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Justiça da Suíça esclarece alguns pontos envolvendo o ‘Caso Cuca’

Técnico do Corinthians foi condenado no fim da década de 80 por estupro a uma jovem de 13 anos

Por Rafael Alaby em 25/04/2023 17:29 - Atualizado há 3 anos

Desde a tarde da última quinta-feira, quando o Corinthians anunciou a contratação do técnico Cuca, a imprensa esportiva vem noticiando diariamente sobre a condenação de Alexi Stival por abuso sexual de uma jovem de 13 anos, em Berna, na Suíça, quando jogava pelo Grêmio em 1987.

O jornalista Walter Faceta, colunista do Meu Timão, entrou em contato com a Suprema Corte da Suíça à procura de mais informações sobre o caso e foi informado que o processo tem sigilo de justiça de 110 anos e que pela lei local apenas uma determinação judicial ou autorização expressa da vítima pode derrubar o segredo.

De acordo com o órgão, todas as informações sobre o caso podem ser encontradas em duas matérias da edição online do jornal suíço Der Bund. Em uma das reportagens é destacado o fato de a perícia ter encontrado sêmen de Cuca na jovem.

Em uma das matérias do Der Bund do dia 15 de agosto de 1989, há o relato sobre as expectativas do julgamento e no dia seguinte outra sobre a sentença dada aos jogadores. Além de Cuca, os atletas Eduardo Hamester e Henrique Etges foram condenados a 15 meses de prisão por atentado ao pudor com uso de violência.

O jogador Fernando Castoldi também ficou detido por um mês em Berna após acusação de relação sexual sem consentimento com a garota, mas ao contrário dos companheiros acabou sendo absolvido do crime de violência, mas condenado por atentado ao pudor.

O que a primeira matéria revela?

A primeira matéria destacou que “como era de esperar, os quatro indiciados não compareceram ao tribunal. A menina, que segundo o médico psiquiátrico assistente, sofre de transtornos mentais graves desde o incidente e que tentou o suicídio há um ano, foi dispensada de estar presente”.

“Os fatos foram apresentados de forma diferente ontem, dependendo das perspectivas dos acusados ou da vítima. No entanto, todas as declarações feitas por escrito concordam que a menina de 13 anos e dois colegas foram à sala dos jogadores de futebol, no Hotel Metrópole, na tarde de 30 de junho de 1987, para obter uma camisa do Grêmio”, segue o relato.

Sem conseguir obter apenas a troca pela camisa do Grêmio, a garota passou a ser assediada pelos quatro jogadores. Um deles, então teria jogado a menina em uma cama do hotel.

Os dois colegas da menina testemunharam que os jogadores de futebol pediram para que eles saíssem do quarto, e segundo eles, “era tarde demais para compreender o alcance do incidente”. Eles tentaram ajuda dos funcionários do hotel, mas não obtiveram sucesso.

“Por outro lado, os acusados apresentaram tudo como um ato sexual voluntário durante o interrogatório”, finalizou a matéria.

Segunda matéria – A sentença

“Ontem, o Tribunal Criminal de Berna considerou os três jogadores de futebol brasileiro Alexi (Cuca), Eduardo e Henrique, do Grêmio de Porto Alegre, culpados de atentado ao pudor com uma criança e coação. O Tribunal condenou o quarto jogador Fernando apenas por coação”, diz o início da matéria.

“Com base nos arquivos disponíveis e nos depoimentos de testemunhas, o Tribunal Distrital considerou os quatro acusados culpados de coação. Por outro lado, não se pode presumir fornicação com criança, nem cúmplice, no caso de Fernando, que se encontrava apenas no quarto de hotel e que presumivelmente não violou a vítima”, prosseguiu.

A publicação divulgou as penas: três meses de prisão para Fernando; e 15 meses de prisão para cada um dos outros três jogadores, entre eles, Cuca.

Em apresentação pelo Corinthians, Cuca nega estupro

Durante a sua apresentação ao Corinthians na última sexta-feira, Cuca negou participação no estupro e disse que houve um ato sexual a vulnerável.

“Esse é um tema delicado, pessoal meu. Faço questão de falar sobre ele e tentar ser o mais aberto possível quanto a isso. Ocorreu há 37 anos, em 1987. Era emprestado do Juventude ao Grêmio, tinha acabado de chegar lá. Tenho uma lembrança muito vaga, faz muito tempo. Tinha 23 anos na época, a gente jogou uma partida e subiu uma menina para o quarto, um quarto duplo. Essa foi minha participação”, iniciou Cuca.

“Sou totalmente inocente, não fiz nada. As pessoas falam que houve um estupro, houve um ato sexual a vulnerável, isso foi a pena que foi dada. A gente ouve um monte de coisa, inverdades, que chegam a ofender. Vou fazer 70 anos daqui a pouco, tenho duas filhas. É um tema que eles nem existiam, já era casado, sou até hoje”, continuou.

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