Atleta olímpico, “criador” de Blatter e voz forte da FIFA até o fim: quem foi João Havelange?
Brasileiro foi a pessoa a ficar mais tempo no cargo de presidente da FIFA
AllsportUK /Allsport/Getty Images
Seis Copas do Mundo organizadas, 24 anos à frente da FIFA, ligação umbilical com os esportes olímpicos do Fluminense e Joseph Blatter como braço direito.
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João Havelange tem uma história longa e conturbada no meio do esporte, especialmente por ter transitado por todas as funções possíveis.
Do fim para o início
Havelange morreu em 2016, em meio aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, mas sua série de polêmicas e as acusações contra si por corrupção fizeram com que o COI (Comitê Olímpico Internacional), do qual era membro, ignorasse sua morte e não prestasse homenagens durante as Olimpíadas, realizadas justamente na cidade de nascimento do cartola.
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As acusações contra o ex-presidente da FIFA pipocaram em 2006, com a divulgação da obra entitulada “Foul! O Mundo Secreto da FIFA”, do jornalista investigativo Andrew Jennings. Por lá, foi explanado que Havelange comprou delegados para sua primeira eleição como mandatário da entidade. Por meio de Horst Dassler, ex-diretor da Adidas, conquistou o voto de indecisos e no ano seguinte deu a Dassler o poder sobre os torneios promovidos pela FIFA.
As investigações passaram a correr sobre Havelange, que renunciou em 2013 ao cargo de presidente de honra da FIFA para escapar de qualquer punição ligada às denúncias de corrupção na entidade.
Seis Copas
Antes das polêmicas estourarem, Havelange foi o presidente da FIFA a organizar o maior número de Copas do Mundo. Foram seis ao todo, sempre com novidades e com mais vagas a países de continentes antes não tão privilegiados.
Fez de Joseph Blatter, presidente da FIFA de 1998 a 2015, seu secretário-geral e o preparou para o cargo. O suíço, porém, é responsabilizado até hoje pelos maiores casos de corrupção na entidade, o que respinga na biografia de Havelange.
Antes da FIFA
Antes de estar apenas no meio do futebol, Havelange foi presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), antecessora da CBF, mas que anteriormente cuidava de 24 modalidades diferentes além do futebol, de 1958 a 1975.
Foi escolhido para ser membro do COI em 1963 e anos depois foi eleito como membro de honra da entidade – que no fim o ignoraria após as denúncias de corrupção.
Atleta olímpico e ligado a gigante brasileiro
O Fluminense foi a casa de João Havelange no início da vida, especialmente por seu pai, o belga Faustin Havelange, radicado no Rio de Janeiro, ser dono de várias terras nas Laranjeiras, local onde se fixa o clube carioca até hoje.
Praticou vários esportes na infância e foi campeão carioca juvenil em 1931, aos 15 anos. Foi como nadador, porém, que o jovem atleta se destacou. Aos 20 anos foi selecionado como atleta do Fluminense para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936.
Formou-se em direito e passou a morar em São Paulo, onde comandou a Federação Paulista de Natação. Voltou para o Rio de Janeiro e trocou de esporte, sendo convocado para integrar a Seleção Brasileira de Polo Aquático que iria para os Jogos Olímpicos de Helsinque, em 1952, onde foi titular aos 36 anos. Quatro anos depois seria o chefe da delegação brasileira nos Jogos de Melbourne, na Austrália.

