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Olimpíadas: Estados Unidos domina o Brasil e fatura o ouro inédito no vôlei feminino

Atuando em altíssimo nível, as norte-americanas não deram a menor chance às brasileiras, atropelaram por 3 sets a 0 e conquistaram a primeira medalha de ouro de sua história

Thiago Chaguri
Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação/FIVB

Pela primeira na história dos Jogos Olímpicos, a seleção feminina de vôlei dos Estados Unidos bate o Brasil em uma final e fatura sua inédita medalha de ouro. Aplicando surpreendentes 3 sets a 0, com parciais de 25/21, 25/20 e 25/14, as rivais confirmaram seu favoritismo e venceram a segunda competição disputada contra as brasileiras neste ano. Em junho, as norte-americanas, por 3 sets a 1, sagraram-se campeãs da Liga das Nações.

Destaques para todo o conjunto. Forte em todos os setores da quadra, apresentou um desempenho dominante. Andrea Drews comandou a pontuação, anotando 15. Michelle Bartsch-Hackley somou 14 e a capitã Jordan Larson, mais 12.

As brasileiras, cotadas por alguns especialistas para ficar fora do pódio, termina a competição numa honrosa segunda colocação, levando a primeira prata do vôlei feminino. Até a final a equipe esteve invicta, apresentando um alto nível de desempenho e sai de Tóquio de cabeça erguida.

Com uma belíssima carreira servindo a seleção brasileira, somando um ouro e agora a prata olímpica, além de outros títulos, Fê Garay se despede sendo destaque. Pela quinta vez em oito jogos, foi a maior pontuadora da equipe, com 11. Gabi acompanhou com mais 10.

Karch Kiraly adiciona mais um feito inédito à brilhante carreira

Reconhecido como um dos maiores da história, sendo eleito o melhor jogador do século 20, Karch Kiraly é o único a ter conquistado a medalha de ouro atuando em duas categorias do vôlei. Pelas quadras, foi campeão em Los Angeles-1984 e Seul-1988. Repetiu o feito na primeira edição disputada na areia, em Atlanta-1996.

Kiraly agora adiciona outro feito impressionante: tornou-se o único medalhista de ouro da história como jogador na quadra, na areia e como técnico, sendo o comandante desta seleção feminina norte-americana.

Três jogadoras dos atuais elencos disputaram a final em 2012

Em 2012 a seleção brasileira conquistou sua segunda medalha de ouro sobre os Estados Unidos. Do atual elenco, apenas três jogadoras também faziam parte dos dois grupos em 2012.

Natália integrou o grupo vencedor de Londres. Tandara, cortada desta edição de Tóquio por doping antes da semifinal, também fazia parte daquele elenco.

Pelo lado adversário, a ponteira Jordan Larson e a central Foluke Akinradewo estavam presentes no vice-campeonato estadunidense e agora tiveram suas revanches, levando o ouro em Tóquio.

Estados Unidos venceu as brasileiras em final olímpica pela primeira vez e empataram o confronto direto

As norte-americanas empataram o confronto direto. Cada lado venceu em cinco oportunidades. Cinco destes duelos foram por disputa de medalhas. Mesmo com o triunfo rival de hoje (08), o Brasil ainda leva vantagem nestes confrontos decisivos.

As brasileiras venceram as finais de Pequim-2008 e Londres-2012, além da disputa pela medalha de bronze em Sidney-2000. Os Estados Unidos, além deste ouro em Tóquio, venceu o bronze em Barcelona-1992.

ESCALAÇÕES

BRASIL: Macris (levantadora); Rosamaria (oposto); Gabi Guimarães e Fernanda Garay (ponteiras); Carol e Carol Gattaz (centrais); Camila Brait (líbero).

Suplentes: Roberta Ratzke (levantadora); Natália e Ana Cristina (ponteiras); Bia (central)

Técnico: José Roberto Guimarães

ESTADOS UNIDOS: Jordyn Poulter (levantadora); Andrea Drews (oposto); Jordan Larson (capitã) e Michelle Bartsch-Hackley (ponteiras); Washington Haleigh e Foluke Akinradewo (centrais); Justine Wong-Orantes (líbero)

Suplentes: Micha Hancock (levantadora); Jordan Thompson (oposto) Kimberly Hill e Kelsey Robinson (ponteiras); Chiaka Ogbogu (central)

Técnico: Karch Kiraly

 

1º SET

Abrindo 4 a 0, os Estados Unidos começaram com bloqueio pesado e Bartsch-Hackley, com dois pontos, sendo os fatores para a construção da vantagem inicial. O primeiro ponto brasileiro finalmente veio em um erro de saque adversário. Pontuando muito em função dos erros das americanas, o Brasil encostou no placar, tirando a diferença para um ponto, em 7 a 6. Rosamaria, em bloqueio simples, baixou o placar para 12 a 10. A vantagem adversária oscilava entre dois e quatro pontos até a metade do set. Em erro simples, com uma manchete na rede, a seleção brasileira novamente tirou a diferença para um, 15 a 14. Karch Kiraly pediu tempo.

