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Bahia atropela o Fortaleza fora de casa aplicando as ótimas ideias de Dado Cavalcanti

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a vitória do Tricolor de Aço e os problemas crônicos do escrete de Enderson Moreira

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Felipe Santana / Divulgação / EC Bahia

É bem possível que nem mesmo o mais otimista dos torcedores do Bahia esperava um resultado tão elástico. Mas é preciso dizer que o placar final foi completamente justo diante do que eu e você vimos durante os noventa e poucos minutos de partida contra o Fortaleza na Arena Castelão. E partindo desse ponto, vale muito destacar todo o trabalho e todo o planejamento realizado pelo técnico Dado Cavancalti para essa reta final de Campeonato Brasileiro. Tudo bem que o Leão do Pici colaborou e muito com a vida de Rodriguinho (o grande nome do jogo com três gols marcados), Rossi, Gregore, Gilberto e companhia ao atacar de maneira completamente desorganizada e abrir espaços generosos na frente da área defendida pelo goleiro Felipe Alves. Mesmo assim, o Bahia mostrou poder de reação justo quando mais precisava e tem muitos méritos na construção do resultado deste sábado (20).

Por mais que o Fortaleza tenha começado melhor a partida (através da velocidade de David e Romarinho no 4-2-3-1 montado por Enderson Moreira), o Bahia dava a impressão de que precisava apenas de alguns minutos para se achar em campo e tomar o controle das ações em campo. Não foi por acaso que Dado Cavalcanti posicionou Patrick de Lucca como um terceiro zagueiro num 5-3-2 que fechava espaços e que saía para o contra-ataque com muita intensidade. E isso tudo trabalhando a bola no chão, desde o goleiro Douglas Friedrich, buscando os jogadores em melhores condições e usando bastante os lados do campo. Some toda essa estratégia com a péssima transição defensiva do escrete comandado por Enderson Moreira e você verá porque o Bahia não precisou fazer tanta força para abrir o placar logo aos seis minutos de jogo com Rodriguinho completando belo cruzamento de Nino Paraíba.

Apesar de ter começado melhor a partida, o Fortaleza concedeu espaços generosos para um Bahia muito mais organizado e aplicado. Nino Paraíba teve todo o tempo do mundo para fazer o cruzamento para Rodriguinho aproveitar a cobertura ruim de Gabriel Dias para abrir o placar. Foto: Reprodução / Premiere

A grande sacada de Dado Cavalcanti foi o posicionamento defensivo. Com a bola, Patrick de Paula se juntava a Gregore e Ronaldo no meio-campo para organizar o jogo. Sem a bola, o camisa 45 se alinhava a Juninho e Ernando num 5-3-2 bem compactado e bem organizado. Mas o grande trunfo estava no posicionamento de Rodriguinho. Ciente de que o camisa 10 não tinha a velocidade necessária para fazer a recomposição pelo lado direito, Dado Cavalcanti posicionou Rossi quase como um volante pela direita. Tudo para fechar aquele setor do meio-campo e permitir que Rodriguinho e Gilberto puxassem os contra-ataques. E dependendo da movimentação do trio de zagueiros, o Bahia poderia se organizar com uma linha de cinco na defesa ou num 4-1-3-2. Tudo para fechar o espaço entre os volantes e a última linha e explorar os espaços que surgiam a todo momento na defesa de um combalido Fortaleza.

O posicionamento de Patrick de Lucca, Rodriguinho e Rossi com e sem a posse da bola era a chave do sucesso do 5-3-2 de Dado Cavalcanti. Tudo era realizado para liberar o camisa 10 de quaisquer obrigações defensivas e colocar o máximo de velocidade nos contra-ataques. Foto: Reprodução / Premiere

O Fortaleza desandou de vez quando Rodriguinho balançou as redes pela segunda vez na partida. E num lance que parecia um “replay” do primeiro gol. Nino Paraíba recebe livre na direita e tem todo o tempo do mundo para levantar a cabeça, ajeitar o corpo e perceber que Rodriguinho atacava o espaço vazio. Vale notar também que o lateral Bruno Melo chegava atrasado na cobertura e que o posicionamento corporal de Gabriel Dias, Paulão e Quintero só facilitou a vida dos atacantes do Bahia. Aliás, foi muito difícil não perceber os espaços entre as linhas do Fortaleza. Nesse ponto, Rodriguinho, Gabriel Novaes, Rossi e companhia deitaram e rolaram no segundo tempo. A expulsão de Felipe no lance que originou o pênalti convertido pelo camisa 10 tirou qualquer possibilidade de reação de um Leão do Pici entregue e completamente atordoado com a velocidade e organização do seu adversário.

O Bahia encontrava tanta facilidade para atacar pelas laterais que o segundo gol foi quase uma reprise do primeiro. Nino Paraíba recebeu com liberdade no lado direito e fez o cruzamento preciso para Rodriguinho balançar as redes. O Fortaleza sofreu com a desorganização e desandou de vez. Foto: Reprodução / Premiere

Daí para o final da partida, o Bahia apenas confirmou a sua superioridade técnica e tática em cima de um Fortaleza perdido e entregue à própria sorte. A goleada construída na casa do adversário dá sim moral para a luta contra o rebaixamento e até mesmo para iniciar a temporada de 2021 com mais calma e tranquilidade. Dado Cavalcanti tem méritos na reconstrução do time após o trabalho muito ruim de Mano Menezes. Principalmente por ter entendido que o Tricolor de Aço precisava de mais consistência defensiva e de jogadores de qualidade no meio-campo e ataque. Essa “ressurreição” de Rodriguinho tem muito a ver com isso. O elenco do Bahia tem sim vários jogadores de qualidade, mas era mal montado e mal escalado. Dado Cavalcanti conseguiu dar um mínimo de consistência ao escrete soteropolitano fazendo o simples e entendendo que o momento pedia. Boas ideias e boa execução de todas elas.

O resultado na Arena Castelão colocou o Bahia em ótima situação na tabela e pode definir os rebaixados para a Série B neste próximo domingo (Vasco e Goiás precisam vencer seus jogos para se manterem vivos na luta contra a degola). Mas é preciso dizer mais uma vez que, pelo que vem fazendo nessa reta final de Brasileirão, o Tricolor de Aço não merece cair. Principalmente por conta do bom trabalho de Dado Cavalcanti.

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