Emocionado, nadador Daniel Dias revela sua aposentadoria após as Paraolimpíadas de Tóquio

Mesmo fora das piscinas, o atleta continuará apoiando a natação brasileira e ressalta a falta de visibilidade e assistência nas modalidades paradesportivas para atletas deficientes

Tatiane Sampaio
Jornalista, redatora, admiradora de artes cênicas, esportes e tudo que envolve a cultura brasileira e de outros países.

Crédito: Daniel Dias, nadador paralímpico brasileiro

No início deste ano, o maior medalhista paraolímpico Daniel Dias publicou um comunicado oficial da sua aposentadoria depois das Paraolimpíadas de Tóquio 2021. O evento foi cancelado no ano passado devido à pandemia do coronavirus, mas conforme os organizadores, a previsão é que as competições aconteçam de 24 de agosto a 5 de setembro deste ano.

Aos 32 anos de idade e 16 de carreira, Daniel decide deixar as piscinas com chave de ouro, nos Jogos Paraolímpicos de Tóquio. Para completar, recontratou seu primeiro treinador, Igor Russi, que, juntos, voltaram a treinar onde tudo começou, em um clube na cidade de Bragança Paulista – interior de São Paulo.

“A decisão estava tomada há muito tempo, mas resolvi anunciar a minha aposentadoria em janeiro, para que as pessoas pudessem aproveitar o ano junto comigo. Não quero que seja algo triste, pelo contrário, quero celebrar cada momento e dividir com todos que me acompanham”. Ainda, “acredito que a carreira de um atleta é composta por fases. Vejo que a minha contribuição com a natação já tenha sido excepcional, na verdade, muito além do que eu esperava”, revela.

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Fora das competições, o esportista continuará auxiliando o esporte paraolímpico, e reforça que mesmo com o avanço do Brasil na categoria é necessário mais visibilidade. “O que falta é o apoio da mídia para ajudar a informar a população sobre as deficiências, as modalidades e, por conseqüência, incentivar à prática esportiva. Também falta a assistência das empresas patrocinarem atletas, clubes e eventos para que o esporte possa se desenvolver, crescer e se profissionalizar cada vez mais”, completa.

Segundo Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), a natação paraolímpica é a segunda modalidade que mais coleciona medalhas em Jogos Olímpicos, com 102 no total, ficando atrás somente do atlestismo, 142.

Natural de Campinas, Daniel nasceu com má formação congênita, isto é, quando o bebê nasce sem a formação completa dos membros. Apesar de enfrentar alguns obstáculos, ingressou na natação aos 16 anos, após admirar o empenho do nadador Clodoaldo Silva em uma disputa nas Paraolimpíadas de Atenas, em 2004.

Em pouco tempo, já tinha aprendido os quatro estilos: peito, costa, livre e borboleta. A partir daí, notou que era o dom que Deus havia lhe dado. No decorrer da profissão, conquistou 24 medalhas de ouro em Paraolimpíadas, Prêmios Laureus, uma das maiores festividades esportivas, e outros.

Emocionado, Daniel conta que o incentivo de seus familiares foi essencial para seu crescimento pessoal e profissional. “A minha família é tudo para mim. Meus pais me apoiaram em todas as decisões da minha vida, principalmente na minha carreira. Sou muito grato pelos ensinamentos que recebi deles”.

Nas redes sociais, o nadador também recebeu dezenas de mensagens de apoio e carinho de admiradores, entre eles, Andrew Parson, presidente do Comitê Paraolímpico Internacional e Renato Leite, tetracampeão panamericano de vôlei sentado.

Projetos

Além do esporte, Daniel é formado em marketing, casado e pai de três crianças. Atualmente é o gestor do Instituto Daniel Dias, projeto idealizado em 2014, com a proposta de fomentar a natação paraolímpica. Entretanto, os próximos passos é expandir para outras modalidades, ampliar o atendimento e incluir crianças sem deficiência. Além disso, é o novo embaixador dos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs), marcado para 29 de outubro a 5 de novembro, no Parque Olímpico da Barra (RJ).

Consciente de sua importância no esporte, o atleta diz que “durante os 16 anos de carreira, me dediquei intensamente para a Seleção Brasileira. Abdiquei de muitas coisas, como os momentos em família e o crescimento dos meus filhos, isso pesou bastante. Agora quero estar mais presente”. Por outro lado, “posso contribuir com o esporte paradesportivo de outras maneiras, fazendo a diferença na sociedade, inspirando e lutando pela igualdade”, conclui.