Márcio Mossoró relembra a conquista da Copa do Brasil de 2005 pelo Paulista

Aquele ano contou com o escândalo de arbitragem na primeira divisão, mas coube a um time do interior de São Paulo, colorir em 2005 o Brasil de vermelho, preto e branco. O Paulista superou todas as expectativas e conquistou diante do Fluminense a Copa do Brasil.

Otávio Silva
Colaborador do Torcedores
Copa do Brasil

Crédito: Reprodução/Sportv

A história de Márcio Mossoró, um dos líderes daquela equipe, vai de encontro a história de superação do time de Jundiaí. Ele começou a sua carreira na base do Ferroviária-CE e depois atuou com a camisa do Guararapes, time do Estado tal. Antes de ir para o Paulista, jogou a quinta divisão do Paulistão pelo Jalesense e atuou ainda no Santa Catarina. Em 2002 foi contratado pelo clube de Jundiaí, mas foi três anos depois que acabou conquistando a Copa do Brasil pelo clube e deixando sua marca na história do Paulista.

Você conhece o canal do Torcedores no Youtube? Clique e se inscreva

O inicio do time na competição não poderia ser mais difícil. Encarou na primeira partida da Copa do Brasil um Juventude que estava na primeira divisão e apresentava uma equipe muito forte. A ansiedade da equipe antes da estréia é normal e Márcio Mossoró, um dos melhores jogadores do time naquela época., comentou sobre os momentos antes da primeira partida diante do Juventude. “Ansiedade normal de uma estreia de competição. Nada fora do comum. Uma preparação normal também visando um jogo importante de uma competição importante. No início do torneio não tínhamos aquela força e não víamos a possibilidade do título.”

A primeira partida foi complicada, como era de se esperar. Tudo parecia apontar para um empate entre as equipes, mas foi o meia Davi, quase no final da partida, que garantiu a vitória do Paulista.  Na segunda partida, já no primeiro tempo, o time ficou na frente do placar e praticamente garantiu a classificação. Jeferson, atacante da equipe, marcou o primeiro gol do time, mas no final da partida Picolli empatou para o Juventude, mas já era tarde. O Paulista se classifica para a próxima fase, e agora iria encarar o forte Botafogo do Rio de Janeiro.

No dia 16 de março daquele ano, Botafogo e Paulista duelaram pelo primeiro jogo da 2ª Fase da competição. A equipe carioca contava com grandes nomes, dentre eles o goleiro Jefferson, o zagueiro Scheidt, o lateral Cesar Prates e o atacante Alex Alves. Mas quem achou que o Paulista iria ter medo da equipe carioca, se enganou. Logo aos 20 minutos da primeira etapa, o meio campista Márcio Mossoró deixou a equipe em vantagem. No segundo tempo o Botafogo até empatou com Alex Alves, mas o jogo terminaria em 1 x 1.

A partida de volta foi realizada na casa do Botafogo e o Paulista conseguiu um  empate em 2 x 2, eliminando assim a equipe carioca do torneio. Seu adversário na fase seguinte seria ainda mais complicado. O clube iria enfrentar o Internacional, time que um ano depois conquistaria a Libertadores e o Mundial da FIFA, com Márcio Mossoró no elenco colorado.

O time paulista jogou muito bem contra a forte equipe colorada, mas no final da partida Jorge Wagner acabou marcando para o time gaúcho e dando a vitória para o Internacional na primeira partida das oitavas de finais da competição. “Todos os jogos foram bem complicados, não tivemos facilidade em nenhuma partida, do primeiro ao último, mas acredito que os piores foram aqueles da segunda volta, quando perdemos o primeiro jogo. Controlar a ansiedade e a necessidade de reverter um placar nunca é fácil “, disse o atleta a ser questionado sobre quais foram os jogos mais difíceis daquela campanha.

O time  não se abateu em nenhum momento com o resultado negativo levantou a cabeça e no jogo seguinte acabou superando a equipe gaúcha. Aos 39 minutos da segunda etapa, Juliano tabelou com Jeferson e chutou no canto do goleiro Marcelo Boeck, a partida naquele momento foi para as penalidades máximas. A disputa de pênaltis estava muito complicada, até que o goleiro Rafael se agigantou e defendeu a cobrança do lateral Élder Granja, Perdigão ainda erraria a última cobrança daquele jogo. O Paulista naquele momento se classifica para as quartas de finais, onde enfrentaria o Figueirense, equipe tradicional de Santa Catarina.

