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Ex-jogador da base do Santos cobra mais de R$ 100 milhões do clube na justiça

Ação movida por Tairon Trajano ganha novo valor após determinação da Justiça para detalhamento financeiro dos pedidos

Douglas Nunes
Formado em Jornalismo e com especialização em jornalismo esportivo, Douglas é jornalista há mais de 10 anos. Trabalhou com assessoria na Escola Zico e no Audax-RJ, além de ter sido repórter do Grupo O Dia. Está no mercado de iGaming desde 2016.
Ex-jogador da base do Santos cobra mais de R$ 100 milhões do clube na justiça

Presidente do Santos, Marcelo Teixeira, discursa em apresentação de Neymar. (Foto: Ricardo Moreira/Getty Images)

Uma disputa judicial envolvendo um ex-atleta das categorias de base do Santos Futebol Clube ganhou novos contornos após a atualização do valor da causa. O processo, que inicialmente ultrapassava R$ 30 milhões, passou a somar mais de R$ 104 milhões após determinação da Justiça para que todos os pedidos fossem detalhados financeiramente.

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O autor da ação, Tairon Trajano, afirma que teve a carreira interrompida por sucessivas lesões sofridas enquanto atuava pelo clube. Segundo ele, falhas no acompanhamento e cláusulas contratuais consideradas abusivas resultaram em prejuízos permanentes, tanto profissionais quanto pessoais.

Justiça determina atualização e amplia valor da causa

A mudança no valor ocorreu depois que o juiz Fabrício Stendard, da 3ª Vara Cível de Santo Amaro, em São Paulo, exigiu que a defesa atribuísse valores específicos a todos os pedidos apresentados na ação. Até então, parte das solicitações não possuía estimativa econômica definida.

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Na decisão, o magistrado estabeleceu prazo para que o autor corrigisse a petição inicial e ajustasse o valor total do processo. Com a inclusão de indenizações detalhadas e cálculos atualizados, a cobrança chegou a R$ 104.486.542,64.

Mesmo com a cifra elevada, o ex-jogador classificou o montante como simbólico, alegando que representa a dimensão dos prejuízos acumulados ao longo dos anos.

Indenizações incluem lucros cessantes e danos diversos

Grande parte do valor reivindicado está relacionada aos chamados lucros cessantes. Tairon pede R$ 26,4 milhões por entender que perdeu a oportunidade de se tornar atleta profissional após as lesões. Ele sustenta que o clube teria responsabilidade pelo encerramento precoce de sua trajetória no futebol.

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Além disso, o processo inclui R$ 5 milhões por danos materiais e outros R$ 2 milhões por perdas e danos, ligados a negociações que não teriam avançado com outras equipes. O ex-atleta também cobra valores relacionados a gastos com preparação física, estimados em R$ 4,1 milhões.

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A ação ainda menciona indenizações vinculadas ao seguro previsto pela Lei Pelé, calculadas em R$ 10,5 milhões, além de R$ 15,9 milhões pelo que define como rompimento definitivo da carreira esportiva. Multas contratuais e outros pedidos completam a composição do valor final apresentado à Justiça.

Pedido de segredo de Justiça após ameaças

Após a divulgação do caso pela imprensa, a defesa do ex-jogador informou ao Judiciário que ele passou a receber ameaças e críticas nas redes sociais. Segundo os advogados, torcedores tiveram acesso aos dados pessoais do autor por meio do processo público.

Diante da situação, a equipe jurídica solicitou que a ação passe a tramitar sob segredo de Justiça. Os representantes afirmam que mensagens intimidatórias continuam ocorrendo, ainda que de forma indireta.

Até o momento, o Santos não comentou oficialmente o caso.

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Trajetória no clube e origem da disputa

De acordo com o processo, Tairon Trajano ingressou nas categorias de base do clube em 2018, aos 13 anos. Naquele período, ele disputou a Copa Ouro e terminou a competição como artilheiro, o que aumentou a expectativa sobre sua evolução no futebol.

Ainda naquele ano, porém, sofreu uma grave lesão no joelho durante treinamentos e precisou passar por cirurgia. Após se recuperar, assinou contrato como atleta do clube, mas voltou a se machucar poucos meses depois, exigindo novo procedimento cirúrgico.

O ex-jogador afirma que enfrentou outra cirurgia ao completar 16 anos, novamente no mesmo joelho. Segundo ele, as lesões deixaram sequelas permanentes que dificultaram a continuidade da carreira.

Alegações sobre contrato e tratamento médico

Na ação, o autor afirma que recebia cerca de R$ 4 mil mensais ainda na base, valor descrito como bolsa atleta e auxílio moradia após a formalização contratual. Ele sustenta que o acordo continha cláusulas consideradas desproporcionais, com penalidades direcionadas apenas ao jogador.

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O processo também relata despesas médicas contínuas com fisioterapia, exames e acompanhamento físico ao longo dos anos. Tairon afirma que tentou oportunidades em outros clubes, mas teria sido recusado devido às cicatrizes das cirurgias e a informações negativas que, segundo ele, foram repassadas durante avaliações.

Better Collective