Olimpíadas: Conheça a história, o calendário e os países medalhistas do Softbol

Após ficar de fora desde 2008, o Softbol retornou aos Jogos Olímpicos em Tóquio e abriu oficialmente as competições desta edição

Thiago Chaguri
Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação/WBSC

Modalidade responsável por iniciar as competições das Olimpíadas de Tóquio, o Softbol está de volta ao cronograma olímpico. Desde a década de 1940 buscando espaço no evento, foi inserida como “esporte de demonstração” apenas em Barcelona 1992. Sua estreia oficial ocorreu quatro anos mais tarde, em Atlanta 1996 e sua última participação foi em Pequim 2008. Portanto, Tóquio marca seu retorno  depois de duas edições fora.

Abrindo o calendário olímpico, o esporte será disputado entre os dias 21 a 27 de julho.

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Como o Softbol é praticado?

O softbol é amplamente praticado pelo público feminino. Semelhante ao beisebol, a maior diferença está no tamanho do campo, dos apetrechos, como o taco e a bola, além da forma de arremesso e alguns itens de regras.

Disputada por nove jogadoras de cada equipe, o principal objetivo é rebater os arremessos – que são feitos por baixo – o mais longe possível do alcance da defesa adversária e pontuar após tocar as quatro bases do campo. O vencedor é definido na soma de pontos nos sete Innings (entradas).

Esta modalidade consiste na conquista de território. Abaixo, mostraremos o básico sobre como funciona o jogo:

– Em cada Inning, alteram-se as posições. Quem estava atacando, na próxima entrada passa a defender.

– A arremessadora fica no centro do campo. A rebatedora que não conseguir acertar a bola sofre um strike. Após três strikes, estará eliminada da partida e dará lugar a outra jogadora para realizar a mesma função.

– Quando a arremessadora impossibilita a rebatida da adversária jogando a bola fora da zona de impacto por quatro vezes, a rebatedora avança automaticamente para a próxima base.

– Acertando a bola, a rebatedora tem de correr o mais rápido possível para avançar para a próxima base – ou, se a rebatida for muito boa, correr para o máximo de bases possíveis – e evitar sua eliminação.

– A atleta que avançar de base, permanece lá e entra outra rebatedora em seu lugar. Caso sua companheira de equipe proporcione uma boa rebatida, ambas podem tentar o avanço para as bases seguintes.

– As jogadoras de ataque, para validar a conquista das bases, precisam tocá-las antes das adversárias de defesa fixadas nesse home plate (base) deter a posse de bola.

– Por fim, ao conseguir passar das quatro bases, conquista-se o ponto.

– Há a possibilidade de anotar um home-run, em que a rebatedora consegue atingir a bola e jogá-la para fora do campo de jogo ou em uma “área morta”. Assim, impossibilita a ação da defesa adversária, permitindo seu avanço por todas as quatro bases de uma vez.

– Se o empate persistir, joga-se uma entrada extra para definir o vencedor.

O inusitado início do esporte

O Softbol surgiu de maneira bem inusitada: em um chuvoso dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, em novembro de 1887, as universidades de Yale e Harvard se enfrentaram em uma partida de futebol americano. Devido ao mau tempo, um grupo de alunos das duas instituições esperavam notícias sobre o placar dentro de um ginásio no famoso clube náutico de Chicago da época, o Farragut Boat Club.

Quando foi divulgada a vitória de Yale por 17 a 08, um torcedor do time vencedor arremessou uma luva de boxe em direção à um aluno de Harvard, que tentou rebatê-la com um pedaço de pau. A luva ficou pendurada neste artefato e as pessoas em volta observavam o rapaz tentando livrar-se. Ao ver a pitoresca cena, George Hancock, um repórter de Chicago, gritou “Jogue bola!”. E assim começou o esporte, com uma luva no lugar da bola e um pedaço de pau como taco.

Hancock teve a ideia de criar uma espécie de beisebol indoor (em ambiente fechado). Pouco tempo depois, desenvolveu as primeiras regras – 19 ao total – e o formato do jogo. Usou as instalações do próprio Farragut Boat Club para a prática. Outras academias se interessaram na atividade, que foi se disseminando na região. Além do indoor, pequenos campos de beisebol pouco aproveitados pela comunidade eram utilizados para a prática.

Em 1889, Hancock viu sua invenção avançar para Minneapolis, onde o tenente do Corpo de Bombeiros, Lewis Rober, em um terreno baldio, estabeleceu 35 pés (10,66 metros) de distância entre as bases, usou uma bola medicinal e um taco de cinco centímetros de diâmetro. O tenente implantou a atividade como recreação e também para manter a forma dos companheiros enquanto não houvesse alguma ocorrência pela cidade.

