Trágico acidente de Ayrton Senna completa 27 anos neste dia 01 de maio

Um dos maiores ídolos do esporte brasileiro e mundial faleceu após acidente na curva Tamburello pelo GP de Ímola, na Itália

Thiago Chaguri
Colaborador do Torcedores

Crédito: Pisco Del Gaiso/Folhapress

Dia 01 de maio marca duas datas importantes: o Dia Mundial do Trabalho e a morte de um dos maiores pilotos da história da Formula 1, Ayrton Senna da Silva. Nascido em 21 de março de 1960, o paulistano foi tricampeão mundial de Formula 1 nos anos de 1988, 1990 e 1991 pela equipe McLaren.

Senna marcou época não somente por sua carreira na categoria, onde atuou de 1984 a 1994. O piloto conquistou a idolatria do povo brasileiro também por sua personalidade. Passava a imagem de uma pessoa determinada, focada e que não media esforços para alcançar seus objetivos. Tais qualidades, em tempos de profundas crises que o país atravessava, era uma chama de esperança para a população acreditar em dias melhores. Ayrton também tinha seus defeitos. Entretanto, adquiriu o respeito de seus rivais nas pistas e até hoje é considerado como um dos maiores nomes da história da Formula 1.

O final de semana do GP de Ímola foi um dos mais assustadores da história do automobilismo. Ocorreram diversos acidentes. Na sexta-feira, 29 de abril, o brasileiro Rubens Barrichello chocou-se contra a proteção de pneus na curva “variante baixa”. No centro médico, o brasileiro recobrou a consciência e saiu sem sequelas. No sábado, 30, uma batida fatal no muro da curva Villeneuve tirou a vida do estreante Roland Ratzenberger durante a classificação. O austríaco morreu aos 34 anos. No domingo, houve uma colisão entre JJ Lehto e Pedro Lamy na largada e, durante a corrida, em uma parada nos boxes, a roda da Lotus de Michele Alboreto desprendeu-se do carro, atingiu quatro mecânicos e atravessou a pista. Por pouco não ocasionou outras fatalidades.

O acidente de Senna

O fatídico acidente de Senna ocorreu na sétima volta, na curva Tamburello. Anteriormente, JJ Lehto e Pedro Lamy colidiram logo na largada.  Pedaços da Lotus de Lamy atingiu quatro pessoas nas arquibancadas, que tiveram ferimentos leves. O Safety Car entrou e permaneceu por cinco voltas para liberar a pista. O brasileiro, que largara na pole position, manteve a liderança ao completar a sexta volta. Sofrendo com a instabilidade do carro desde a primeira corrida do ano, Senna abriu a sétima volta e perdeu o controle logo na segunda curva. A 200km/h, estampou fatalmente o muro da Tamburello. Destroços voaram pelo ar e o carro, que chegou a beliscar a pista, parou na área de escape.

Preso pelo cinto de segurança, Senna estava desacordado. Inclinada para a direita, percebeu-se um leve movimento em sua cabeça. Muitos que acompanhavam a cena imaginaram que seria um bom sinal. No entanto, segundo especialistas, ali pode ter sido o fim de sua vida. O socorro médico demorou quase dois minutos para chegar. A equipe do Dr. Syd Watkins, amigo pessoal de Senna, tirou o piloto do carro e tentou uma traqueostomia. Após 16 minutos, levaram-no de helicóptero ao Hospital Maggiore, em Bolonha.

Anúncio da morte

Direto do hospital, às 16h30 no horário local, a dra. Maria Teresa Fiandri afirmou que o piloto estava com traumatismo craniano, choque hemorrágico e em coma profundo. Às 18h05, em uma coletiva de imprensa, a doutora informou que o eletroencefalograma não detectava mais nenhuma atividade. Constatou-se a morte cerebral de Senna. Os médicos precisaram manter a ventilação pulmonar por exigências da lei italiana.

Às 18h40 (13h40 no horário de Brasília), após informar a parada cardíaca, veio o anúncio de forma oficial: Ayrton Senna da Silva foi declarado morto.

A comoção foi geral. Estavam ali presentes o irmão Leonardo, a assessora Betise Assumpção e jornalistas de vários lugares do mundo. A liberação do corpo do brasileiro demorou dois dias. O IML (Instituto Médico Legal) transformou-se em um local de homenagens da população ao piloto com diversos objetos, fotos, flores e mensagens em sua referência.

Centenas de milhares acompanharam o cortejo e o velório do piloto

No dia 04 de maio, o corpo de Senna desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos e foi levado até à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, onde seria o velório. O cortejo foi realizado pelo Corpo de Bombeiros, aberto para a população. Em mais de duas horas passando pela capital paulista, era visível a comoção das pessoas. Centenas de milhares foram às ruas. Mistos de lágrimas e cânticos, faixas, papéis picados e muita emoção em sua despedida.

No local do velório, a primeira meia hora foi reservada para a família. Após esse período, foi liberado o acompanhamento pela imprensa e aberto ao público. Estima-se que cerca de 250 mil pessoas entre familiares, amigos, autoridades e fãs deram seu último adeus ao ídolo na Assembleia Legislativa.

O velório terminou no dia seguinte, 05. Com honras de chefe de estado, sob 21 tiros de canhão e chuva de pétalas de flores, militares da polícia conduziram o corpo de Senna ao cemitério do Morumby. A cerimônia não foi aberta ao público. A família preferiu restringir o acesso apenas à familiares e amigos, cerca de 300 pessoas.

Pilotos e ex-pilotos conduziram o caixão. O brasileiro bicampeão de Formula 1 e campeão da Formula Indy Emerson Fittipaldi, seu amigo e ex-companheiro de McLaren, Gerhard Berger, o arquirrival com quem no ano de sua morte passou a ter uma boa relação Alain Prost, Rubens Barrichello, o tricampeão Jackie Stewart, além de Christian Fittipaldi, Roberto Pupo Moreno, Johnny Herbert, Wilson Fittipaldi, Thierry Boutsen, Raul Boesel, Michele Alboreto, Pedro Lamy e Damon Hil fizeram o trajeto dos metros finais de Senna antes de seu adeus.

O mundo despediu-se definitivamente de Ayrton Senna da Silva. Ou, como o narrador Galvão Bueno costumava dizer: “Ayrton Senna do Brasil”.

Homenagens

Fãs e personalidades demonstraram suas homenagens e admiração por Senna ao lembrar a data. A equipe McLaren, Rubens Barrichello, Felipe Massa, e a Formula 1 postaram lembranças do piloto. Adriane Galisteu, namorada de Ayrton à época e Bruno Senna, sobrinho, também rememoraram o dia 01 de maio.