Home Games Valorant: Carlos Antunes, líder de Esports da Riot Games no Brasil, explica as principais novidades para o VCT em 2023

Valorant: Carlos Antunes, líder de Esports da Riot Games no Brasil, explica as principais novidades para o VCT em 2023

Em entrevista exclusiva, Carlos Antunes conta quais serão as principais mudanças para o Valorant Champions Tour em 2023; confira

Mateus Pereira
Colaborador do Torcedores.com desde 2022, nasci no estado do Rio de Janeiro e alinho minha maior paixão à minha vocação através da produção de conteúdo sobre esportes. Entre as minhas áreas de maior domínio e experiência profissional estão o futebol, o automobilismo e o universo geek. Certificado como Jornalista Digital e Social Media pela Academia do Jornalista, contribui no passado como Colunista, Editor-chefe e Líder da editoria de Esportes nos portais R7 Lorena e iG In Magazine.

Durante a manhã da última quinta-feira (10) a equipe do Torcedores.com e Op.Ninja teve acesso ao escritório da Riot Games Brasil, em São Paulo, desenvolvedora de games gigantes para o cenário competitivo atual, como League of Legends e Valorant.

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Assim, conversamos de forma exclusiva com Carlos Antunes, também conhecido como Caco Antunes (@cacoantunes, no Twitter e Instagram), líder de Esports da Riot Games no Brasil.

Carlos Antunes, líder de Esports da Riot Games no Brasil (Reprodução / Divulgação)

Você pode conferir como foi esse papo mais do que especial abaixo:

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Davi França (Op.Ninja): Pra gente poder começar, conta um pouquinho da sua história. Como você chegou até aqui nesta área de Esports da Riot Games?

Caco Antunes: Bom, obrigado pela pelo papo e por essa oportunidade muito legal de conversar com vocês. Cara, eu entrei na Riot há 7 anos em uma área que não era a de Esports e sim o que a gente chama de publishing, que é a área de conteúdo e marketing dos jogos. Eu vim de publicidade, trabalhava em uma agência, então precisavam de pessoas com essa experiência de criação de conteúdo, entendendo tudo o que envolve um jogo e transformar isto em uma forma de comunicação para a comunidade entender.
Sempre fui apaixonado por games, sempre sofria como jogador quando era disponibilizado algo novo no jogo e eu nem sabia de onde tinha vindo e tinha de me virar sozinho […] então entrei na empresa para essa função. Só que eu entrei dois meses antes da final do CBLoL de 2016 e me encantei. Ali foi quando já tracei um plano e decidi “eu vou mudar para Esports, cara, eu vou gostar desse negócio”. Eu ainda era pereba toda a vida em LoL, mas gostava da energia dos times, da galera e das discussões que tinham.
Continuo não jogando tão bem assim, mas acho que hoje já consigo acompanhar muito bem qualquer cenário, porque é isso que eu acho muito legal do Esports, você saber apreciar a boa jogada, entender a estratégia e a energia da galera.
Então, uns 4 ou 5 meses depois, eu comecei um processo aqui dentro para ver se tinha alguma posição para eu começar a trabalhar com isso, virei o líder de Esports na Riot e estou nessa função há mais ou menos 6 anos […]
Um pouco do meu papel no time acaba sendo muito ligado também a essa parte de marketing, além de ajudar também a equipe em tudo que precisam, né? Porque naquele tempo a gente só tinha o CBLoL e o Circuito Desafiante, ao longo do tempo veio o Valorant com ligas internacional e local, veio TFT e a gente vai se preparando e crescendo.

Davi França (Op.Ninja): Caco, falando um pouco sobre VCT, Ascenção, Champions, Franquias: explica pra gente um pouquinho como é que vai ser e como vai funcionar essa etapa para o cenário masculino? Quais serão os próximos passos?

