Palmeiras x Corinthians. Foto: Px Images/Alamy Live News
A rivalidade entre Corinthians e Palmeiras ganhou novo capítulo fora de campo. O estopim foi a exclusão do Timão do Movimento dos Clubes Formadores (MCF) e as acusações de roubo nas categorias de base. Desde então, o clima nos bastidores se tornou ainda mais hostil. A informação é de reportagem do GE.
Nos últimos dias, três jovens atletas deixaram o Parque São Jorge e se transferiram para o Palmeiras. A movimentação gerou reação imediata da diretoria corintiana. Internamente, o clube entende que sofre retaliação por um episódio ocorrido em 2025. Na ocasião, o Timão contratou um jogador ligado à base alviverde.
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Acusação de aliciamento e versões opostas
Segundo o GE, o Palmeiras denunciou o Corinthians por aliciamento de um atleta de 14 anos. O nome foi mantido em sigilo pela reportagem. O Verdão comunicou ao MCF que não autorizava qualquer negociação envolvendo o jovem. Pelas regras do grupo, isso impediria a transferência para outro associado.
Mesmo assim, o jogador passou a atuar pelo rival. O Movimento acatou a denúncia e excluiu o Corinthians. A partir daí, outras regras deixaram de valer para o clube alvinegro. Entre elas, a proteção contra investidas em seus atletas de base.
Declaração de João Paulo Sampaio acirra o clima
O coordenador da base do Palmeiras, João Paulo Sampaio, falou ao ge em tom duro. Ele deixou claro que não pretende adotar postura conciliadora. Em declaração direta, afirmou: “Tirei três, vou tirar mais. Já fui bonzinho um ano, fui roubado e fiquei esperando resolver. Sou melhor inimigo do que amigo”.
A fala repercutiu internamente no Corinthians e reforçou a leitura de que há articulação nos bastidores. O clube entende que o rival usa sua influência no MCF para manter o Timão afastado do grupo.
Papel do Movimento dos Clubes Formadores
Fundado em 2012, o MCF reúne clubes com Certificado de Clube Formador da CBF. O objetivo é estabelecer regras éticas e evitar aliciamento de jovens. Atualmente, o grupo é presidido por Augusto Oliveira, dirigente da base do Botafogo.
Em nota enviada ao ge, o Movimento afirmou: “O papel do Movimento é proteger e unir os clubes, garantindo a melhor formação para os jovens talentos. O Corinthians está penalizado, em cumprimento ao regulamento, mas esperamos que as partes cheguem a um acordo”.
Tentativas de acordo e impasse financeiro
A atual gestão do Corinthians admite erro na condução inicial do caso. O clube afirma ter pedido desculpas ao Palmeiras em reunião na Federação Paulista. Além disso, apresentou propostas de solução. Entre elas, a devolução do atleta ou o pagamento de uma multa. O valor poderia chegar a R$ 3 milhões.
A versão do Palmeiras é diferente. A diretoria alviverde sustenta que foi o Corinthians quem rejeitou alternativas. Segundo o Verdão, as desculpas não bastariam sem compensação esportiva ou financeira. O impasse segue sem definição.
Impacto no calendário e na formação
Com a exclusão do MCF, o Corinthians enfrenta limitações no calendário das categorias menores. Em torneios sub-15 e sub-13, o clube fica restrito a competições oficiais da Federação e da CBF. Isso reduz a oferta de jogos e a exposição dos atletas.
Dirigentes ouvidos pelo ge avaliam que a situação afeta diretamente a formação. A falta de competições atrativas pode facilitar a saída de jovens talentos. Enquanto isso, o Palmeiras mantém postura firme nos bastidores. A disputa segue aberta, sem sinais de trégua no curto prazo.

