Real Madrid de Zidane supera desfalques e retranca da Atalanta para conquistar boa vantagem na Liga dos Campeões

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a vitória dos merengues sobre a aplicada equipe de Gian Piero Gasperini

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / Real Madrid CF

Carvajal, Odriozola, Éder Militão, Sergio Ramos, Marcelo, Valverde, Hazard, Rodrygo e Benzema. O Real Madrid entrou em campo nesta quarta-feira (24) com nove desfalques e um banco de reservas formado por garotos do Castilla, a equipe B dos merengues. E não é exagero dizer que o escrete comandado por de Zinedine Zidane teve que se desdobrar para conseguir vencer uma Atalanta aplicada e aguerrida no Estádio Atleti Azzurri d’Italia, em Bérgamo. Claro que a expulsão do meia suíço Remo Freuler ainda aos 17 minutos do primeiro tempo influenciou demais na atuação da equipe de Gian Piero Gasperini durante todo o restante da partida de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões da UEFA. Mas nem isso tira o mérito do time merengue, que teve paciência para rodar a bola e perseverança para seguir tentanto até Mendy acertar belo chute de fora da área aos 41 minutos do segundo tempo.

O que mais intriga este que escreve é o fato de que a Atalanta já adotava uma postura mais defensiva antes de ter um jogador expulso. Gian Piero Gasperini (treinador conhecido pelo estilo de jogo mais ofensivo na equipe de Bérgamo) adotou uma postura conservadora até demais para quem enfrentava um Real Madrid cheio de desfalques e improvisações. O treinador italiano seguiu com seu 3-4-1-2, mas recuou os alas Joakim Maehle e Robin Gosens para junto do trio de zagueiros. Na prática, a Atalanta jogava numa espécie de 5-3-2, já que o meia Matteo Pessina também voltava demais para ajudar na marcação. É verdade que Zidane manteve seu 4-3-3 costumeiro, mas teve que apostar em Isco jogando como uma espécie de “falso nove” entre Asensio e Vinícius Júnior. A sorte do escrete merengue é que Casemiro, Kroos e Modric não deixavam a velocidade diminuir e sempre levavam a bola para o ataque.

Atalanta vs Away team - Football tactics and formations

Gian Piero Gasperini manteve a formação básica da sua Atalanta, mas recuou demais as linhas da sua equipe contra um Real Madrid repleto de desfalques e que demorou um pouco para se achar em campo. Isco parecia perdido no ataque e Vinícius Júnior mais errava do que acertava nas tramas ofensivas.

Com a expulsão de Remo Freuler aos 17 minutos do primeiro tempo, o Real Madrid finalmente encontrou o espaço que precisava para trabalhar a bola na intermediária da Atalanta. No entanto, o escrete merengue seguia com muitas dificuldades para chegar ao gol defendido por Pierluigi Gollini. Havia volume de jogo, boas trocas de passe, mas sem a intensidade necessária para transformar essa superioridade em gols. Do outro lado, Gian Piero Gasperini recuou ainda mais a sua Atalanta e montou uma espécie de 5-3-1 na frente da sua área. E nesse ponto, vale destacar aqui a grande atuação do brasileiro Rafael Tolói (o melhor em campo junto com o lateral Ferland Mendy na humilde opinião deste que escreve). O camisa 2 do escrete de Bérgamo esteve muito atento na marcação e não deu espaços para Vinícius Júnior, Isco, Asensio e Modric durante os noventa e poucos minutos de partida.

Gian Piero Gasperini fechou a Atalanta num 5-3-1 na frente da sua área após a expulsão de Remo Freuler. Com Rafael Tolói em noite inspirtada, a equipe italiana não deu espaços para um Real Madrid que tinha volume e o controle das ações, mas não conseguia concluir a gol. Foto: Reprodução / Facebook / UEFA Champions League

A situação da Atalanta piorou ainda mais quando o atacante Duván Zapata deixou o campo lesionado. E com a saída do colombiano, acabava também uma das únicas válvulas de escape do escrete comandado por Gian Piero Gasperini. O que se viu daí pra frente foi um verdadeiro treino de ataque contra defesa por parte das duas equipes. Tanto que o “momento de ataque” do SofaScore (mais uma bela ferramenta do site) indica a superioridade clara do Real Madrid na posse da bola e na presença da equipe de Zinedine Zidane no campo de ataque. O grande dilema do treinador francês estava na atuação dos escolhidos para o time titular. Vinícius Júnior seguia mal em campo, Isco não conseguia segurar a bola no ataque e Asensio não se achava no lado direito nem com o apoio constante de Lucas Vázquez. Faltava mais intensidade e mais velocidade nas trocas de passe para vencer a retranca adversária.

O zero só aceitou sair do placar depois que Mendy recebeu passe de Modric e acertou belo chute da entrada da área, sem defesa para o boom goleiro Pierluigi Gollini. E isso apenas aos 41 minutos do segundo tempo e num momento em que Zidane já havia sacado todo seu ataque titular e mandou Mariano Díaz e os jovens Sergio Arribas e Hugo Duro (ambos do Real Madrid Castilla) para o jogo. O escrete merengue superava os desfalques e a retranca de uma aplicada Atalanta para conseguir uma vantagem (ainda que mínima) no confronto das oitavas de final da Liga dos Campeões. Por outro lado, preocupa bastante a maneira como o escrete de Zinedine Zidane se comportou durante toda a partida. Ainda mais quando os comandados de Gian Piero Gasperini conseguiram controlar os espaços e criar grandes problemas para um adversário mais inteiro e (teoricamente) mais qualificado em campo.

Em tempo: a expulsão de Remo Freuler é bastante discutível. Primeiro pelo excesso de rigor do árbitro alemão Tobias Stieler na aplicação do cartão vermelho (pelo menos na visão deste que escreve), e depois pelo critério utilizado na marcação da falta. Era mesmo um lance claro de gol ou apenas o início de um lance de perigo para o Real Madrid? Por mais que a Atalanta já adotasse uma postura mais reativa e pragmática nos primeiros minutos da partida no Estádio Atleti Azzurri d’Italia, a grande verdade é que a arbitragem influenciou no andamento do jogo de maneira direta. Tanto que o Real Madrid já vinha criando diversos problemas para o trio de zagueiros formado por Cristian Romero, Berat Djimsiti e Rafael Tolói a partir da velocidade de Vinícius Júnior e do apoio de Mendy pelo lado esquerdo. O excesso de rigor do alemão Tobias Stieler foi determinante no resultado final da partida.

Se Zidane teve que se virar para montar o Real Madrid com nove desfalques, o treinador francês agora terá que se virar sem Casemiro (que está suspenso por conta do acúmulo de cartões amarelos). O camisa 14 faz o contraponto defensivo no 4-3-3 do escrete merengue como poucos no mundo. Por isso é tão importante no esquema tático da equipe espanhola. Agora é recuperar pelo menos parte dos lesionados para o jogo de volta.

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