Excesso de pragmatismo e nada de gols: Fluminense segura o Botafogo e se garante na final da Taça Rio

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira destaca a atuação dos comandados de Odair Hellmann e Paulo Autuori nas semifinais da Taça Rio; Tricolor das Laranjeiras e Glorioso fazem jogo movimentado no Estádio Nilton Santos, criam boas chances, mas esbarram na boa atuação dos goleiros e na trave

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Maílson Santana / Fluminense FC

Este que escreve já mencionou anteriormente que será necessário relativizar todas as análises das partidas de futebol por conta do longo tempo de inatividade das nossas equipes. Mesmo assim, nada impede que um pitaco ou outro seja feito. Ainda mais diante do jogo bastante movimentado que Fluminense e Botafogo fizeram neste domingo (5), no Estádio Nilton Santos. Apesar das chances criadas e das boas alternativas que Odair Hellmann e Paulo Atuori possuíam, o zero não saiu do placar. Acabou que o resultado garantiu o Tricolor das Laranjeiras na final da Taça Rio sem que este precisasse marcar um único gol desde que o Campeonato Carioca voltou a ser disputado. E o que se viu nessa partida (além dos justos protestos das duas equipes antes da bola rolar), é que Fluminense e Botafogo poderiam ter produzido muito mais durante os noventa e pouco minutos de partida.

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Com o regulamento debaixo do braço, era mais do que natural (e lógico) que o Tricolor das Laranjeiras fosse se comportar de maneira mais pragmática nos primeiros minutos. O grande problema, no entanto, estava no 4-1-4-1 de Odair Hellmann: Nenê ficou isolado no lado do campo e não tinha meios de acionar Wellington Silva, a válvula de escape do Fluminense. Dos três volantes, Hudson era o único com qualidade no passe, mas esbarrava a todo momento na marcação do Botafogo. O escrete comandado por Paulo Autuori estava mais organizado e jogava num 4-2-3-1 que tinha Honda como volante e Bruno Nazário quase como um segundo atacante ao lado do ótimo Pedro Raul. Faltava, no entanto, uma aproximação maior dos jogadores no setor ofensivo e mais compactação na defesa, já que o Fluminense ameaçava bastante nos contra-ataques. Foram quatro finalizações tricolores contra cinco alvinegras na primeira etapa (dados da ACERJ).

Já o Botafogo até que não fez partida ruim jogando no 4-2-3-1 proposto por Paulo Autuori. Honda realmente deu mais qualidade ao passe do time alvinegro jogando mais atrás. A questão, no entanto, é que o japonês tende a sair muito para o ataque, fato esse que deixou a defesa desprotegida e sobrecarregou muito o promissor Caio Alexandre. É bem verdade que Paulo Autuori ainda precisa fazer uma espécie de rodízio na sua equipe por conta do longo tempo de inatividade, mas havia como repetir o 3-1-4-2 insinuante da goleada de 6 a 2 sobre a frágil Cabofriense no último final de semana. Ainda mais quando Barrandeguy avançou pouco (além de ter falhado muito na defesa) e fez com que Luiz Fernando jogasse como uma espécie de ala pelo lado direito. Cícero como “líbero” pode dar mais liberdade para Honda e Bruno Nazário se aproximarem da área adversária e buscar as jogadas com Pedro Raul e o jovem Luís Henrique.

O segundo tempo trouxe um Fluminense um pouco mais insinuante e ligado, mas o Botafogo continuou comandando as ações no meio-campo muito por conta da postura pragmática até demais dos comandados de Odair Hellmann. Honda passou a chamar mais a responsabilidade e distribuiu mais o jogo sem que, no entanto, seus companheiros de equipe aproveitassem as oportunidades. Pedro Raul carimbou a trave no primeiro tempo e Bruno Nazário fez o mesmo no segundo tempo. Do outro lado, Fred, Nenê, Wellington Silva e Yago Felipe saíram para as entradas de Evanílson, Marcos Paulo, Fernando Pacheco e Michel Araújo respectivamente. Jogando num 4-2-3-1, mas ainda sem tanto ímpeto ofensivo, o Fluminense viu o Botafogo fazer uma blitz no final da partida com o jovem Rafael Navarro esbarrando em Muriel no último lance da partida. Ficou claro que a equipe de Odair Hellmann poderia ter produzido muito mais do que produziu nos noventa e poucos minutos.

O Fluminense está na final da Taça Rio e vai enfrentar o Flamengo na decisão marcada para a próxima quarta-feira (8). O favoritismo está todo do outro lado por uma série de fatores. Os principais deles são as boas atuações do escrete comandado por Jorge Jesus e os problemas ofensivos do Fluminense de Odair Hellmann. Por mais que o escrete tricolor tenha bons jogadores e por mais que ainda se precise relativizar as atuações de cada equipe por conta da pandemia de COVID-19, fato é que três partidas sem balançar as redes é muita coisa até mesmo para uma situação como essa. A saída de Odair Hellmann pode estar na velocidade dos seus jogadores. Um 4-2-3-1 com bastante velocidade pelos lados e que explore bem os espaços às costas de Rafinha e Filipe Luís pode desestabilizar um Flamengo que ainda não foi plenamente testado desde que o futebol voltou a ser jogado no Rio de Janeiro.

A final da Taça Rio tem muitos significados para Fluminense e Flamengo. Além do título, a partida desta quarta-feira (8) terá o embate das narrativas defendidas por cada um dos times. De um lado, temos a defesa irrestrita do retorno do futebol no meio de uma pandemia mundial. Do outro, os pedidos efusivos para que se espere um pouco mais. Fato é, amigos, que essa partida vale mais do que uma simples taça.

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