A crise que pode acabar o futebol francês

Com emoção dentro de campo, a situação do futebol francês é diferente fora dele

Redacao Torcedores
Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação

Entre problemas financeiros e a crise sanitária, uma reestruturação do campeonato seria a solução para impedir o desastre envolvendo os clubes do país.

Após três anos de supremacia do Paris Saint-Germain dentro do campeonato francês, a temporada 2020/2021 da Ligue 1 esteve totalmente aberta até a sua reta final. Lille, PSG, Monaco e Lyon lutaram pelo título com uma distância mínima no topo da tabela de classificação até o último mês de competição e casas de apostas como a Betway tiveram a sua cotação aberta para o encerramento da rodada, agendado para o domingo do dia 23 de maio.

Entretanto, se somente um ponto separava Lille, PSG e Monaco até a 34ª rodada e a briga era franca, aberta e justa dentro de campo, fora dele a situação do futebol da França ficou mais complicada. Com uma situação delicada no futebol francês, a Betway apostas desportivas traz uma grande variedade de esportes, campeonatos e equipes. Enquanto a situação não se normalizar, os torcedores não ficarão desamparados.

Quem chega e quem sai dos clubes?

 

No dia 27 de abril, o jornal Le Parisien informou que a LFP, a Liga de Futebol Profissional da França, planejava diminuir a quantidade de participantes da primeira divisão nacional. Atualmente com 20 times, a Ligue 1 teria 18 times em seu primeiro escalão a partir da temporada 2022/2023.

A alteração teria a pressão da UEFA como base. A entidade que gere o futebol da Europa concluiu a reforma do formato da Champions League e as mudanças da maior competição continental de clubes terá efeito em 2024. Com mais jogos em seu calendário, o espaço para as competições nacionais seria menor e, por consequência, se a Ligue 1 continuar com 20 times, a situação envolvendo a quantidade de partidas por temporada por clube seria prejudicada com mais jogos e menos espaço para descanso no calendário.

Assim, a passagem de 18 clubes dentro do campeonato da França tiraria 38 jogos do calendário nacional e seria benéfica para quem continuasse na elite por conta dos direitos de televisão. A receita é lógica: quanto menos equipes, mais dinheiro seria dividido para os membros da primeira divisão e Jean-Michel Aulas, presidente do Lyon, é um dos representantes que defendem a passagem para 16 clubes, considerando as dificuldades financeiras que cada equipe enfrenta atualmente na Ligue 1.futebol frances

A temporada 2020/2021 teve uma reviravolta que prejudicou todos os clubes da primeira divisão. Pela primeira vez desde 1984, o Canal+, emissora de tradição na transmissão do futebol francês, não venceu o leilão pelo principal lote do período 2020-2024. Em seu lugar, chegou a Mediapro com o Téléfoot, nova emissora de televisão, para criar um canal exclusivo para a transmissão dos jogos com uma boa revalorização dos direitos de TV. A previsão era de uma alta de 60% a mais que o valor do ciclo anterior, totalizando mais de um bilhão de euros para o período.

Mas o que parecia excelente no papel, se tornou um desastre na prática. Criado em agosto de 2020, o Téléfoot chegou ao fim em fevereiro de 2021. Sem dinheiro para garantir o pagamento das parcelas dos direitos de TV para a LFP e sem a quantidade de assinantes necessários para compensar a falta de verba, o canal chegou ao seu fim antes do previsto. Empresas como a Betway têm ganhado destaque pelo serviço de transmissão de jogos, consolidando ainda mais seu nome no mercado. 

Em outubro de 2020, a emissora anunciou que não tinha dinheiro para realizar o pagamento por conta da crise sanitária e financeira. Após levar a situação à justiça, a Mediapro, produtora responsável pelo canal e pela marca Téléfoot, encerrou os serviços da emissora em território francês com o campeonato em andamento.

Parceiro histórico, o Canal+ se aliou à Bein Sports para garantir que o futebol francês da primeira e da segunda divisão não entrasse numa crise maior e os dois assinaram um acordo para a transmissão dos jogos e o pagamento de um valor abaixo do previsto inicialmente até o fim da temporada 2020/2021. Já sem a renda da bilheteria dos estádios, fechados por conta do isolamento social no país, os clubes viram a sua fatia do bolo envolvendo os direitos de TV diminuir mesmo com a renegociação.

Se a baixa no valor já havia acontecido em meio ao problema envolvendo a Mediapro e o Téléfoot, a previsão é de que a situação continue complicada na renegociação para o novo ciclo de transmissão a partir do final da temporada.

Assim, times como o Bordeaux entraram numa crise financeira e ficaram ameaçados de entrar em falência. Com uma folha salarial custosa, um dos maiores clube das França se viu numa situação complicada: com a baixa na renda dos valores envolvendo a transmissão de jogos, a única fonte de renda seria a negociação de jogadores ou a ajuda do principal investidor, que acabou abrindo mão da gestão da equipe e colocou a mesma à venda antes do fim do campeonato.

Com uma dívida em torno dos 100 milhões de euros, o rebaixamento administrativo é realidade para o Bordeaux a cada dia que passa. A crise também chegou ao time dentro do campo e o rebaixamento com a bola rolando também se tornou uma ameaça na reta final do campeonato.

Se não houver uma reviravolta e um planejamento imediato para a reestruturação do futebol francês, mais equipes que dependem bastante da venda de jogadores para terminar o orçamento do ano numa boa situação ou até com lucro, podem ver o seu futuro com dificuldades daqui para frente.