A parada surtiu efeito e, com boa atuação do sistema defensivo, conseguindo conter os ataques de Fê Garay e Gabi, os Estados Unidos colocou 18 a 14 de frente. Zé Roberto fez a inversão do 5×1 e colocou Roberta e Natalia nos lugares de Macris e Rosamaria. Aos 21 a 17, a inversão foi desfeita e Macris e Rosamaria retornaram ao set. Carol, em um belo ataque pelo meio e um bloqueio logo na sequência, tentou comandar a reação brasileira, mas já era tarde. Com cinco set points, as adversárias não desperdiçaram a chance. Bartsch-Hackley, numa largadinha, colocou 25/21 e 1 set a 0 no placar.

A própria Bartsch-Hackley comandou o set com 8 pontos, seguida pela capitão Jordan Larson, com seis.

2º SET

Pela primeira vez à frente, as brasileiras abriram 3 a 1. Rosamaria a Carol Gattaz anotaram dois em bloqueios simples. Bartsch-Hackley serviu duas vezes para cima de Fê Garay para tirá-la do ataque e funcionou. A equipe virou para 6 a 4. Aos 8 a 5, Natalia entrou no lugar de Rosamaria. O ataque brasileiro abusava de largadinhas, tentando escapar do bloqueio, mas a defesa estava ligada, colocava a bola em jogo dando sustentação para Jordyn Poulter acionar Andrea Drews, responsável por três dos 12 pontos até o momento. Zé Roberto paralisou o jogo para tentar reorganizar a equipe sob desvantagem de quatro pontos, mas não obteve êxito. As rivais anotaram três pontos seguidos, abrindo 16 a 9 e encaminharam a vitória no set.

Absolutamente tudo funcionava para as norte-americanas. O Brasil não conseguia encontrar maneiras de frear o forte volume rival e, até o momento, sua performance estava muito aquém da apresentada durante a competição. Roberta entrou no lugar de Macris no final do set. Kiraly pediu tempo quando a seleção brasileira marcou quatro pontos em sequência e baixou a vantagem para 20 a 15. Incrivelmente, o déficit que chegou a ser de nove, caiu para três num erro de ataque dos Estados Unidos. No entanto, as adversárias retomaram o controle. Num erro de saque de Carol, fecharam a segunda parcial por  25/20.

Andrea Drews marcou seis pontos. Gabi guardou cinco pra o Brasil.

3º SET

Equilibrada, as equipes trocaram pontos no início do set. Gabi explorou o bloqueio, mas arbitragem marcou bola fora. Convicta, Gabi pediu para Zé Roberto desafiar a marcação e obteve êxito, constatando o toque. 4 a 3 Brasil. Em situação rara no jogo, a equipe abriu dois pontos de vantagem, Contudo, as norte-americanas emendaram três pontos em sequência e tomaram a dianteira em 7 a 6. Aos 9 a 7, Zé Roberto pediu tempo para chamar a atenção das jogadoras, cobrando para que melhorassem o astral. No entanto, seu pedido não foi traduzido em quadra. As duas equipes repetiram a atuação do segundo set.

Os Estados Unidos jogando solto, com defesa muito consistente entregando o passe na mão e atacantes inspiradas, enquanto o time brasileiro não conseguia ter fluência em nenhum setor, parecia desconfortável desde o início da partida. Deslanchando, as norte-americanas abriram 11 de frente e impossibilitou qualquer tipo de reação. Jordan Larson, capitã da seleção e remanescente da derrota na final para o Brasil em Londres-2012, deu números finais ao set por 25/14, ao jogo em 3 sets a 0 e conseguiu sua revanche particular para colocar sua primeira medalha de ouro no peito numa possível despedida das quadras.

Novamente Andrea Drews foi a destaque, com seis pontos no set.

CAMPANHA

Confira a caminhada dos Estados Unidos neste título inédito.

24/07 – 23h00

Estados Unidos 3 x 0 Argentina (25/20, 25/19 e 25/20)

26/07 – 23h00

Estados Unidos 3 x 0 China (29/27, 25/22 e 25/21)

29/07 – 9h45

Estados Unidos 3 x 2 Turquia (25/19, 25/20, 17/25, 20/25 e15/12)

30/07 – 23h00

Estados Unidos 0 x 3 Comitê Olímpico Russo (20/25, 12/25 e 19/25)

01/08 – 23h00

Estados Unidos 3 x 2 Itália (21/25, 25/16, 25/27, 25/16 e 15/12)

Quartas de final

04/08 – 01h00

Estados Unidos 3 x 0 República Dominicana (25/11, 25/20 e 25/19)

Semifinal

06/08 – 01h00

Estados Unidos 3 x 0 Sérvia (25/19, 25/15 e 25/23)

Final

08/08 – 01h30

Estados Unidos 3 x 0 Brasil (25/21, 25/20 e 25/14)

 

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