Home Futebol Botafogo aguarda aprovação dos credores para concluir venda da SAF ao grupo GDA Luma

Botafogo aguarda aprovação dos credores para concluir venda da SAF ao grupo GDA Luma

Financiamento e dívida bilionária ajudam a explicar por que a negociação terá preço simbólico

Gabrielle Junqueira
Gabrielle Junqueira possui cerca de sete anos de experiência na área de jornalismo, com ênfase na produção de conteúdo para rádio, televisão e portais de notícias nacionais e internacionais. Formada em Jornalismo com ênfase em Multimídia pelo Centro Universitário UNA no ano de 2020. Atualmente, sua atividade principal reside na análise de partidas e do desempenho de equipes em seus respectivos campeonatos ao redor do mundo. Em sua trajetória profissional, Gabrielle também teve a oportunidade de atuar em meios de comunicação como a Associação Mineira de Rádio e Televisão (AMIRT), atendendo a mais de 400 emissoras do Estado.
Botafogo aguarda aprovação dos credores para concluir venda da SAF ao grupo GDA Luma

Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro. Foto: Nayra Halm/FotoArena/Alamy Live News

A venda da SAF do Botafogo à GDA Luma ainda depende da aprovação do plano de recuperação judicial no Rio de Janeiro. O clube social já concentra 99,18% das ações, o que facilita a negociação. A empresa do mexicano Gabriel de Alba já investe na operação, mas ainda não assumiu formalmente o controle.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O desenho da operação ajuda a entender o valor simbólico previsto para a compra. Além do preço das ações, a transação envolve o financiamento de uma empresa que precisa renegociar dívidas e sustentar suas atividades. A lista de outubro reúne aproximadamente R$ 1,163 bilhão em créditos sujeitos à recuperação.

SAF do Botafogo

O Botafogo ampliou sua participação após a Eagle Bidco abrir mão de acompanhar o aumento de capital aprovado em 24 de setembro. A antiga controladora comunicou a decisão em 22 de outubro, segundo nota do clube. Com o encerramento do prazo de preferência, o associativo subscreveu as ações restantes em 25 de outubro.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Com isso, a composição passou a ser de 99,18% para o clube social e 0,82% para a Eagle. Antes desse aumento, a divisão era de 51% e 49%, respectivamente. A operação previa 200 milhões de novas ações, a R$ 0,01 cada. Isto é, o total de R$ 2 milhões tinha como finalidade imediata ajudar no pagamento da folha salarial.

Vale destacar que a compra pretendida pela GDA e os recursos que a empresa já disponibiliza ao clube fazem parte de outra etapa da reorganização.

Venda terá valor simbólico

Botafogo e GDA assinaram um acordo de vínculo de investimentos em 5 de junho. O documento prevê uma injeção inicial de US$ 105 milhões (R$ 561 milhões), dos quais cerca de US$ 50 milhões (R$ 267,1 milhões) já haviam entrado na SAF até setembro, segundo o Ge.

PUBLICIDADE

Os aportes ocorrem por meio de financiamento DIP, modalidade de empréstimo a uma empresa em recuperação judicial. No caso alvinegro, os valores podem ser convertidos em ações, conforme a previsão contratual relatada pelos administradores judiciais. Por isso, o preço para a aquisição das ações é descrito como reduzido.

PUBLICIDADE

Entretanto, o investimento necessário para manter a companhia e os pagamentos aos atuais acionistas são componentes distintos da operação. Em outubro, a SAF pediu autorização para um novo aporte, ainda de acordo com o Ge.

Dívida na recuperação judicial

A relação divulgada no início de outubro trouxe a saída da GDA da lista de credores. O montante sujeito à recuperação passou de R$ 1,286 bilhão para aproximadamente R$ 1,163 bilhão. A atualização reúne 384 credores, sendo 190 sem garantia sobre bens do devedor, chamados quirografários.

Outras 156 microempresas ou empresas de pequeno porte e 38 ligados a débitos trabalhistas. Essa distribuição ajuda a dimensionar a variedade de interesses envolvidos na negociação. Entre os maiores valores relacionados estão cerca de R$ 124 milhões ao Atlanta United, pela contratação de Thiago Almada.

Também R$ 119,7 milhões ao Nottingham Forest, por Danilo. Por fim, a MLS aparece com R$ 74,3 milhões referentes à negociação de Santi Rodríguez com o New York City FC.

PUBLICIDADE

Credores votam plano de recuperação

A aprovação tem regras por categoria. Pela Lei nº 11.101, o procedimento comum exige o aval das classes de credores votantes, com critérios diferentes conforme a natureza da dívida. Nas classes trabalhista e de micro e pequenas empresas, vale a maioria simples dos credores presentes, independentemente do valor devido.

Já nas classes com garantia real e de quirografários, são necessárias tanto a maioria dos credores presentes quanto a representação de mais da metade do valor dos créditos presentes em cada classe. Depois da deliberação, há a análise judicial.

A legislação também admite a concessão da recuperação em determinadas hipóteses de rejeição por uma classe, desde que os requisitos específicos sejam atendidos. Assim, o resultado depende da composição dos votos e do controle de legalidade pelo juízo.

O Botafogo já fechou acordos preliminares com MLS e Ludogorets, em setembro, para dívidas da gestão John Textor. Essas negociações antecedem a votação formal do plano.

PUBLICIDADE

O que falta para concluir a venda da SAF?

Há outra frente na Câmara Nacional de Resolução de Disputas, órgão criado pela CBF para solucionar conflitos do futebol. No fim de setembro, o clube apresentou um plano coletivo de pagamento. Se os credores aceitarem, a proposta deverá ser reproduzida na recuperação judicial em uma subclasse específica.

A concentração acionária permite a venda por contrato, dispensando acionar a cláusula que obrigaria o minoritário a vender junto, chamada drag along. Os jurídicos elaboram um novo acordo de acionistas, segue indefinida uma votação do contrato por sócios e conselheiros.

Para o cotidiano do Botafogo, o comunicado sobre o aumento de capital prevê a continuidade da estrutura executiva e das atividades esportivas, administrativas e financeiras. Eduardo Iglesias segue como CEO, e Léo Coelho permanece na direção de futebol.

Conforme o Ge, a expectativa interna é convocar a assembleia de credores ainda em 2026. A aprovação do plano condiciona a conclusão da venda.

PUBLICIDADE
Better Collective