Seleção Brasileira deixa boas impressões na goleada sobre a Bolívia

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação dos comandados de Tite e o que ainda pode melhorar no escrete canarinho

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Miguel Schincariol / CBF

Antes de mais nada, é preciso dizer que a goleada sobre a Bolívia não serve de parâmetro para uma avaliação mais profunda da Seleção Brasileira na sua volta aos gramados depois de quase um ano. Mesmo assim, a equipe comandada por Tite deixou boas impressões na partida disputada na NeoQuimica Arena, em São Paulo, na noite desta sexta-feira (9). Primeiro por sempre buscar o ataque e não perder a concentração diante de um rival muito mais fraco. E depois pela boa execução dos conceitos propostos pelo seu treinador. Ainda faltam alguns ajustes, é verdade. Principalmente pelo lado direito de ataque, onde Everton Cebolinha não se sentiu tão à vontade para jogar. Mas valeu pela boa atuação dos laterais Renan Lodi e Danilo, pela boa dinâmica de Douglas Luiz no meio-campo e pelo futebol apresentado por Neymar, muito mais armador do que atacante.

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A postura que Brasil e Bolívia iriam adotar na partida válida pela primeira rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo já pôde ser notada assim que os treinadores divulgaram as escalações iniciais. Enquanto Tite apostava na variação do 4-2-3-1 para o 2-3-5 na transição ofensiva, Cesar Farías escalava “La Verde” com uma duas linhas à frente do experiente goleiro Carlos Lampe: uma com quatro jogadores e outra com cinco. Tudo para congestionar o meio-campo e travar a movimentação do escrete canarinho. A estratégia começou a ruir logo no primeiro minuto, quando Everton Cebolinha perdeu um gol incrível com o gol vazio. Marquinhos abriu o placar aos 16 minutos na jogada de bola áerea ensaiada e Firmino fez o segundo aos 29 em lance que contou com a movimentação constante dos jogadores brasileiros pelo lado esquerdo de ataque. Principalmente Renan Lodi e Neymar.

Renan Lodi e Neymar tabelam, o camisa 6 vai à linha de fundo e faz o cruzamento rasteiro para Firmino só escorar para as redes. Mais atrás, Danilo aparece mais por dentro e Douglas Luiz se posiciona um pouco mais à frente de Philippe Coutinho. O ataque posicional de Tite funcionou bem na partida. Foto: Reprodução / TV Globo

A Seleção Brasileira era forte pelo lado esquerdo, mas ainda faltava quem desse profundidade pelo outro lado. Everton Cebolinha foi a aposta de Tite, mas o atacante do Benfica teve atuação apenas discreta jogando naquele setor muito por conta da sua característica de partir da esquerda para dentro e finalizar a gol ou servir os companheiros. Mesmo assim, a tão desejada “linha de cinco atacantes” funcionou bem e não deixou a equipe estática na intermediária boliviana. Os jogadores trocavam de posição a todo momento sem perder amplitude ou profundidade pelos lados. A jogada do terceiro gol brasileiro teve exatamente essa dinâmica. Renan Lodi caiu por dentro, Neymar abriu o jogo, Douglas Luiz apareceu na frente, Cebolinha seguiu pela direita e “Bobby” Firmino atacou o espaço na zaga boliviana. Os movimentos era coordenados e bem executados.

A “linha de cinco atacantes” da Seleção Brasileira conseguia criar espaços a partir do modelo de jogo proposto por Tite. Jogadores se movimentam no campo da Bolívia sem que o setor ofensivo perca amplitude e profundidade. Destaque para a participação constante de Douglas Luiz nas jogadas de ataque. Foto: Reprodução / TV Globo

O Brasil ainda marcaria mais duas vezes com Carrasco (contra) e Philippe Coutinho. E isso sempre buscando executar bem os movimentos do ataque posicional de Tite. O lance do quarto gol da Seleção Brasileira destaca bem a estratégia do treinador do escrete canarinho. O camisa 11 parte pela direita com Rodrygo vindo mais por dentro. Neymar e Firmino aparecem na área e Renan Lodi abre ainda mais a defesa boliviana. Danilo aparece um pouco mais pelo lado para dar opção de passe e Douglas Luiz fica na entrada da área esperando uma possível bola rebatida da defesa adversária. Concentração, intensidade, marcação adiantada, objetividade e boas trocas de passe foram as marcas da Seleção Brasileira diante de um adversário muito mais frágil tecnicamente. Mesmo assim, a goleada serviu para Tite analisar o desempenho da sua equipe e corrigir o que precisa ser corrigido.

Philippe Coutinho vai para a linha de fundo, Rodrygo, Neymar e Firmino se posicionam para esperar o cruzamento, Renan Lodi dá amplitude pelo outro lado, Danilo dá opção de passe e Douglas Luiz espera a sobra. O ataque posicional da Seleção Brasileira funcionou bem e pode render ainda mais. Foto: Reprodução / TV Globo

Tite ainda observou Éverton Ribeiro, Felipe, Alex Telles e Richarlison (além do já citado Rodrygo) dentro dessa proposta de jogo e viu que tem boas opções dentro do seu elenco. Ainda falta, no entanto, buscar o jogador para atuar no lado direito de ataque dentro daquilo que o treinador da Seleção Brasileira deseja para sua equipe (lateral-esquerdo dando amplitude e lateral-direito vindo mais por dentro). Everton Cebolinha pode ganhar novas chances mesmo que não tenha se sentido tão à vontade no setor. O outro Éverton (o Ribeiro) pode ser adaptado nesse setor, mas isso mexeria com toda a formação da Seleção Brasileira e exigiria que Danilo que jogasse mais aberto do que jogou. Rodrygo é bom nome, mas ainda falta experiência e rodagem ao jovem atacante do Real Madrid. Esse é o único “porém” da atuação do escrete canarinho. Falta alguém para abrir o campo pela direita.

No mais, a atuação foi sólida e a partida serviu para que eu e você pudéssemos observar aquilo que Tite quer da sua equipe dentro de campo. Mesmo diante de uma frágil Bolívia. A partida contra o Peru (em Lima) deve trazer mais dificuldades para a Seleção Brasileira. Aí sim poderemos fazer uma avaliação mais profunda das estratégias escolhidas para a equipe nessas Eliminatórias da Copa do Mundo.

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