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La Liga ameaça processar Mbappé e PSG após renovação de contrato

Mbappé pode enfrentar um processo de La Liga após renovar contrato com o PSG; liga espanhola alega quebra de fair-play financeiro

Fabrício Carvalho
Jornalista formado / Rio de Janeiro. Redator de notícias, artigos e relatos sobre futebol nacional e internacional, basquete e esportes americanos.

Crédito: Getty Images

ATUALIZADO 21/05/2022 16:17

Informações divulgadas inicialmente pela ESPN neste sábado (21) anteciparam que a La Liga está estudando maneiras de processar PSG e Kylian Mbappé por quebra das regras do fair-play financeiro da FIFA. Uma nota oficial foi divulgada logo após a oficialização da renovação de contrato entre as duas partes pouco antes da rodada final da Ligue 1.

A nota oficial de La Liga detona a postura do PSG no mercado de transferências e denunciará o clube na UEFA para tentar buscar a origem do dinheiro utilizado nos negócios do clube gerenciado pelo governo do Catar. Além disso, a nota deixa claro que outras denúncias formais já foram feitas à UEFA contra o clube parisiense.

Tudo indicava que Mbappé assinaria contrato com o Real Madrid nos últimos dias, mas houve uma reviravolta que provocou a permanência do artilheiro no Paris Saint-Germain após promessas do comando do Catar, sendo a principal delas uma completa reestruturação no clube e participação ativa de Mbappé nas decisões que serão tomadas daqui para frente.

Cabe ressaltar que o presidente de La Liga, Javier Tebas Medrano, deixou claro sua insatisfação com o desfecho deste negociação em um tweet onde chamou Al-Khelafi (dono do PSG) um “insulto para o futebol mundial”.

Veja a nota oficial de La Liga sobre Mbappé e PSG

“Perante o anúncio de Kylian Mbappé de permanecer no Paris Saint-Germain, a LaLiga quer afirmar que este tipo de acordo ameaça a sustentabilidade económica do futebol europeu, colocando em risco centenas de milhares de empregos e integridade desportiva a médio prazo, não só de competições europeias, mas também das nossas ligas nacionais.

É escandaloso que um clube como o PSG, que na temporada passada perdeu mais de 220 milhões de euros, depois de ter acumulado perdas de 700 milhões de euros nas últimas temporadas (mesmo declarando rendimentos de patrocínios de valor muito duvidoso) com um custo de pessoal desportivo em torno de 650 milhões para esta temporada 21/22, pode enfrentar um acordo com essas características enquanto os clubes que poderiam aceitar a chegada do jogador sem ver sua massa salarial comprometida, ficam sem poder contratá-lo.

Por todo o exposto, a LaLiga vai apresentar uma queixa contra o PSG junto da UEFA, autoridades administrativas e fiscais francesas e perante os órgãos competentes da União Europeia, para continuar a defender o ecossistema económico do futebol europeu e a sua sustentabilidade.

Em ocasiões anteriores, a LaLiga já apresentou queixas contra o PSG por não conformidade com o fair play financeiro da UEFA, como resultado da qual a UEFA sancionou severamente o PSG, embora o CAS os tenha revogado em uma resolução estranha.

A La Liga e muitas instituições do futebol europeu estavam esperançosas de que, com a entrada do presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, em órgãos de gestão do futebol europeu, como a antiga UEFA ou a Presidência da ECA, ele se abstivesse de realizar essas práticas sabendo dos graves danos que causam, mas não foi assim, muito pelo contrário. O PSG estando com massas salariais inaceitáveis, com grandes perdas económicas em épocas anteriores, assume um investimento impossível nesta situação, o que sem dúvida implica o incumprimento dos atuais regulamentos de controlo económico não só da UEFA, mas do próprio futebol francês.

Esses comportamentos denotam ainda mais que os clubes estaduais não respeitam ou querem respeitar as regras de um setor econômico tão importante quanto o futebol, fundamental para a sustentabilidade de centenas de milhares de empregos.

Esse tipo de comportamento liderado por Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, devido ao seu status de membro da ex-Uefa, presidente da ECA, é um perigo para o futebol europeu no mesmo nível da Superliga.”