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Corinthians usa versão “light” para voltar a jogar bem

Time reserva mostra virtudes contra o Ituano que os titulares não apresentam faz tempo e deveriam criar dúvidas na cabeça do treinador.

fernandogalvao
Colaborador do Torcedores

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Foto: Agência Corinthians

Pela primeira vez na temporada, o corintiano vai dormir achando que pode haver salvação para a equipe. A vitória contra o Ituano, na Neoquímica Arena, não foi um primor, mas um alento.

O que se viu em campo foi uma escalação mais light, leve, para poder ser mais rápida nas transições, mais agressivas nas marcações, e mais criativa. Sim, vimos um Corinthians mais confiante em arriscar, passes quebrando linhas do adversário e as chances aparecendo.

O futebol moderno tem dito que se a defesa de uma equipe começa lá na frente, o ataque inicia pela saída de bola lá atrás. Para isso, a presença do zagueiro Raul foi fundamental. Pareceu ser muito rápido na tomada de decisão.

Sem a bola, seja para atacar o adversário, fechar os espaços e as linhas de passes. Com ela, na coragem de tentar o passe vertical, procurando os meias ou ganhar espaço carregando a bola enquanto o adversário permite, já sabendo onde quer lançar.

Corinthians soube ocupar os espaços

Nas mexidas do time A para o B, Mancini tratou de usar os laterais como base da amplitude. Assim, Natel e Otero podiam se aproximar de Jô e servir de companhia para as tabelas com Luan, Xavier e Camacho. O jogo, especialmente no primeiro tempo, fluiu.

Foi assim que começou a jogada do primeiro gol. Raul avançou até o ataque e inverteu uma bola, que achou João Victor na direita. O garoto foi para cima da marcação do Ituano, driblou e tocou para Natel cruzar. Jô furou a cabeçada. Otero, não.

Mas o Corinthians foi além disso nos 45 minutos iniciais. Teve enfiada de bola pelo meio com Piton e Natel, triangulação nas entrelinhas do adversário… Houve um pensamento de jogar futebol, uma ideia, muito diferente da morosidade que a formação com Gil, Gabriel, Cantillo vem dando.

Camacho e Raul se destacam

O Ituano até tentou sair mais para o jogo no segundo tempo, mas o Corinthians esteve muito mais ligado do que em outras jornadas. Segundo o Sofascore, a equipe reserva corintiana perdeu menos a bola, ganhou os duelos, as disputas por cima, as interceptações, cortou mais e só se permitiu empatar no número de desarmes.

O que isso tudo quer dizer? Foi um Corinthians disposto a jogar futebol. Bom futebol. Com o cansaço, os passes certos caíram dos 85% para aceitáveis 80%. Porém, inclua nisso o placar de 2 a 0 e a entrada de Ramiro, rsrsrs… Ele jogou 14 minutos apenas e teve o pior passe entre os jogadores de meio-campo, acertando apenas 75% das ações.

Camacho, com 92,5% foi um destaque na fase de construção com 2 passes decisivos, acertando todas as bolas longas, mas Raul foi  o melhor em campo. Participou de 10 ações defensivas. A saber:

  • cortes – 03
  • chutes travados – 01
  • interceptações – 04
  • desarmes – 02
  • duelos no chão (ganhos) – 4 (3)
  • duelos aéreos (ganhos) – 4 (2)
  • faltas cometidas: zero

Raul tocou bem também na construção, como manda o futebol moderno.

  • passes certos: 80.7%
  • bolas longas (precisas) – 13 (7)
  • finalização: 01

O torcedor vai dormir acreditando que pode haver futuro melhor desde que as convicções do treinador se moldem ao que o campo tem mostrado. Uma defesa de saída lenta, e um meio-campo pesado, de pouca qualidade ofensiva, diminui a criação de jogadas.

No domingo, foram 18 finalizações. Há um longo caminho a percorrer, pois apenas três definições foram na direção do gol. Mas ele pode ser mais leve, mais light, se o Mancini enxergar o óbvio: hoje, Xavier, Camacho e Luan não podem sair da equipe. Piton, merece voltar para a lateral esquerda. E o Gil que acorde. Ele está no paredão.