O cenário foi muito parecido com a primeira partida contra o Internacional. O Paulista acabou sendo derrotado por 1 x 0, com gol de Claudio, aos 17 minutos do primeiro tempo. Na volta, diante do seu torcedor, o Paulista venceu por 1 x 0 com gol de Lucas. A classificação veio novamente nas penalidades, onde a equipe venceu por 3 x 2 e se classificou para as semifinais da competição nacional. Agora o adversário seria o Cruzeiro de Minas Gerais.

O time fez uma das melhores partidas, senão a melhor apresentação no torneio daquele ano. Venceu por 3 x 1, com gols de Márcio Mossoró, Cristian e Jeferson. Fred ainda descontaria para a equipe mineira. Na volta, a classificação quase ficou ameaçada. O time do Cruzeiro abriu 3 x 0 já no primeiro tempo, mas no final da primeira etapa o jogador Cristian descontou para a equipe de Jundiaí. O jogo naquele momento caminhou para uma disputa de pênaltis, mas coube a  Cristian, dessa vez aos 49 do segundo tempo, marcar o segundo gol do time paulista e garantir a classificação da equipe.

O clube se classificou para a final da competição, onde enfrentou o Fluminense. “Não víamos a possibilidade do título, que veio depois que vencemos o Cruzeiro, no primeiro jogo da semifinal.” Comentou Márcio Mossoró ao ser questionado de quando o time viu que poderia conquistar a competição.

O primeiro jogo foi diante da sua torcida, contra um Fluminense de Abel Braga. Os gols acabaram acontecendo na segunda etapa. Márcio Mossoró, principal liderança da equipe, marcou logo no inicio da segunda etapa. Ainda deu tempo de no final da partida Léo Aro ampliar para a equipe paulista. O time de Jundiaí venceu a primeira partida da final e garantia boa vantagem para o jogo da volta. Na segunda partida o time acabou empatando em 0 x 0 e garantindo o título inédito da competição.

Márcio Mossoró também falou sobre os lideres daquela equipe e como foi o ambiente do vestiário depois da vitória diante da equipe carioca. “Todos ali tinha um pouco de liderança. O Mancini também. Quando chegamos na final e vimos a possibilidade do título, deixaram de nos tratar como zebra para nos respeitar. Nosso grupo era um grupo jovem, com muito potencial e chegar naquela final era uma porta de entrada para todos nós atletas. Uma oportunidade excelente, uma visibilidade enorme e lembro que foi falado muito isso, então entramos com tudo e conseguimos o título.” Citou o jogador.

A segunda partida terminou empatada em 0 x 0 e o time acabou conquistando o título da competição. Márcio Mossoró também comentou sobre a reação dos jogadores depois de garantir uma importante taça para o time paulista. “Teve de tudo, afinal fizemos história. Ninguém acreditava em nós e uma equipe pequena conquistou um título gigantesco, não é para qualquer um. Um grupo vencedor, unido, batalhador e que hoje esse título faz parte da nossa história, como um abridor de portas e também faz parte da história do clube. Somos a última zebra da Copa do Brasil.”

Um time vencedor é composto por líderes importantes e o paulista tinham liderança fundamentais naquele ano. Além de Mossoró o time contava com Léo, Rever, Cristian, Bracalli e até mesmo o técnico Vagner Mancini, que foram peças fundamentais para que a conquista da competição se tornasse realizade

Márcio Mossoró também foi questionado sobre qual a palavra definiria aquela campanha do time. “Gratidão” foi o termo corretamente escolhido pelo jogador para definir aquela campanha mágica do time paulista no ano de 2005.

A situação da equipe não é nada boa hoje em dia. O clube de Jundiaí se encontra na quarta divisão do campeonato paulista e não tem certeza nem se irá contar com o seu estádio, um dos principais fatores que ajudaram aquela equipe a conquistar o brasileiro e mostrar quem era o Paulista de Jundiaí.

Saiba mais:

Ex-jogador de Internacional e Vasco planeja o ano de 2019 e afirma: “sei que estarei pronto pra atender um novo chamado”