Governo Lula suspendeu a atividade das casas de apostas no Brasil (Crédito: Andressa Anholete/Getty Images)
A saída das bets do futebol brasileiro coloca em risco uma fatia bilionária do mercado de patrocínios. Em 2026, as empresas de apostas devem movimentar aproximadamente R$ 1,1 bilhão no futebol nacional, mas a nova medida do Governo Federal pode interromper uma série de contratos firmados com os clubes.
Na Série A, o impacto é direto. Dos 20 participantes, 14 possuem atualmente empresas do segmento como patrocinadoras máster. Com a proibição das atividades das bets, esses acordos ficam ameaçados e obrigam as equipes a procurar alternativas para compensar a possível perda.
O tamanho do problema, porém, não é igual para todos. Enquanto alguns clubes têm contratos que representam uma parcela relativamente pequena do orçamento, outros possuem acordos que ultrapassam a marca de 10% da receita bruta. As informações são do O GLOBO.
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Flamengo tem o contrato mais valioso
O maior exemplo é o Flamengo. A parceria com a Betano rende ao clube R$ 268,5 milhões por temporada, o maior contrato da história do futebol brasileiro.
Apesar do valor expressivo, o acordo não representa a maior parte das receitas do Rubro-Negro. Em 2025, o clube alcançou R$ 2,08 bilhões de receita bruta, também o maior faturamento já registrado por uma equipe brasileira.
Por isso, o contrato com a Betano corresponde a 12,85% do orçamento do Flamengo.
O Palmeiras apresenta uma situação mais distante em termos proporcionais. O clube recebe R$ 100 milhões fixos por ano da Sportingbet, mas esse dinheiro equivale a apenas 5,6% do orçamento.
A diferença ocorre principalmente pelo tamanho da receita do Verdão. Em 2025, o clube registrou R$ 1,78 bilhão, a segunda maior receita bruta do futebol brasileiro.
São Paulo e Corinthians também dependem dos acordos
A relação entre o tamanho do contrato e o orçamento também chama atenção em Corinthians e São Paulo.
No Corinthians, o patrocínio da Esportes da Sorte representa 10,6% do orçamento bruto. A empresa paga R$ 103 milhões por ano ao clube.
Já o São Paulo recebe ainda mais em valores absolutos. A Superbet desembolsa R$ 113 milhões fixos por temporada, montante que corresponde a 10,5% do orçamento tricolor.
Dessa forma, os dois paulistas aparecem, ao lado do Flamengo, como os únicos clubes em que os contratos com empresas de apostas representam mais de 10% dos respectivos orçamentos brutos.
Dependência é menor para a maioria dos clubes
Embora o mercado das apostas tenha alcançado números expressivos, os dados mostram que sua participação nas receitas dos clubes ainda é limitada na maior parte dos casos.
Atualmente, os patrocínios de bets representam cerca de 7% das receitas dos clubes da Série A. Além disso, nenhum contrato analisado ultrapassa 13% do orçamento de um participante da elite.
Na parte inferior dessa lista aparecem Botafogo e Remo. Entre os clubes que possuem acordos com casas de apostas, eles são os que apresentam menor dependência dessas receitas: 3,8% para o Botafogo e 3,6% para o Remo.
Além disso, com exceção de Flamengo, Corinthians e São Paulo, nenhum outro clube teve um contrato com bet equivalente a mais de 8% da receita bruta de 2025.
Mercado cresceu mais de duas vezes desde 2024
A importância das bets para o futebol brasileiro aumentou rapidamente nos últimos anos. Em 2024, 18 dos 20 clubes da primeira divisão tinham marcas de empresas de apostas estampadas nos uniformes. Naquele ano, o segmento movimentou aproximadamente R$ 523 milhões. Agora, a estimativa para 2026 chega a R$ 1,1 bilhão.
Ou seja, o mercado mais que dobrou em apenas dois anos. Paralelamente, as empresas passaram a ocupar espaços cada vez mais importantes no futebol, inclusive por meio dos naming rights dos principais campeonatos nacionais.
Alguns clubes já buscaram novos patrocinadores
A saída das empresas de apostas dos uniformes, entretanto, não seria uma novidade para todas as equipes. Bahia, Grêmio e Internacional já perderam, ao longo deste ano, receitas de antigas patrocinadoras máster do segmento.
No caso do Grêmio, houve uma reposição. O clube fechou recentemente com a Pitaco, em um acordo de R$ 43 milhões por ano.
Também houve mudanças entre equipes que disputaram a Série B em 2025. Athletico-PR e Coritiba deixaram de contar com as casas de apostas que anteriormente estampavam suas camisas.
Enquanto isso, Bragantino e Mirassol representam outro modelo de mercado. Os dois clubes têm atualmente empresas de bebidas como marcas estampadas em seus uniformes.
O cenário, portanto, vai além da perda de um simples espaço publicitário nas camisas. A eventual saída das bets significa que os clubes precisarão substituir contratos que, em alguns casos, movimentam dezenas ou até centenas de milhões de reais por temporada.

