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Fora de Tóquio, Brasil pede reconstrução no basquete feminino

Ausência dos Jogos Olímpicos não acontecia desde 1992 e aponta instabilidade no cenário

Papo de Mina
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Foto: (Divulgação/FIBA)

Por Beatriz Pinheiro

Se a derrota diante de Porto Rico na estreia do Pré-Olímpico de Bourges baqueou a torcida pela vaga da seleção feminina de basquete nos Jogos de Tóquio, a sequência de reveses diante de França e Austrália tirou definitivamente a vaga olímpica do Brasil, fato que não acontecia desde 1992. Mais do que analisar as falhas cometidas dentro de quadra, é importante lançar um olhar sobre o histórico que levou a esse ponto e o caminho para uma possível reconstrução.

Dentro de quadra, pesou a ausência da pivô Clarissa, principal nome da seleção brasileira, que ficou de fora do Pré-Olímpico enquanto se recupera de uma inflamação do tendão de Aquiles. Também fez a diferença o nervosismo da equipe ao lidar com a pressão da busca pela vaga, especialmente após a derrota na estreia, confronto chave pela classificação, e precisando quebrar um tabu de 18 anos contra a Austrália. A instabilidade ficou evidente com os erros cometidos pelas brasileiras após crescente de Porto Rico e na dificuldade de equilibrar o placar diante da França.

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Mesmo assim, não dá para deixar de fora o fato de que a Confederação Brasileira de Basquete ainda vive processo de reformulação que colocou em jogo o ciclo olímpico. Depois de atravessar crises financeiras e administrativas, passando por uma suspensão internacional imposta pela Fiba no final de 2016, era difícil imaginar uma estrutura sólida para buscar resultados satisfatórios de olho nos Jogos de 2020 – um dos indicativos foi a ausência da participação brasileira no Mundial de 2018.

Mudança necessária

A mudança positiva observada após a chegada de José Neto ao comando da seleção, em junho do ano passado, trouxe esperanças com a conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos e a boa campanha na Copa América. Apesar disso, o resultado no Pré-Olímpico mostrou que o bom trabalho do técnico, ainda sem confirmação da permanência no cargo, não pode ser o único ponto de virada em um caminho de reconstrução do basquete feminino brasileiro.

Fora de Tóquio, resta ao Brasil digerir os problemas que culminaram na perda da vaga e aproveitar o tempo para trabalhar por uma renovação pensando no ciclo olímpico de Paris 2024 já que, vale lembrar, a média de idade da seleção é alta. Se a casa não for colocada em ordem, o cenário para os próximos anos não é muito animador.

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