pagamentos atrasados pressionam o Corinthians
A discussão ocorre em um momento de forte pressão sobre o caixa. Atualmente, o Corinthians enfrenta três transfer bans, sendo dois aplicados pela Fifa e outro pela CBF.
Ao mesmo tempo, o clube acumula outras obrigações pendentes. Entre os principais problemas estão:
- um mês de direitos de imagem atrasado;
- férias ainda não quitadas;
- premiações pendentes;
- três transfer bans ativos;
- R$ 237,4 milhões em dívidas incluídas no RCE.
O último ponto chama atenção porque o saldo do Regime Centralizado de Execuções aumentou mesmo após os pagamentos realizados pelo Corinthians. O clube desembolsou R$ 16,4 milhões nas cinco primeiras parcelas, mas o montante atualizado chegou a R$ 237,4 milhões.
Antecipação deixaria parte das receitas comprometida para próxima gestão
A medida pode aliviar o caixa no curto prazo, mas também teria impacto direto sobre quem assumir o Corinthians depois da eleição de novembro. Isso porque parte das receitas previstas para 2027 chegaria à próxima administração já comprometida.
Para 2026, o orçamento aprovado pelo Conselho Deliberativo projetou R$ 806 milhões em receitas sem considerar vendas de jogadores. Entretanto, o limite da eventual antecipação não será calculado sobre esse montante, mas sobre o orçamento do próximo ano.
Assim, enquanto aguarda possíveis propostas por atletas nesta reta final da janela, a gestão de Osmar Stabile avalia uma alternativa que pode trazer recursos imediatamente, mas reduzir a disponibilidade financeira do Corinthians em 2027.