Caco Antunes: As mudanças que a gente está trazendo para o VCT a partir do ano que vem vieram de um entendimento nosso de que a cena do Valorant se desenvolveu muito rápido depois do lançamento do jogo e que já tínhamos um mercado global, onde o fã já tem uma conexão com várias outras ligas e o os próprios jogadores já têm uma mobilidade pela dinâmica do esporte muito mais intensa nessa camada global.
Então, conversando com os times e analisando o mercado, veio o pensamento de fazermos essa mudança e criar uma camada global do VCT, que antes era só os eventos, a gente tinha as ligas locais e os Master e Champions como sendo os eventos globais. Agora, a nossa ideia é criar 3 ligas internacionais por continentes e vem desse sentido de que o Esports já é mais global, então a gente deveria ter os melhores jogadores de vários países disputando entre si, para mostrar para a gente o Valorant de melhor performance.
Tivemos a ideia de criar três ligas reunindo os melhores dos vários países que nós temos presença: Américas, EMEA e Pacífico. A gente passou por um processo bastante longo de conversar com todos os times interessados que faziam parte de alguma forma do nosso ecossistema de Valorant e outros times que ainda não tinham entrado no cenário, mas tinham interesse em participar de outros Esports ou outras empresas. E cada região fez o seu processo de seleção. Nós nos reunimos para ver quem eram os melhores times que representariam os top 10 das Américas e a mesma coisa para as outras regiões.
Então a ideia dessas ligas internacionais é criar esse palco internacional global com o melhor do Valorant, jogando com mais frequência. A gente tem agora paralelamente acontecendo a Liga Américas, a Liga EMEA e a Liga Pacífico e todas as semanas os melhores delas vão para os Masters e para o Champions. Mas essa camada está jogando o tempo inteiro e o Brasil tem três times disputando a Liga Américas.
Porém, a gente também entende que existem mais organizações de jogadores em países que também precisam de uma liga para se desenvolver e chegar nesse lugar, para que a gente tenha mais Valorant de qualidade além de só 3 times. Então, nós criamos também essa liga local, que é a Challengers, o VCT Brasil, assim como vai ter o VCT América do norte, o VCT Latam, onde os times do tier 2, que não se qualificaram para essa franquia, vão disputar um torneio local.
Anunciamos há poucos dias que no Brasil esse torneio será presencial aqui no estúdio em todas as etapas, onde teremos oito times disputando.
Desde. Essa série local terá dois splits por ano e a gente só vai ter uma discussão de promoção e rebaixamento para o próximo ano, por que a gente também entende que se ficarmos cortando muito o cenário os times não terão tempo para se desenvolver e investir.
Então, a gente entende que a liga local contará com times que possuem qualidade para estarem na liga Internacional e que, por uma questão de tamanho e quantidade de vagas, não conseguiremos colocar todos. Por esse motivo nós criamos o torneio Ascensão, que acontece em todas as regiões do mundo no final do da liga local, a Challenger Brasil, aonde os melhores colocados de cada país vão disputar um torneio que pode dar acesso à liga Internacional, no caso o Ascensão […]
Então, a nossa ideia é que a Liga Américas também receba os melhores jogadores e os melhores times das ligas locais, porque eles investiram e atingiram o desempenho para chegarem até aquela liga.
Desempenho e eles vão para aquela liga […]
A nossa ideia de estímulo para o cenário local é: nós vamos dar uma liga de qualidade, o Challenger Brasil, como nós tínhamos o VCT Brasil ano passado, que é presencial, vai ter conteúdo e parceiros nossos investindo na liga. Também teremos a série Ascenção, que estimula os times e jogadores a darem o seu melhor para chegarem ao palco internacional […] a gente sabe que esses palcos internacionais dão muita visibilidade, como foi a “dança das cadeiras” no Américas, até com os jogadores brasileiros indo para time muito forte […]

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Davi França (Op.Ninja): E quanto à vaga rotativa, depois de dois um dos times será obrigado a sair ou irá disputar com o campeão do Ascenção para tentar permanecer?

Caco Antunes: No desenho atual a vaga é de 2 anos para que outros times também tenham a chance de participar.

Davi França (Op.Ninja): Sobre a Liga América, sabemos que o time vai ter que ficar presencial em Los Angeles, onde ela irá ocorrer. Vocês estão dando essa estrutura para eles, com ajuda tanto financeira quanto com suporte estrutural, psicológico e tudo mais?

Caco Antunes: Sim. Enquanto fizemos o processo de seleção dos times, também preparamos internamente um estudo de todas as necessidades que esses times terão para lá, já que sabemos que morar em Los Angeles é mais caro do que em São Paulo. Então, existe uma questão de apoio financeiro específico para essas necessidades e um subsídio que está sendo dado pela Riot para realocar a estrutura do time, para ter um lugar para as pessoas irem e também não precisarem se preocupar com questões associadas à falta de um suporte administrativo, contábil, de tirar visto e tudo isso para que os times possam focar na preparação de seus jogadores.
Além disso, terá uma equipe da rede inteira da Riot preparada para receber os jogadores internacionais nesses lugares, ajudar a dar o setup e condições de vida para essas pessoas […]

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Davi França (Op.Ninja): E tem a importância do psicológico também, né? Isso conta muito.

