Home Futebol Ex-base do Santos processa clube e cobra R$ 30 milhões por lesões

Ex-base do Santos processa clube e cobra R$ 30 milhões por lesões

Tairon Trajano alega lesões na infância, contratos abusivos e abandono após cirurgias no joelho

Por Douglas Nunes em 15/01/2026 07:26 - Atualizado há 3 horas

CT do Santos. Foto: Jota Erre/AGIF

Um ex-atleta das categorias de base do Santos ingressou com ação judicial contra o clube, cobrando indenização superior a R$ 30 milhões. O processo tramita na Justiça de São Paulo e foi aberto neste ano. O autor é Tairon Trajano, que passou pelo clube a partir de 2018, quando tinha apenas 13 anos.

Naquele período, ele disputou a Copa Ouro e chegou a ser artilheiro da competição. Até que uma lesão no joelho atrapalhou o desenvolvimento do jogador. O fato ocorreu durante treinamentos realizados sob orientação do clube. A contusão exigiu cirurgia e deu início a uma sequência de problemas físicos.

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Cirurgias sucessivas e agravamento do quadro

Após se recuperar do primeiro procedimento, Tairon assinou contrato de formação com o Santos no ano seguinte. Poucos meses depois, voltou a sofrer nova ruptura no mesmo joelho. Sendo assim, a lesão exigiu outra cirurgia e um longo período de reabilitação.

Mesmo sem recuperação completa, aos 16 anos, o atleta precisou passar por um terceiro procedimento cirúrgico, novamente no mesmo local. Segundo a ação, as intervenções deixaram sequelas permanentes, com impacto direto na mobilidade e na possibilidade de seguir carreira profissional.

Dispensa e alegação de abandono

De acordo com o relato apresentado à Justiça, o Santos decidiu dispensar o jogador em 2023. A saída ocorreu, segundo ele, sem que o clube oferecesse suporte adequado diante das limitações físicas adquiridas durante o período de formação.

O ex-atleta sustenta, portanto, que ficou com prejuízos irreversíveis e que as lesões comprometeram de forma definitiva suas chances no futebol. Ele afirma que a decisão de recorrer ao Judiciário se deu após se sentir desamparado e sem alternativas para reconstruir a carreira.

Contrato e cláusulas consideradas abusivas

Tairon relata que, ainda menor de idade, recebia cerca de R$ 4 mil mensais, valor classificado pelo clube como “bolsa atleta” e “auxílio moradia”. No processo, ele afirma ainda que os contratos continham cláusulas consideradas desproporcionais e desfavoráveis ao jogador.

Entre os pontos citados está uma multa rescisória de R$ 13 milhões, prevista caso outra equipe tentasse contratá-lo. O atleta argumenta que a penalidade recaía apenas sobre ele, sem obrigações equivalentes para o clube, o que caracteriza, em sua avaliação, desequilíbrio contratual.

Seguro não contratado e gastos médicos

Outro ponto levantado diz respeito a um seguro por lesão grave, previsto em contrato. O valor estipulado seria de R$ 100 mil, ou uma compensação mensal em caso de invalidez permanente. De acordo com o jogador, o seguro nunca foi efetivado pelo Santos.

Além disso, o ex-jogador afirma ter arcado com despesas médicas, exames, fisioterapia e acompanhamento físico ao longo dos anos. Ele também sustenta que teve de contratar profissionais por conta própria para tentar se recuperar das cirurgias.

Tairon relata ainda que por conta das cicatrizes no joelho foi reprovado em avaliações de outros clubes . O clube também teria passado informações negativas sobre o jogador. Ele afirma ainda que a condição física limitou sua reinserção no mercado.

A ação reúne pedidos por danos morais e materiais, lucros cessantes, descumprimento contratual, ausência de seguro, gastos médicos e cláusulas consideradas abusivas. A soma ultrapassa R$ 30 milhões.

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