Thiago Almada sendo apresentado no Botafogo. Foto: Divulgação/BFR
O Botafogo deu passos importantes nos bastidores para tentar encerrar o impasse que resultou em um transfer ban imposto pela Fifa. O clube abriu negociações com o Atlanta United e, principalmente, com a Major League Soccer, entidade que centraliza as decisões financeiras das franquias, para buscar um acordo referente à dívida de US$ 21 milhões pela contratação de Thiago Almada, em 2024.
Impasse com a MLS e modelo de pagamento
A condenação ao pagamento ocorreu em dezembro, após decisão favorável ao Atlanta United na Fifa. Como a MLS opera em sistema de liga única, a cobrança não é tratada apenas entre dois clubes. Representantes da liga, do Atlanta e um conselho formado por dirigentes de outras franquias participam das reuniões, já que qualquer valor recebido impacta o orçamento coletivo da competição.
O Botafogo apresentou inicialmente uma proposta de parcelamento em longo prazo, mas a liga norte-americana rejeitou esse modelo. Para a MLS, pagamentos estendidos comprometem o planejamento financeiro das equipes.
Na mesa, foram colocadas duas alternativas: quitação integral à vista ou um acordo com entrada robusta e o restante dividido em, no máximo, um ano. A distância entre as posições ainda existe, mas o diálogo segue aberto.
Transfer ban e reflexos no elenco
Enquanto o acordo não é oficializado, o Botafogo permanece impedido de registrar novos jogadores no BID. A punição não bloqueia negociações, mas impede que reforços atuem em partidas oficiais. O zagueiro Ythallo e o atacante Lucas Villalba, já contratados, treinam normalmente, porém aguardam a liberação para serem inscritos.
A restrição também freou o avanço por outros alvos, como o meia Cristian Medina, do Estudiantes. Internamente, a avaliação é de que a resolução do caso é prioridade absoluta para evitar que o planejamento esportivo seja comprometido na largada do Campeonato Brasileiro.
Origem da dívida e disputa jurídica
A compra de Thiago Almada foi fechada em junho de 2024 e envolveu o pagamento de US$ 21 milhões — cerca de R$ 114 milhões na cotação atual. Segundo o Botafogo, o acordo previa o parcelamento desse valor ao longo de quatro anos, com duas parcelas já quitadas.
Já o Atlanta United, respaldado por documentos apresentados à Fifa, sustenta que todo o montante deveria estar integralmente pago até 30 de junho de 2026, o que motivou a cobrança imediata e, posteriormente, a imposição do transfer ban.
Além do valor principal, há ainda a controvérsia envolvendo os 10% do negócio a que Almada tem direito por lei dentro da MLS, o que corresponde a aproximadamente US$ 2,1 milhões. Para viabilizar a transferência, a Eagle Football, empresa que controla a SAF do Botafogo, adquiriu esse crédito do jogador e passou a discutir a compensação financeira com a liga norte-americana.
Enquanto a MLS e o Atlanta cobram os US$ 21 milhões no âmbito da Fifa, o Botafogo tenta fazer valer, na Justiça dos Estados Unidos, o entendimento de que há valores a compensar no sistema da própria liga.
Expectativa por desfecho antes do Brasileirão
O CEO Thairo Arruda centraliza as tratativas com a MLS, com respaldo de John Textor. Nos bastidores, o ambiente é descrito como de diálogo aberto, embora ainda haja divergência relevante entre o que a liga exige e o que o clube brasileiro considera viável neste momento.
A diretoria alvinegra trabalha com a expectativa de chegar a um entendimento antes da estreia no Campeonato Brasileiro, prevista para o fim do mês. O objetivo é liberar o registro dos reforços e evitar que o elenco inicie a competição desfalcado por questões administrativas.

