Político japonês fala em cancelamento da Olimpíada e reacende debate no país

Comitê Organizador diz que programação de abertura em 23 de julho está mantida; COI não se manifestou

Fernando Cesarotti
Jornalista, professor universitário e fã ardoroso de qualquer esporte. ,

Crédito: Divulgação/Tóquio-2020

Declarações de um político ligado ao governo japonês voltaram a acender o debate sobre um possível cancelamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Adiada em um ano por causa da pandemia de covid-19, a competição tem sua data de abertura marcada para o dia 23 de julho, daqui a exatos 99 dias.

“Se for parecer impossível receber a Olimpíada, então temos que parar tudo. Se os Jogos forem espalhar o vírus, eles servem para quê?”, disse Toshihiro Nikai, secretário-geral do Partido Liberal Democrata, o mesmo do primeiro-ministro, Yoshihide Suga.

A fala feita a uma emissora de TV causou impacto nas redes sociais. O termo “Olympics cancelled” entrou para os trending topics do Twitter no país, e Takai emitiu uma nota para se explicar. “Quero que a Olimpíada aconteça, mas isso não significa que deve ser a qualquer custo.”

Quarta onda

O Japão vive o que já se considera uma quarta onda da pandemia no país, com aumento crescente de casos. Tóquio e outras metrópoles voltaram a adotar, neste semana, medidas restritivas de circulação. Entre elas está a restrição do horário de funcionamento de restaurantes.

O Comitê Organizador, porém, evitou polêmica em sua nota de resposta. “O primeiro-ministro vem reiterando o compromisso do governo com os Jogos, assim como o governo federal, o governo de Tóquio, e COI e o IPC (Comitê Paralímpico Internacional, na sigla em inglês). Estamos todos focados e trabalhando para que a competição aconteça neste verão.” O COI não se manifestou.

Entre as medidas já definidas para a Olimpíada estão a proibição da entrada de torcedores estrangeiros. O protocolo para a chegada de atletas ainda não foi anunciado. A presença de público ainda é incerta. “Vamos realizar a Olimpíada da maneira que for viável. Pode ser sem torcedores”, admitiu Taro Kono, outro político ligado ao partido do governo, hoje à frente do projeto de vacinação o no país.

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