Cleber Machado revela narrações mais marcantes da carreira e aponta nomes que lhe serviram de inspiração
Novo narrador do SBT conta que se surpreendeu que determinadas locuções ficaram na memória dos torcedores
Rogerio Pallatta/SBT
Após deixar a Globo em março deste ano após 35 anos de casa, o narrador Cleber Machado fará na próxima terça-feira (26) a sua estreia no SBT, o primeiro contrato profissional na TV aberta desde que foi demitido da emissora carioca. Em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, o locutor contou um pouco sobre as narrações mais marcantes da carreira, mas evitou apontar uma única como preferida.
“Tem aquelas narrações que marcaram, como Uruguai x Gana na Copa de 2010, Alemanha x Itália na Copa de 2006, França x Croácia na Copa de 1998, Grécia x Argentina na Copa de 94, o último gol do Maradona em Copas do Mundo”, iniciou.
“Teve também a primeira final de campeonato que fiz, Palmeiras x Vasco. Fiz mais de três finais de Libertadores. O primeiro jogo de Athletico x São Paulo (2005), o Galvão fez o segundo. Foi a primeira final de Libertadores envolvendo dois clubes do mesmo país. No ano seguinte fiz os dois jogos entre Inter x São Paulo. O tempo foi passando e recentemente fiz as finais de Santos x Peñarol em 2011, Corinthians x Boca em 2012, Atlético-MG contra o Olimpia em 2013. O “hoje sim! hoje não!’, da Fórmula 1, é possível colocar na lista (narrações mais marcantes). Como diz o cantor e o compositor. Não tem a música favorita, todos os discos são como nossos filhos. Narração é igual”, declarou.
Cleber revela que em determinado momento da carreira se surpreendeu com a repercussão de algumas narrações e bordões nas transmissões de TV. Ele diz que com frequência é parado na rua com torcedores comentando fatos ocorridos.
“Demorei um tempo para sacar que as narrações ficam também na memória de que acompanhou. Eu sempre achei que o cara estava só preocupado com o resultado do time dele. Ou ele ficava feliz com determinada final porque o time dele foi campeão ou ficava triste porque o time dele perdeu. Aí comecei a ver que as transmissões também fazem parte desse pacote. Se eu tenho 50 mil pessoas num estádio, eu tenho 2 milhões, 10 milhões vendo o jogo (na TV) e esses caras estão vendo com a voz de alguém”, contou.
Segundo Cleber Machado, nem sempre dá para agradar todos os torcedores nas transmissões.
“(As narrações) acabam marcando para o bem e para o mal, o cara achando que você falou mal do time dele ou que você falou bem. Faz 20 anos que eu ando na rua e os caras gritam para mim o ‘hoje não, hoje sim’. O “Olha o Romarinho’, que quase perdi o gol (final da Libertadores 2012). Se o Caio Ribeiro não me avisa, eu iria perder o gol. Não tive a menor ideia que esse bordão iria viralizar. Uma vez cheguei em BH e um torcedor me disse que jamais iria esquecer do gol do Léo Silva (zagueiro do Atlético-MG) na final da Libertadores 2013. O Fernando Prass, ex-goleiro, falou pra mim que um torcedor tatuou no braço uma foto com uma frase minha na final da Copa do Brasil 2015: ‘se o Prass fizer, o Palmeiras é campeão’. Os caras guardam o que a gente fala e isso é muito prazeroso”, acrescentou.
Cleber Machado revela quem são suas inspirações na narração de TV
“Na televisão tem muita gente, é até injusto citar nomes de diretores, companheiros, produtores, comentaristas e repórteres. Mas na questão de narrador. Para mim, narração esportiva de televisão, contando a partir dos anos 80, eu acho que tem três caras que fazem, fizeram e continuam fazendo, um deles já faleceu. Eles deram o caminho pra gente. São o Luciano do Vale, o Galvão Bueno e o Silvio Luiz, cada um no seu estilo, a empolgação de um, o timing de outro, a descontração do Silvio (…) Hoje a gente faz a mistura disso e cada um tem seu estilo e característica”.

