Renato Gaúcho encontra nos garotos da base do Grêmio a força e a intensidade que faltavam para vencer o GreNal 430

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a vitória do Tricolor Gaúcho sobre o Internacional de Miguel Ángel Ramírez

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Parece meio óbvio afirmar que o futebol jogado atualmente é muito mais físico, estratégico e intenso do que há vinte anos. Quem compreende isso tem muito mais chances de dominar as ações dentro de campo. Foi mais ou menos o que Renato Gaúcho fez na noite deste sábado. Por mais que ainda insista na escalação de jogadores que não entregam mais o mesmo desempenho de temporadas anteriores, o técnico do Grêmio foi preciso nas substituições e viu os garotos da base tricolor construírem a vitória sobre o Internacional no clássico disputado na noite deste sábado (3) e que só se encerrou neste domingo (4). Se Vanderson, Juan e Brenno já mostravam suas qualidades, Léo Chú, Darlan, Léo Pereira e Ricardinho elevaram ainda mais o patamar de uma equipe que precisava muito de intensidade e de criatividade no seu meio-campo. Acabou que o Grêmio foi muito mais objetivo que seu rival e mereceu os três pontos.

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Mas é preciso dizer que o jogo em Porto Alegre não foi nada bom. Tanto que o primeiro tempo foi marcado por muitas faltas, muita lentidão nas transições e pouquíssimas chances de gol. A melhor delas nasceu dos pés de Praxedes após belo passe de Maurício. Nada além disso. Se Renato Gaúcho repetia seu 4-2-3-1 costumeiro e via Alisson e Maicon acabarem com a velocidade do meio-campo do Grêmio, Miguel Ángel Ramírez apostava no seu 4-3-3 costumeiro e na execução do já amplamente explicado e debatido “jogo de posição”. O Internacional tinha mais a bola, buscava os lados do campo, mas tinha pouca profundidade, já que Patrick perdeu quase todos os duelos contra Vanderson e Yuri Alberto ficou isolado no ataque. Edenílson tentou trocar de posição várias vezes, mas o panorama pouco mudou. A partida seguia truncada no meio e sem muitas emoções. Faltava alguém que fizesse algo “diferente”.

Este que escreve ainda vai esperar um pouco mais para fazer críticas ao trabalho de Miguel Ángel Ramírez. De fato, o desempenho do Internacional no GreNal 430 não foi bom em todos os sentidos. A saída de bola ainda precisa de mais velocidade e objetividade, o meio-campo parece ter certa dificuldade no entendimento do que é o “jogo de posição” defendido pelo treinador espanhol e o ataque ficou isolado na maior parte da partida. Além de Praxedes, o zagueiro Lucas Ribeiro (em jogada individual) também desperdiçou boa chance para o escrete colorado (já no segundo tempo). E foi só isso. Por mais que se tenha a noção de que os jogadores estejam “aprendendo um novo idioma” com a assimilação das ideias de Miguel Ángel Ramírez, a sensação que fica é que o time como um todo poderia ter jogado muito melhor. Patrick e Rodrigo Dourado foram alguns que estiveram bem abaixo do que já jogaram.

De fato, o desempenho do Grêmio melhorou bastante com a entrada de Darlan no lugar de um apagado Maicon. Matheus Henrique, que vinha mal no GreNal 430, cresceu e passou a distribuir mais passes no meio-campo. E logo numa de suas primeiras participações, o camisa 15 achou Ferreira dentro da área, mas o atacante finalizou por cima. Em outra jogada, o mesmo Matheus Henrique encontrou Vanderson pela direita e este serviu Ricardinho dentro da pequena área. Mas foi a entrada de Léo Chú que deu o toque de intensidade que faltava ao Grêmio. O gol marcado pelo jovem atacante foi o resumo perfeito da estratégia de Renato Gaúcho: linhas recuadas e compactadas na frente da área, saída rápida em contra-ataque através da bola longa para os atacantes aproveitarem o espaços às costas dos zagueiros colorados. Léo Pereira passou para Léo Chú e abriu o espaço para o camisa 18 cortar para o meio e marcar um belo gol.

Pelo que tem se visto dentro de campo nas últimas partidas do Grêmio, fica claro que jogadores como Vanderson, Ruan (zagueiro que anulou Yuri Alberto e Guerrero), Darlan e Ferreira podem e devem ganhar mais chances entre os titulares. Ainda mais num elenco marcado por lesões e pela queda de rendimento de nomes como Maicon, Alisson e outros que gozam de certo prestígio com Renato Gaúcho. A temporada promete ser desgastante e ter jogadores mais jovens e com muito mais condições de entregarem aquilo que o técnico gremista deseja de sua equipe pode ser um trunfo interessante para jogos na Libertadores, na Copa do Brasil e no próprio Brasileirão. Do outro lado, a aposta dos dirigentes do Internacional é numa ideia bem clara de jogo e num legado para todo o clube, mas que precisa de um certo tempo para ser assimiliada e bem executada. É preciso dar tempo e ter paciência com Miguel Ángel Ramírez.

Por mais que ainda estejamos no mês de abril e que muitos trabalhos ainda estejam no início, já é possível afirmar que o caminho das vitórias para o Grêmio de Renato Gaúcho passa pela utilização dos jovens da base e da adaptação destes num elenco recheado por nomes mais experientes mas que necessitam de alguém que faça o “trabalho sujo”. Não é o ideal, mas pode ser o bastante num momento em que se pede cada vez mais intensidade e estudo por parte dos nossos treinadores.

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