Athletico Paranaense mostra evolução e maturidade em ótima vitória sobre o América de Cali

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como o time comandado por António Oliveira construiu a goleada na Arena da Baixada

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: José Tramontin / athletico.com.br

O português António Oliveira ainda não pode “assumir” de fato e de direito o cardo de técnico do Athletico Paranaense por conta de questões burocráticas. No entanto, diante do futebol que o Furacão vem apresentando nessa temporada, a sua ausência no banco de reservas e durante as entrevistas coletivas vem sendo muito pouco sentida pelos jogadores. Prova disso é a atuação de gala na goleada por 4 a 1 sobre o América de Cali nesta terça-feira (20), na Arena da Baixada. A partida que garantiu o Athletico Paranaense nas quartas de final da Copa Sul-Americana mostrou também a clara evolução tática da equipe de Nikão, Christian, Terans e Thiago Heleno e também a maturidade necessária para encarar jogos grandes nessa temporada. Destaque para a grande noite do jovem Vitinho. O camisa 28 marcou duas vezes e foi a principal arma ofensiva de um Furacão intenso, implacável e altamente ofensivo.

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É interessante notar que António Oliveira e Paulo Autuori (diretor-técnico do Furacão) primam pela simplicidade. O 4-2-3-1 implementado pelo treinador português é muito bem executado pelos jogadores e ganha ainda mais mobilidade com a presença do uruguaio Terans como “camisa 10” e meia central da equipe da Arena da Baixada. É ele quem dá a dinâmica necessária para que o Athletico Paranaense consiga chegar no ataque com consistência e muita velocidade acionando as ultrapassagens de Marcinho e Nicolas pelos lados do campo e a movimentação de Nikão, Matheus Babi e Vitinho nas tramas ofensivas. Exatamente como no gol que abriu a contagem na Arena da Baixada. A visão de jogo de Terans e a tabela com Nikão foram suficientes para desarrumar completamente o 5-3-2 montado por Juan Carlos Osorio no América de Cali com muita profundidade e intensidade nos movimentos ofensivos com e sem a bola.

Christian passa para Terans na intermediária e o uruguaio vê a movimentação dos pontas do Athletico Paranaense para a frente. Essa dinâmica foi determinante para desarrumar a marcação do América de Cali no lance do gol marcado por Vitinho ainda no primeiro tempo. Foto: Reprodução / YouTube / CONMEBOL Sudamericana

Também não é exagero nenhum afirmar que o Furacão poderia ter ido para o intervalo com três ou mais gols de vantagem se Matheus Babi tivesse aproveitado as chances claras que teve na primeira etapa. O volume de jogo imposto pelo escrete comandado por António Oliveira era muito grande e bloqueava todas as saídas do América de Cali. Aliás, essa característica do Athletico Paranaense não é nenhuma novidade pelo menos para quem acompanha a equipe nessa Copa Sul-Americana (ver os números da equipe no tweet abaixo). Embora o adversário tenha crescido um pouco na partida após o gol de empate em penalidade confirmada pelo VAR no início do segundo tempo, o Furacão manteve seu estilo de jogo intenso e ofensivo, com boas trocas de passe e o principal: controlando bem o jogo e os nervos depois que o América de Cali passou a cometer faltas mais duras no meio-campo. Essa é a tal maturidade falada anteriormente.

Com a tensão controlada após o gol Adrián Ramos, o Athletico Paranaense retomou seu estilo de jogo e balançou as redes pela segunda vez na partida praticamente no minuto seguinte em mais uma bela jogada trabalhada por todo o time. E é interessante notar como o escrete comandado por António Oliveira conseguia abrir espaços na defesa adversária com movimentos simples. É preciso dizer que o Furacão é uma equipe muito intensa, mas que “corre certo”, isto é, participa ativamente da partida com e sem a posse da bola. A maneira como o Furacão conseguiu atrair os defensores do América de Cali e desfazer o 4-4-1 montado por Juan Carlos Osorio para compensar a expulsão de Kevin Andrade resume bem o estilo de jogo proposto por António Oliveira. Atrair os adversários, abrir espaços e ocupá-los da maneira mais inteligente. O segundo gol de Vitinho (e do Furacão) mostra bem essa dinâmica.

Nicolas carrega a bola por dentro, Vitinho abre o campo e Matheus Babi, Terans, Nikão e Marcinho atacam o espaço aberto pela movimentação do lateral-esquerda do Furacão. O segundo gol do Athetico Paranaense foi uma aula de transição ofensiva do início ao fim do lance. Foto: Reprodução / YouTube / CONMEBOL Sudamericana

Os gols de Nikão (cobrando pênalti) e Canesin (em belíssimo chute da intermediária) apenas confirmaram a superioridade técnica e tática do Athletico Paranaense nas duas partidas das oitavas de final da Copa Sul-Americana. Por mais que o América de Cali de Juan Carlos Osorio (que é bem intencionado, mas sobre para colocar seus conceitos em prática na equipe colombiana) tenha mostrado muita fragilidade (e até uma certa ingenuidade) em determinados momentos, o que se viu em campo foi um Furacão forte, intenso, muito bem encorpado e que pinta como grande favorito ao bicampeonato. Fora a grande fase de jogadores como Vitinho, Nikão, Terans, Christian e vários outros menos badalados. Aliás, o forte do Athletico Paranaense nem são os valores individuais, mas a maneira como cada um deles se soma dentro de uma equipe coesa e muito bem planejada pelo português António Oliveira.

O Furacão pode não conquistar o título dessa edição da Copa Sul-Americana. Mas a maneira como vem encarando a competição nos mostra que os comandados de António Oliveira podem surpreender muita gente nessa temporada. Ainda mais com o futebol intenso e ofensivo do escrete nessas últimas partidas, seja na competição continental, no Campeonato Brasileiro ou na Copa do Brasil. Esse Athletico Paranaense está se transformando num time muito agradável de se ver jogando. Sem exageros.

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