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Clubes das Séries A e B articulam crédito do BNDES para aliviar crise financeira

Times endividados negociam empréstimos com juros menores para quitar débitos e investir em infraestrutura; CBF participa das tratativas com o Governo Federal

Luiz Gustavo Moreira
No jornalismo desde 2011, já foi setorista do Botafogo e do Fluminense pelo Lance! e depois trabalhou em assessorias de imprensa. Respira esporte desde a infância e acompanha todo tipo de competição, principalmente se for de futebol, basquete ou futebol americano.
Clubes das Séries A e B articulam crédito do BNDES para aliviar crise financeira

Stabile é um dos principais articuladores da ideia (Crédito: Rodilei Morais/Fotoarena)

Clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro buscam uma alternativa para aliviar a crise financeira que afeta diversas equipes. Nos últimos meses, representantes dos times passaram a negociar com o Governo Federal a criação de uma linha de crédito do BNDES destinada ao futebol.

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A CBF também participa das conversas, mas atua como articuladora da proposta e não teria responsabilidade pelo financiamento. Além disso, as negociações ocorrem em um momento de preocupação dos clubes com possíveis mudanças nas regras envolvendo as bets no Brasil.

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Clubes querem linha de crédito com juros menores

A principal ideia discutida até agora prevê a criação de uma linha de crédito do BNDES para clubes. Dessa forma, as equipes poderiam contratar empréstimos com taxas inferiores às encontradas normalmente no mercado bancário.

No entanto, o dinheiro teria uma finalidade específica. A proposta prevê que os recursos sejam utilizados principalmente para o pagamento de dívidas acumuladas pelos clubes.

A iniciativa, portanto, teria características diferentes dos programas de REFIS (Programa de Recuperação Fiscal) realizados anteriormente. Isso porque o projeto em discussão não ficaria restrito aos débitos tributários das equipes.

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Além do pagamento de dívidas, as conversas também envolveram a possibilidade de liberar recursos para investimentos em infraestrutura. Nesse caso, o objetivo seria incluir clubes que apresentam um nível menor de endividamento, mas que ainda precisam de recursos para melhorar suas estruturas.

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Corinthians e Internacional lideram articulação

As tratativas têm sido conduzidas principalmente por Corinthians e Internacional, que enfrentam graves problemas financeiros. Atualmente, os dois clubes estão sob transfer bans da Fifa, o que impede o registro de novos jogadores em razão de pendências.

Nesse cenário, Osmar Stabile e Alessandro Barcellos, presidentes das equipes, procuraram Pedro Daniel para buscar apoio na construção da proposta.

Pedro Daniel ocupa atualmente o cargo de CEO do Atlético-MG. Até o fim do ano passado, porém, ele era diretor executivo da EY, consultoria responsável por produzir um estudo que ajudou a embasar as conversas com o Ministério do Esporte e a CBF.

As negociações, aliás, não começaram agora. Os primeiros movimentos para estruturar a proposta acontecem desde o mês passado.

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Fair Play Financeiro entra nas discussões

Outro ponto utilizado pelos clubes para defender a criação do mecanismo é o Fair Play Financeiro, cujo regulamento entrou em vigor neste ano.

A argumentação apresentada nas negociações considera que o cenário atual é diferente de outros períodos em que equipes recorreram ao poder público em busca de ajuda. Agora, os clubes estão submetidos a regras mais rígidas de governança e controle financeiro.

Assim, os representantes das equipes sustentam que o novo ambiente regulatório proporciona maior controle sobre as contas e, consequentemente, reduz os riscos associados à concessão de crédito.

Ainda assim, alguns detalhes importantes continuam sem definição. Por exemplo, não foi estabelecido qual montante o BNDES poderia disponibilizar aos clubes. Da mesma forma, os critérios que seriam utilizados para aprovar ou rejeitar os pedidos de financiamento ainda estão em discussão.

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Possíveis restrições às bets preocupam clubes

Paralelamente às negociações por crédito do BNDES, os clubes acompanham com atenção os estudos do Governo Federal sobre uma possível Medida Provisória para restringir, pelo menos parcialmente, as atividades das bets no Brasil.

Esse cenário preocupa as equipes porque as empresas de apostas se tornaram importantes parceiras comerciais do futebol brasileiro. Portanto, uma eventual redução da atuação dessas empresas poderia afetar diretamente as receitas dos clubes.

Um dos principais argumentos apresentados durante as conversas é justamente o impacto que uma possível proibição das bets teria sobre a situação financeira das equipes.

Existe o temor de que uma medida desse tipo comprometa a operação de grande parte das empresas do setor. Atualmente, elas estão entre os principais anunciantes e patrocinadores do futebol brasileiro.

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De acordo com as estimativas apresentadas nas discussões, as bets movimentam cerca de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios para estampar suas marcas nas camisas dos clubes da Série A.

Clubes já fizeram manifestação sobre o tema

A preocupação com o futuro dos patrocínios também apareceu em uma manifestação conjunta divulgada recentemente.

Há uma semana, clubes e federações divulgaram um manifesto em defesa das operadoras de aposta em que afirmavam que restrições a esse mercado seriam o “fim do futebol brasileiro”.

Dessa maneira, a discussão sobre o crédito do BNDES para clubes ocorre em meio a dois movimentos importantes para as equipes: de um lado, a necessidade de encontrar alternativas para administrar o alto nível de endividamento; de outro, a possibilidade de mudanças no mercado de apostas esportivas, que hoje representa uma fonte relevante de receitas para o futebol.

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