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Vitória sobre o Bahia dá moral, mas Vasco ainda precisa de ajustes se quiser ir longe

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a partida deste domingo (15) e as escolhas de Zé Ricardo e Guto Ferreira

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Daniel Ramalho / CRVG

É justo dizer que a vitória conquistada sobre o Bahia diante de quase 20 mil presentes em São Januário pode sim se transformar numa nova fase para o Vasco nessa temporada. Nem tanto pelo resultado final, mas pela conexão entre jogadores, comissão técnica e torcida. O retorno do Trem Bala da Colina ao G4 depois de longas 44 rodadas tem sim seu valor simbólico diante de todo o processo que o clube passa na sua readequação para a venda da SAF para a 777 Partners. Por outro lado, o lado analista e meticuloso deste que escreve concorda com as palavras de Zé Ricardo após o jogo (ver vídeo no final desta análise). Por mais que o Vasco venha se mantendo nas primeiras posições, o time ainda precisa de ajustes em todos os setores. E a atuação diante do Bahia de Guto Ferreira deixou isso bem claro.

Isso porque o Tricolor de Aço desde o início da partida procurou ocupar o campo de ataque com muita imposição física e velocidade pelos lados com Rildo e Marco Antônio forçando o jogo em cima de Gabriel Dias e Edimar. Além disso, Davó e Danielzinho jogavam mais por dentro tentavam abrir espaços na última linha de defesa do escrete de São Januário. O 4-2-3-1 de Guto Ferreira funcionava bem. Faltava a intensidade necessária e as melhores tomadas de decisão para transformar o volume de jogo em gols. Do outro lado, Zé Ricardo repetia o desenho tático do seu adversário, mas via sua equipe pecar pela lentidão nas transições para o ataque e continuar dependente da criatividade de Nenê. Com o camisa 10 bem vigiado por Patrick de Lucca e Rezende, o Vasco sofria para fazer a bola chegar no setor ofensivo.

Formação das duas equipes em São Januário. Zé Ricardo e Guto Ferreira apostaram no 4-2-3-1, mas era o Bahia quem ficava com a bola e quem ditava as ações no campo. O Vasco se fechava na defesa e tentava explorar os contra-ataques.

Apesar do volume maior de jogo, o Bahia não foi efetivo por conta da falta de agressividade necessária para superar Quintero e Anderson Conceição e entrar na área do goleiro Thiago Rodrigues. Aliás, este último não fez nenhuma grande defesa na partida deste domingo (15) porque não foi necessário. Assim que o Vasco acertou a marcação no meio-campo, o time de Zé Ricardo conseguiu equilibrar mais as ações e até a arriscar algumas escapadas com Figueiredo e Gabriel Pec explorando o espaço criado pelos avanços dos laterais Douglas Borel e Luiz Henrique ao ataque. Até mesmo Andrey Santos apareceu mais por dentro e aliviou um pouco a barra de Nenê na distribuição dos passes. No entanto, o Vasco sentia a falta de alguém que desse mais velocidade ao jogo e fosse mais intenso na troca de passes.

O golaço marcado por Figueiredo após cobrança de falta ensaiada fez São Januário explodir de alegria e deixou o cenário completamente favorável ao Vasco. E nesse ponto, precisamos elogiar bastante a organização defensiva do escrete comandado por Zé Ricardo. Embora tivesse volume de jogo, o Bahia simplesmente não encontrava meios de entrar na área e só conseguiu levar certo perigo através de chutes de média e longa distância. A vantagem no placar também permitiu que Nenê, Raniel, Gabriel Pec e companhia pudessem ocupar mais o campo de defesa de um Bahia que demorou um pouco para assimilar o gol sofrido aos 21 minutos do primeiro tempo. Justo num momento em que o escrete de Guto Ferreira tinha mais posse e mais volume e não se intimidava com a pressão que vinha das arquibancadas de São Januário.

A segunda etapa nos mostrou um Bahia mais intenso. Lucas Falcão, Vitor Jacaré, Marcelo Ryan e companhia deram um pouco mais de movimentação ao escrete soteropolitano. No entanto, os jogadores seguiam pecando demais nas finalizações a gol e nas tomadas de decisão no campo ofensivo. A grande verdade é que as substituições promovidas por Guto Ferreira não surtiram o efeito desejado. O Vasco manteve a postura firme na entrada da sua área e incomodava bastante com os avanços de Gabriel Pec e Figueiredo nos espaços abertos pela movimentação de Raniel na intermediária ofensiva. O camisa 15, aliás, foi um dos melhores em campo. Não somente pelo golaço marcado no primeiro tempo, mas por toda a movimentação, concentração e intensidade apresentadas com e sem a bola no período em que esteve em campo.

Mesmo com o Bahia ocupando de ataque, as melhores chances do segundo tempo foram criadas pelo Vasco. As entradas de Palacios e Juninho deram mais fôlego ao meio-campo e não comprometeram o sistema defensivo. É verdade também que o cenário mais favorável por conta do clima nas arquibancadas e pela vantagem obtida no primeiro tempo condicionaram todo o restante do jogo deste domingo (15). E diante disso, fica a certeza de que Zé Ricardo tem lastro para tirar mais desse time em matéria de desempenho técnico e tático. Por mais que a vitória dê a moral necessária para que o Trem Bala da Colina siga atrás do grande objetivo dessa temporada, que é o retorno para a Série A do Brasileirão. O time evoluiu e já mostra mais segurança. Mas ainda é preciso dar o salto de qualidade para seguir na parte de cima da tabela.

O Bahia tentou ocupar o campo de ataque e pressionou o Vasco muito mais na base do “abafa” do que na organização defensiva. O time comandado por Zé Ricardo baixou suas linhas e encaixou alguns bons contra-ataques na segunda etapa.

A vitória sobre o então líder do Brasileirão Série B num São Januário tomado por vascaínos é motivo suficiente para acreditar que essa equipe pode ir mais longe do que muita gente pensa. Mesmo assim, o resultado obtido neste domingo (15) também revela que o escrete comandado por Zé Ricardo ainda precisa de ajustes em todos os setores. Por mais que Figueiredo tenha se encaixado muito bem no 4-2-3-1 costumeiro do treinador, o time ainda precisa encontrar uma solução para a dependência de Nenê. Outro problema está nas laterais. Por mais que os dois não tenham comprometido na defesa, ficou bem claro que todo time que enfrentar o Vasco vai forçar o jogo em cima de Gabriel Dias e Edimar. Principalmente neste último. Isso ajuda a explicar um pouco a escolha por Yuri Lara e Andrey Santos na “volância”.

A conexão do time com a torcida em São Januário foi o grande legado da vitória sobre o Bahia neste domingo (15). Mesmo sem jogar aquilo que se espera, o Vasco foi efetivo e conseguiu três pontos importantíssimos na briga pelo acesso. E por mais que Zé Ricardo precise fazer ajustes pontuais em todos os setores, ficou bem claro que a força que vem das arquibancadas será o grande reforço de um clube que busca sorrir depois de tanto tempo.