39 anos e inúmeros nomes depois, enfim o batizado oficial

Rober foi transferido de corporação e montou um time chamado “Kittens”. Devido sua disposição em expandir o esporte, o jogo ficou conhecido como “Kittens Ball”. Ao longo dos anos houve inúmeras alterações nos nomes. Na década de 1920, foi denominado como “Diamond Ball”, “Recreation Ball”, “Pumpkin Ball”, dentre outros. Até que, em 1926, Walter Hakanson, um membro da YMCA (Young Men’s Christian Association – Associação de Jovens Cristãos) de Denver, sugeriu e a modalidade finalmente foi batizada com o nome que segue até hoje, o “Softball”.

Para celebrar o centenário da cidade de Chicago, em 1933, foi organizado um evento grandioso, o Century of Progress International Exposition (conhecido também como Feira Mundial de Chicago), pregando a inovação tecnológica e exaltando a ciência como formas de esperança e progresso para o país, que fora assolado com a “Grande Depressão”, nome dado à grave crise financeira de 1929.

Neste evento, com atividades em diversas áreas, houve competições amadoras de Softbol. Com apoio do jornal Chicago American, participaram 55 equipes divididas em três categorias: Fastballers (arremesso rápido), Slow Pitch (arremesso lento) e Feminino. Os times de Chicago venceram nas três classes para um público estimado em mais de 70 mil espectadores durante o evento, dando destaque ao esporte.

Entidades oficiais surgiram para organizar a modalidade

No ano seguinte, 1934, surgiu a ASA (Amateur Softball Association, ou “Associação Amadora de Sofbol”). A entidade teve um papel fundamental no desenvolvimento das regras e formatos do jogo, bem como na propagação do esporte pelo país. Duas décadas depois, em 1952, surge a Federação Internacional de Softbol, que fica responsável por organizar as competições internacionais. O primeiro campeonato mundial feminino ocorreu em 1965 e o masculino, no ano seguinte.

Desde então, a modalidade participou como “esporte de demonstração” nos jogos Olímpicos de Barcelona 1992 e estreou oficialmente na edição seguinte, em Atlanta 1996. Organizada também em Sidney 2000 e Atenas 2004, Pequim 2008 foi a última edição do Softbol. Uma reunião do COI (Comitê Olímpico Internacional) em 2005 optou pela exclusão do esporte para os Jogos de Londres 2012 e Rio de Janeiro 2016.

As federações internacionais de Softbol e Beisebol se uniram em 2011 afim de preparar uma proposta conjunta para retornar em 2020. Em 2013, se unificaram e criaram a WBSC (World Baseball Softball Confederation – Confederação Mundial de Beisebol e Softbol). A entidade angariou afiliados e organizou melhor seus campeonatos para demonstrar que estavam aptos a regressar aos Jogos Olímpicos. Convencidos com a proposta, o COI (Comitê Olímpico Internacional) aceitou a solicitação e anunciou o retorno da modalidade em 2016, após o fim da edição do Rio de Janeiro.

Países classificados para os Jogos Olímpicos de Tóquio

Os jogos serão disputados nos estádios de Yokohama e Fukushika Azuma, fora da cidade de Tóquio. Ao total, seis países classificaram-se para a disputa:

Japão (País sede)

Estados Unidos (Campeão Mundial de 2018)

Itália (Pré-Olímpico da Europa/África)

México (Pré-Olímpico das Américas)

Canadá (Pré-Olímpico das Américas)

Austrália (Pré-Olímpico da Ásia/Oceania)

Sistema de disputa

As seis seleções participantes estarão no mesmo grupo e jogarão entre si, em sistema de pontos corridos. Ao final desta fase regular, as duas últimas equipes (quinto e sexto lugares) estarão eliminadas.

O terceiro e quarto do grupo farão a disputa do bronze e as duas melhores colocadas fazem a final pelo ouro olímpico.

Fase de grupos

Confira o calendário convertido no horário de Brasília:

20/07 – Terça-feira

21:00 – Austrália x Japão

21/07 – Quarta-feira

00:00 – México x Canadá

03:00 – Itália x Estados Unidos

21:00 – Estados Unidos x Canadá

22/07 – Quinta-feira

00:00 – México x Japão

03:00 – Itália x Austrália

23/07 – Sexta-feira

22:00 – Austrália x Canadá

24/07 – Sábado

02:30 – Estados Unidos x México

08:00 – Japão x Itália

22:00 – Austrália x Estados Unidos

25/07 – Domingo

02:30 – Canadá x Japão

08:00 – Itália x México

22:00 – Japão x Estados Unidos

26/07 – Segunda-feira

02:30 – Canadá x Itália

08:00 – México x Austrália

27/07 – Terça-feira

01:00 – Disputa do bronze

08:00 – Final

 

Países medalhistas

Atlanta 1996

Ouro: Estados Unidos

Prata: China

Bronze: Austrália

Sidney 2000

Ouro: Estados Unidos

Prata: Japão

Bronze: Austrália

Atenas – 2004

Ouro: Estados Unidos

Prata: Austrália

Bronze: Japão

Pequim – 2008

Ouro: Japão

Prata: Estados Unidos

Bronze: Austrália

 

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