Caco Antunes: Temos tido conversas sobre melhores práticas para preparar as pessoas que vão morar numa cidade como Los Angeles. Esse nem é tanto um problema para os brasileiros, porque na verdade, São Paulo e muitas das capitais do Brasil são do mesmo tamanho que LA, mas outros países têm uma cultura completamente diferente de onde eles vão jogar, mas todo esse pensamento está dentro da Riot nesse sentido, além das coisas que a gente já tem, como políticas de apoio e um contato muito forte com as organizações para o que precisarem, então estaremos lá para ajudar. O importante é que os times e seus jogadores não passem por problemas para se acostumarem a jogar uma liga de alta performance. Eles têm que se focar em se preparar e jogar […]

Davi França (Op.Ninja): Sobre a duração, quanto tempo terá a Liga América? Depois de quanto tempo os jogadores vão voltar ao Brasil e o que eles vão jogar por aqui ao retornar?

Caco Antunes: Os calendários específicos das ligas ligas internacionais ainda serão divulgados em breve. Aí teremos essa informação e ela será divulgada divulgada […]
Mas, uma informação importante que a gente queria trazer sobre o Off Season, é que já estamos trabalhando nisto desde já. E para montar o off season do ano que vem, a nossa ideia é trazer mais eventos grandes para chamar a atenção do público e dos jogadores para isto, eventos grandes suficientes para que esses times internacionais participem com qualidade quando retornarem ao Brasil. Então, a nossa ideia é que os Off Seasons sejam mais estruturados e planejados, para que os times possam fazer um planejamento para o ano inteiro […]

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Davi França (Op.Ninja): Sabemos que o que o Kick Off do VCT 2023 será realizado no Brasil durante o início do próximo ano. Como irá funcionar este campeonato?

Caco Antunes: Nós do Brasil estamos particularmente muito felizes em conseguir trazer para cá para esse torneio. Essa será a primeira aparição do novo VCT com ligas internacionais para o mundo e será aqui no Brasil! Então, para nós isso é motivo de enorme orgulho.
Os 30 times, 10 de cada uma das 3 ligas internacionais, virão ao Brasil para jogar um torneio que irá durar algumas semanas e só depois que eles irão para suas ligas. Para nós a expectativa é enorme, porque a gente não só vai conseguir mostrar presencialmente para o torcedor e fã brasileiro os melhores do mundo em um formato bem desafiador e interessante, como também iremos fazer com que todo o cenário de Valorant do Brasil possa evoluir durante esse período de tempo junto aos melhores times do mundo, já que tudo que envolve o cenário estará muito mais quente enquanto os melhores estiverem por aqui nesse período […]

Davi França (Op.Ninja): Para finalizar, a última pergunta: quais são os planos futuros para o Valorant masculino?

Caco Antunes: Cara, a gente tem alguns planos. Um deles que eu já falo logo de entrada para esse ano é o Valorant misto. A gente vai trabalhar muito em conectar o Game Changer e estimular cada vez mais a evolução dele para que mais times se tornem mais profissionais e mais organizações investam e apoiem com conhecimento, estrutura e tudo mais que essas pontes que a gente vai criar entre o Game Changer e o Challenge Brasil para que se tenha cada vez mais times femininos ali dentro.
Então, no momento em que o Valorant for efetivamente misto, a gente vai soltar foguete aqui dentro, então vamos trabalhar até isso de fato acontecer. Essa é uma das primeiras grandes missões que temos para esse ano […]
Outra coisa que também temos como missão muito forte para esse ano é trabalhar essa liga brasileira. Sabemos que a gente tem mais do que três times com muita capacidade no Valorant, muito talento novo que vai se beneficiar das organizações investindo, então fizemos uma liga presencial e estamos investindo em produção de conteúdo. Queremos muito que essa liga revele gente e que os times maiores invistam, para vermos jogadores aparecendo e o mundo inteiro de olho no Brasil.
Então, esses são os dois focos que temos, a gente quer tornar esse modelo do Valorant global, local e tudo mais em algo super robusto, com Game Changer se integrando e a liga brasileira revelando muito time e muito atleta bom.

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Por fim, confira também a nossa primeira entrevista com Carlos Antunes, onde ele falou sobre a importante movimentação da Riot Games para a inclusão feminina em seu cenário competitivo.

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