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Olimpíadas: de virada, Brasil supera República Dominicana no tie-break

Oscilando no primeiro set, as comandadas de Zé Roberto Guimarães se recuperam, atropelam nas duas parciais seguintes, mas precisam do tie-break para alcançar o segundo triunfo nas olimpíadas

Thiago Chaguri
Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação/FIVB

Encarando uma partida muito parelha e alternando entre bons momentos e oscilações, Brasil supera a República Dominicana por 3 sets a 2. Com parciais de 22/25, 25/17, 25/13, 23/25 e 15/12, as bicampeãs olímpicas iniciam a competição rumo ao tri vencendo as duas partidas iniciais na Ariake Arena. As dominicanas estão em situação delicada após a segunda derrota. Restam mais três compromissos para definição da classificação.

Fê Garay foi a destaque da seleção brasileira. Com alta produção ofensiva, foi a principal pontuadora da partida com expressivos 26 acertos. Gabi Guimarães também foi importante e contribuiu com 20, quatro deles – incluindo o ponto da vitória – no tie-break. Carol Gattaz comemorou seu aniversário em grande estilo, anotando 17 pontos. Para as dominicanas, Brayelin Martinez despejou 24 pontos.

Esta foi a primeira partida entre as seleções em Jogos Olímpicos. Enquanto o Brasil participa de todas as edições desde Moscou-1980, a República Dominicana compete apenas pela terceira vez. A seleção caribenha debutou em Atenas-2004 e esteve também em Londres-2012, mas não participou da Rio-2016.

Escalações

Brasil: Macris (levantadora); Tandara (oposto); Gabi Guimarães e Fernanda Garay (ponteiras); Carol e Carol Gattaz (centrais); Camila Brait (líbero).

República Dominicana: Marte Frica (levantadora); Gonzalez Lopez (oposto); Isabel Peña e Brayelin Martinez (ponteiras); Jineiry Martinez e Lisvel Elisa Eve (centrais); Brenda Castillo (líbero).

Das principais jogadoras, atualmente a ponteira/oposto Brayelin Martinez e sua irmã Jineiry Martinez atuaram pelo Dentil/Praia Clube. Brenda Castillo e Prisilla Rivera já atuaram por Bauru. O técnico é Marcos Kwiek, há 12 anos no comando da seleção. O brasileiro já renovou contrato e fará parte do próximo ciclo olímpico.

1º SET

As dominicanas iniciaram muito bem o jogo, tanto na defesa quanto no ataque. O setor defensivo não permitia as viradas de bola brasileira e o ataque soube aproveitar as chances. Ao sofrer 5 a 1, Zé Roberto Guimarães pediu tempo para tranquilizar e o time voltou melhor, mais efetivo no ataque. Fê Garay comandou a reação ao anotar quatro dos sete pontos iniciais e empatou a parcial.

Marte Frica distribuiu bem as bolas para suas atacantes. Aos 12 a 10, quatro jogadoras somavam ao menos dois pontos feitos, enquanto pelo lado brasileiro Macris continuava acionando Fê Garay com frequência. A ponteira correspondia e mantinha a equipe próxima no placar. Zé Roberto colocou Roberta e Rosamaria em quadra no lugar de Tandara e Macris, efetuando a inversão de 5×1. O empate em 16 a 16 veio após desafio pedido pelo técnico brasileiro, enxergando a invasão de quadra de Brayelin Martinez.

Gabi parou Isabel Peña num bloqueio simples e colocou a seleção verde e amarela na frente, 19 a 18. Macris e Tandara voltaram à quadra. A oposto foi bloqueada e as adversárias abriram 22 a 20. A República Dominicana estava marcando bem nas pontas, porém, Macris pouco utilizou as centrais para desafogar a situação. Aproveitando a boa leitura de bloqueio, as dominicanas marcaram dois pontos seguidos no fundamento e colocaram 24 a 21 no marcador. Brayelin Martinez explorou o bloqueio e fechou o set em 25 a 22.

Muito bem distribuída na pontuação, a oposto Gonzalez Lopes e a central Jineiry Martinez guardaram cinco pontos. Brayelin Martinez acompanhou com mais quatro. Fê Garay e Gabi puxaram a pontuação brasileira com seis acertos cada.

2º SET

Iniciando melhor, as brasileiras abriram 4 a 1 de início. As dominicanas passaram a cometer mais erros. Fê Garay anotou um ace. No 7 a 3, Marcos Kwiek parou o jogo para tentar reorganizar o time, mas Garay continuou bem no saque, quebrando o passe das adversárias. Saiu do serviço após boa sequência, com a seleção abrindo 10 a 4, a maior vantagem da partida até então.

A diferença foi crescendo durante o set. Diferente da primeira parcial, as brasileiras conseguiram impor seu jogo. Macris acionou mais a central Carol e também foi tentando passar mais confiança para Tandara, que correspondeu bem. Enquanto as atacantes brasileiras estavam inspiradas, pelo outro lado a República Dominicana dependia muito de Brayelin Martinez, única atacante bem na parcial. A eficiência no ataque e a consistência defensiva  proporcionaram um forte desempenho do Brasil. Fê Garay deu números finais ao set em 25/18.

