América-MG disputará a Série C em 2027 após queda confirmada diante do Fortaleza. Foto: Thiago Lemos/FotoArena/Alamy Live News
América-MG teve o rebaixamento à Série C confirmado nessa quarta-feira (7), ao perder para o Fortaleza por 1 a 0, no Independência, em Belo Horizonte. A derrota pela 32ª rodada da Série B encerrou a possibilidade de permanência e levou o Coelho à terceira divisão de 2027, quatro anos depois da estreia na Libertadores.
Inclusive, a queda ocorre em meio a perdas financeiras acumuladas. Isto é, o balanço oficial de 2025 registra saldo negativo de R$ 58,4 milhões em 2024 e R$ 60,4 milhões no ano seguinte, somando R$ 118,8 milhões em prejuízos.
Além disso, dentro de campo, o América chegou a 32 partidas com quatro vitórias, cinco empates e 23 derrotas. Os 17 pontos correspondem a apenas 17,7% de aproveitamento. O gol de Lucas Sasha, do Fortaleza, aos três minutos e a vitória do Botafogo-SP sobre o Operário, por 2 a 1, completou o cenário da queda.
Como o América-MG passou da Libertadores à Série C
Vale lembrar que a ascensão do América-MG teve um marco em 2021, quando alcançou o 8º lugar no Brasileirão e garantiu a primeira classificação à Libertadores. O clube conseguiu permanecer na elite e passou a disputar um calendário que incluía o principal torneio continental.
Em 2022, o Coelho eliminou Guaraní, do Paraguai, e Barcelona de Guayaquil, do Equador, nos pênaltis das fases preliminares. A campanha terminou na fase de grupos, com dois empates e quatro derrotas diante de Atlético-MG, Independiente del Valle e Deportes Tolima.
Aliás, a temporada deixou sinais de competitividade ao ocupar o décimo lugar na Série A, vaga na Sul-Americana e quartas de final da Copa do Brasil. Já em 2023, o América voltou às quartas da copa nacional e alcançou a mesma fase do torneio continental, mas terminou o Brasileirão na lanterna e foi rebaixado.
Naquele ano, o lateral Arthur foi convocado por Ramon Menezes para o amistoso da Seleção Brasileira contra o Marrocos. A venda de Arthur ao Bayer Leverkusen se tornou a maior negociação da história do clube. Com isso, a receita de 2023 chegou a R$ 188 milhões, conforme o GE.
Porém, a recuperação na Série B não veio. O oitavo lugar em 2024 deixou o time fora do acesso. Na sequência, em 2025, a equipe terminou em 14º. Aliás, o América-MG também caiu na primeira fase da Copa do Brasil nesses dois anos, diante de Maringá e Cascavel, respectivamente.
Por que a campanha de 2026 não teve reação
O início sem vitórias nas primeiras 12 rodadas comprometeu a temporada. Trocas no comando técnico e mudanças no elenco não produziram uma recuperação suficiente. Até a confirmação da queda, o América marcou 21 gols e sofreu 53, saldo negativo de 32.
Desta forma, a distância para a permanência explica a antecedência do rebaixamento. O Botafogo-SP, primeiro fora do Z4, alcançou 38 pontos, 21 acima do Coelho. Restavam apenas 18 em disputa, mas mesmo vencendo os seis jogos finais, o time mineiro chegaria a 35.
Com isso, a eliminação matemática na 32ª rodada está entre as mais precoces da Série B desde a adoção dos pontos corridos, em 2006. Apenas Duque de Caxias, em 2011, e Ponte Preta, em 2026, tiveram a queda confirmada antes, na 31ª rodada.
Balanço mostra perdas mesmo com redução de despesas
A dificuldade de ajustar os gastos à realidade da segunda divisão foi reconhecida pela gestão. O jornal O TEMPO relatou que o clube antecipou receitas de 2026 para cobrir compromissos anteriores. Marcus Salum apontou, em entrevista, que a readequação à Série B não ocorreu no momento necessário.
O relatório permite dimensionar esse desequilíbrio. As despesas com salários, imagem e encargos do futebol caíram de R$ 71,6 milhões em 2024 para R$ 55,7 milhões em 2025. Ainda assim, o déficit anual aumentou.
| Indicador | 2024 | 2025 |
| Despesas com futebol (salários, imagem e encargos) | R$ 71,6 milhões | R$ 55,7 milhões |
| Déficit do exercício | R$ 58,4 milhões | R$ 60,4 milhões |
Plano de pagamento e contratações
Contudo, os problemas chegaram à rotina do elenco. De acordo com a Itatiaia, os jogadores deixaram de treinar em 24 de setembro, em protesto contra atrasos de salários e direitos de imagem.
O clube havia confirmado, em 17 de setembro, a apresentação de um Plano Coletivo de Pagamento à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). Na ocasião, o comunicado tratou a iniciativa como uma medida de reestruturação da dívida e que aguardava a homologação.
“A proposta organiza, de maneira planejada e equilibrada, o pagamento parcelado de débitos com intermediários, clubes e atletas”, explicou o América em nota oficial. A situação também resultou em bloqueio preventivo e parcial de registros, ou seja, novas contratações passaram a depender de autorização prévia da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), com limites sobre transferências, comissões e remuneração.
A Série C de 2027 será a primeira participação do América-MG desde 2009, quando o clube conquistou o título e subiu. O desafio agora envolve reconstruir o elenco e reorganizar os compromissos financeiros para buscar o retorno à Série B. A equipe ainda tem seis rodadas da atual competição pela frente.

