Ancelotti (Crédito: Andre Paes/Alamy Live News)
Carlo Ancelotti respondeu nesta quarta-feira (9) às críticas de Thiago Silva sobre a renovação da Seleção Brasileira. Um dia depois de o zagueiro defender uma transição mais gradual, o treinador explicou que não utiliza a idade como critério definitivo, mas confirmou que decidiu priorizar jogadores mais jovens neste início de ciclo.
Os números mostram que Ancelotti colocou o discurso em prática. A primeira convocação depois da Copa do Mundo de 2026 tem média de apenas 24,4 anos, mais de cinco anos abaixo dos 29,6 registrados no último Mundial. Além disso, somente nove dos 26 jogadores que estiveram na Copa permaneceram na nova relação.
Ancelotti responde crítica de Thiago Silva
Thiago Silva havia questionado a renovação promovida pelo treinador depois da vitória do Fluminense por 2 a 0 sobre o Platense, na terça-feira (8), pela Libertadores. Aos 41 anos, o defensor afirmou que jogadores experientes não deveriam ser descartados apenas pela idade.
Ancelotti respondeu ao ex-comandado durante a entrevista coletiva que sucedeu a convocação. O italiano afirmou que atletas de 34 ou 35 anos ainda podem defender o Brasil, desde que apresentem condições de disputar competições importantes.
“Para os objetivos que temos nesses amistosos, é uma lista equilibrada. Eu não olho, em geral, a idade dos jogadores. Agora é um momento para priorizar isso, os jovens que têm potencial e podem estar no futuro”, explicou.
Na sequência, o treinador deixou ainda mais clara a estratégia adotada para os próximos amistosos.
“Uma coisa é certa. O jogador de 34 ou 35 anos não vai ter futuro, é o presente. Se o jogador nessa idade está preparado para jogar uma competição importante, vai estar na Seleção. Mas agora a prioridade é essa, priorizar os jovens”, completou.
Lista tem média de 24,4 anos e confirma mudança
Apesar de Ancelotti rejeitar a ideia de que jogadores experientes estejam automaticamente descartados, sua primeira convocação pós-Copa representa uma mudança significativa. A média de idade caiu de 29,6 anos no Mundial para 24,4 anos na relação atual.
O grupo convocado é tão jovem que apresenta média ligeiramente inferior à primeira lista brasileira para a Olimpíada de Tóquio. Na ocasião, mesmo com uma competição estruturada principalmente para atletas mais novos, a média era de 24,6 anos.
A comparação com a Copa de 2026 mostra ainda melhor o tamanho da renovação. Dos 26 jogadores presentes no Mundial, apenas nove continuam na Seleção.
Assim, quase dois terços da nova convocação são formados por jogadores que não estiveram no último Mundial. Ancelotti, portanto, aproveita os primeiros amistosos do novo ciclo para ampliar significativamente o número de atletas observados.
Oito jogadores recebem primeira convocação
Outro sinal da mudança está na quantidade de estreantes. Ancelotti chamou oito jogadores que nunca haviam sido convocados para a Seleção principal.
Entre eles aparecem atletas que vinham sendo monitorados nas categorias de base e outros que ganharam espaço recentemente nos clubes. Arthur Dias e Estêvão, ambos com 19 anos, são os mais jovens da convocação. No outro extremo aparecem Douglas Santos e Marquinhos, com 32 anos.
Além disso, dez dos 26 convocados atuam atualmente no futebol brasileiro. O Corinthians aparece com três jogadores, enquanto o Flamengo possui dois. Coritiba, Cruzeiro, Athletico-PR, Santos e Botafogo completam a presença dos clubes nacionais.
Ancelotti quer observar jovens para Copa e Copa América
Segundo o treinador, os amistosos servirão também para acompanhar jogadores com potencial para os próximos grandes torneios. Nesse grupo entram atletas em idade olímpica, destaques do Campeonato Brasileiro e nomes que já participaram da Copa.
“Esta é uma lista equilibrada. Jogadores que estiveram na Copa que vão ser importantes para a próxima geração. Temos jovens que têm qualidade para representar o futuro da Seleção. Temos jogadores que agora estão bem no Brasileiro e outros com idade olímpica”, afirmou.
Ancelotti também destacou a integração com as categorias de base. “Nesse momento precisamos priorizar o jovem que tem qualidade para estar na próxima Copa e Copa América”, completou.
Lista não será definitiva para as próximas Datas Fifa
A tendência é que Ancelotti continue observando os jovens nas próximas convocações. Por isso, a relação anunciada nesta quarta-feira não deve ser tratada como definitiva para os compromissos de novembro.
O treinador pretende levar em conta principalmente o desempenho, a evolução e a quantidade de minutos recebidos pelos jogadores em seus clubes. Alguns atletas considerados importantes para o futuro, segundo ele, ainda não conseguem atuar com regularidade.
“Temos jogadores que pensamos que vão representar o futuro da Seleção e eles não estão jogando. Temos que acompanhar esses jogadores, se eles não jogam, temos que dar a oportunidade de eles jogarem e progredirem”, afirmou.
Ancelotti mantém portas abertas para os mais experientes
Apesar da prioridade aos jovens, Ancelotti fez questão de deixar claro que os jogadores mais experientes não estão descartados. O treinador afirmou que continuará considerando atletas mais velhos caso apresentem rendimento suficiente para ajudar a Seleção.
“Primeiro, agradecer aos jogadores que já tomaram a decisão de não estar com a Seleção no futuro, agradecer a eles pelo compromisso de quando estiveram conosco. E para todos os outros não há porta fechada, a porta está aberta a todos”, disse.
Assim, o italiano tenta conciliar os dois pontos. A renovação será prioridade neste início de ciclo, mas idade, por si só, não impedirá uma futura convocação.
Ausências ajudam a reduzir média da Seleção
A queda na média também passa pela ausência de alguns dos jogadores mais experientes utilizados no último ciclo. Weverton, de 38 anos, Alex Sandro e Danilo, de 35, além de Casemiro e Neymar, ambos de 34, ficaram fora desta convocação.
Na lista atual, Douglas Santos e Marquinhos, ambos com 32 anos, são os jogadores mais velhos. No outro extremo aparecem vários nomes que ainda terão quatro anos de desenvolvimento até a Copa de 2030.
Dessa forma, Ancelotti iniciou o novo ciclo com uma margem maior para testar e desenvolver jogadores antes de definir a base para os próximos grandes torneios.
Brasil terá três amistosos para testar nova geração
A primeira oportunidade para observar a nova Seleção acontecerá contra a Austrália. Brasil e australianos se enfrentam no dia 25 de setembro, no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville.
Quatro dias depois, as equipes voltam a se encontrar no Suncorp Stadium, em Brisbane. Posteriormente, a delegação brasileira seguirá para Calcutá para enfrentar a Índia, no dia 3 de outubro, no Salt Lake Stadium.
O confronto também será inédito entre as seleções principais de Brasil e Índia. Além disso, Ancelotti terá mais dois amistosos em novembro, contra Japão e Singapura, ambos no Estádio Nacional de Singapura.