Bem distribuída na pontuação, Gabi anotou cinco e Tandara quatro. Para as adversárias, Brayelin Martinez despejou sete pontos.

3º SET

Diferente das anteriores, esta parcial começou bem equilibrada. As duas equipes trocavam pontos, não permitindo o distanciamento adversário. O Brasil abriu três pontos de vantagem pela primeira vez num serviço de Gabi. O saque tocou na rede e caiu na quadra da Repúlica Dominicana, colocando o marcador em 9 a 6. Carol Gattaz conseguiu dois pontos espetaculares seguidos. O primeiro em uma dividida na rede e posteriormente num forte ataque na paralela, com direito a levantamento com apenas uma das mãos de Macris. Com o marcador em 14 a 9, Kwiek pediu tempo para a República Dominicana.

A central, estava imparável no set. Anotou outra boa sequência, desta vez de três pontos, sendo dois em aces. As caribenhas já apresentavam expressões de inconformismo, cometiam erros simples. Estavam psicologicamente abaladas assistindo o show brasileiro no set. Carol colocou a seleção dez pontos (22 a 12) à frente após bloqueio simples. Administrando, a parcial foi finalizada com um erro das adversárias. 25 a 13 para o Brasil.

As centrais foram as destaques absolutas da parcial. Gattaz fez sete e Carol mais seis. Fê Garay manteve a consistência e conseguiu cinco na parcial.

4º SET

Com dois longos ralis – o primeiro com duração de 41 segundos – vencidos, a República Dominicana pulou na frente e 5 a 3. Mais concentradas e repetindo o forte desempenho do primeiro set até o momento, as caribenhas venceram outro rali e obrigaram Zé Roberto a pedir tempo com desfavoráveis 9 a 5. As brasileiras iriam diminuir a vantagem para um ponto num erro de ataque de Brayelin Martinez. No entanto, o pedido de desafio constatou desvio de Tandara, deixando o placar em 13 a 10.

Outro rali na casa dos 40 segundos. Porém, desta vez ninguém venceu o ponto. A arbitragem havia marcado toque de rede, mas as dominicanas desafiaram e conseguiram reverter a marcação, obrigando as equipes a jogarem o ponto novamente. O Brasil venceu o ponto, mas não conseguia emplacar uma sequência para tirar a diferença que oscilava entre dois e três pontos à favor da República Dominicana. Muito bem nos pedidos de desafio, outra vez obtiveram sucesso e reverteram a marcação da arbitragem, que havia dado bola ao chão. Porém, Brenda Castillo havia defendido com o pé. O ponto voltou e as brasileiras encostaram. No tempo técnico pedido por Marcos Kwiek, o placar indicava igualdade em 18.

Fê Garay anotou um ace e o Brasil enfim tomou a dianteira do marcador. 21 a 20. A partir dali, as seleções trocaram pontos, fazendo uma reta final de set muito equilibrada. Outra vez desafio da República Dominicana e, como de costume, novo acerto. Gabi atacou e a arbitragem deu desvio de bloqueio, revertido após a revisão. Set point para as caribenhas, que confirmaram o triunfo em 25/23, com 40 minutos de parcial.

Brayelin Martinez fez oito pontos. Fê Garay anotou incríveis onze acertos.

TIE-BREAK

Mantendo o equilíbrio do set anterior, as equipes trocavam pontos no início do tie-break. A República Dominicana abriu 6 a 4 de frente, mas Gabi tratou de empatar novamente a parcial em uma paralela. As brasileiras passaram à frente após ataque para fora de Jineiry Martinez. Os juízes de linha deram bola fora, mas, desta vez, quem desafiou a marcação com sucesso foi Zé Roberto. No empate de 11 a 11, Zé Roberto fez a inversão de 5×1 novamente com Roberta e Rosamaria entrando em quadra. E funcionou. Rosamaria parou o ataque dominicano no bloqueio e anotou o 12º ponto brasileiro contra dez das adversárias.

O Brasil abriu três match points de frente, com 14 a 11. Em um belo ataque de Gabi, o Brasil venceu o tie-break por 15 a 12 e o jogo por sofridos 3 sets a 2. A comemoração da vitória veio com direito aos cantos de ‘parabéns’ por todo elenco, festejando o aniversário de 40 anos de Carol Gattaz.

A ponteira Gabi chamou a responsabilidade e marcou quatro pontos no set desempate, sendo o destaque do quadro brasileiro.

Calendário

A fase de grupos terá mais três partidas para a definição da classificação e o chaveamento das quartas de final.

25/07

9h45 – Brasil 3 x 0 Coréia do Sul (25/10, 25/12 e 25/19)

27/07

7h40 – Brasil x República Dominicana (22/25, 25/17, 25/13, 23/25 e 15/12)

29/07

7h40 – Brasil x Japão

31/07

4h25 – Brasil x Sérvia

02/08

9h45 – Brasil x Quênia

 

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