Como boicotes à Copa do Mundo de 2022 podem ajudar os Direitos Humanos
Entidades e ex-jogadores já declararam seu desagrado com as condições dos trabalhadores que levantaram a estrutura para o Mundial
David Ramos/Getty Images
A escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022 causou uma série de reclamações e de ações de entidades e ex-atletas. As denúncias de violações de direitos humanos trouxeram fortes reações de ex-atletas e entidades.
Alguns ex-jogadores famosos já declaram que não estarão presentes no país do Oriente Médio. O alemão Philipp Lahn, por exemplo, em entrevista ao jornal Kicker, disse que não viajará para acompanhar seu país no Mundial.
“Não sou parte da delegação e não estou entusiasmado em viajar como torcedor. Prefiro acompanhar o torneio de casa. Direitos humanos deveriam ter um peso importante na hora de decidir as sedes das competições. Se um país vai tão mal nessa área, você começa a se perguntar quais foram os critérios que orientaram a decisão”, explicou.
Já o francês Eric Cantona foi mais longe, afirmando que não irá nem assistir aos jogos de casa, em respeito aos “milhares de mortos” nas construções dos estádios para a Copa do Catar.
Participantes também farão protestos no Mundial
Não são apenas ex-jogadores que declararam incômodo com a Copa do Mundo no Catar. Alguns dos astros e representantes de seleções que disputarão o título também se pronunciaram condenando a violação de direitos humanos.
A Dinamarca, por exemplo, já oficializou boicote a atividades comerciais e extradesportivas por parte de membros de sua delegação. O anúncio foi feito após a divulgação, em novembro do ano passado, que milhares de pessoas estão em regime de trabalho forçado para o Mundial.
O País de Gales, através do presidente da associação de futebol, Noel Mooney, declarou que quer aproveitar a volta de sua seleção aos mundiais para aprofundar as discussões sobre o tema de direitos humanos, principalmente as populações LGBTQIA+.
Já Jordan Henderson, volante do Liverpool classificou como “chocante, decepcionante e horrendo” o estado de coisas no Catar, após ter acesso a um relatório que foi distribuído aos jogadores da Inglaterra.
Pressão funciona?
Se em um primeiro momento, esse tipo de pressão parece inócua, uma observação mais detalhada mostra alguns avanços no que diz respeito a reestruturação das formas como um Mundial é organizado.
Após toda a repercussão negativa vinda da organização a Copa do Mundo do Catar, a Fifa mudou seus regulamentos e os contratos deverão ter cláusulas protegendo os direitos humanos. Isso deverá acontecer a partir da próxima edição, em 2026, com sedes em Canada, México e Estados Unidos.
Os jogos Olímpicos também passaram por um processo parecido após as Olimpíadas de inverno de 2014, em Sochi, na Rússia. Pouco antes do início do evento, o governo local passou uma lei proibindo mensagens publicitárias com conotação homossexual, o que gerou uma série de protestos.
Com isso, o Comitê Olímpico Internacional colocou uma clausula nos futuros contratos antidiscriminação e adicionou, na Carta Olímpica, a expressão orientação sexual, como uma forma de proteger minorias.

