Iván Román pelo Atlético-MG. Foto: Gilson Lobo/AGIF
O presidente do Palestino, Jorge Uauy, fez duras declarações contra o Atlético-MG nesta segunda-feira. Em entrevista ao jornal chileno La Tercera, o dirigente classificou como “absurda” a postura do clube brasileiro e afirmou que o Galo está em débito com a equipe de Santiago. As críticas surgiram após a divulgação de que o Atlético negocia a contratação do meia Lucas Assadi, da Universidad de Chile.
Segundo Uauy, a possível investida por um jogador avaliado em cerca de cinco milhões de dólares contrasta com a pendência financeira deixada pela transferência do zagueiro Iván Román, realizada no ano passado. O dirigente afirmou que o clube mineiro ainda não quitou parcelas do acordo e sequer apresentou explicações formais pelos atrasos.
Dívida referente à transferência de Iván Román
De acordo com o presidente do Palestino, o valor em aberto chega a 1,5 milhão de dólares. Ele detalhou que a primeira parcela, no montante de 500 mil dólares, deveria ter sido paga em 30 de setembro de 2025. No entanto, segundo sua versão, o Atlético não efetuou o pagamento nem entrou em contato para justificar o descumprimento do prazo.
“Eu fiquei sabendo pela imprensa que a Universidad de Chile está vendendo o Assadi ao Atlético por uma cifra próxima dos cinco milhões de dólares. Só que esse clube tem uma dívida vencida conosco de 1,5 milhão. Para mim, isso é um absurdo”, afirmou Uauy, em tom de indignação.
O dirigente também destacou que novas parcelas estão prestes a vencer. A segunda está prevista para o fim de janeiro, enquanto a terceira tem data marcada para abril. Para ele, o histórico recente não inspira confiança em uma solução rápida.
Ação na Fifa e possibilidade de punição
Diante do cenário, o Palestino decidiu levar o caso à Fifa. Uauy confirmou que o clube já iniciou um processo para cobrar o valor integral da negociação. A estratégia, segundo ele, segue o entendimento de que o atraso em uma parcela pode acelerar a exigência do montante total previsto em contrato.
“Quando uma prestação fica em aberto, o procedimento costuma ser cobrar tudo de uma vez. Foi isso que fizemos”, declarou. O dirigente acrescentou que espera uma posição firme da entidade máxima do futebol para garantir o cumprimento do acordo.
Além da cobrança, Uauy mencionou a possibilidade de o Atlético sofrer um “transfer ban”, punição que impede o registro de novos jogadores. Ele citou o caso da LDU como exemplo recente de sanção aplicada em situação semelhante.
Comparação com caso anterior no futebol sul-americano
O presidente do Palestino lembrou que a LDU enfrentou restrições da Fifa após atrasar o pagamento da última parcela pela contratação de Fernando Cornejo. Na ocasião, o clube equatoriano ficou impedido de registrar reforços durante um período, até regularizar a situação financeira.
“Foi exatamente isso que aconteceu com eles. A Fifa proibiu o clube de contratar jogadores naquela temporada”, afirmou Uauy, ao reforçar que espera medida semelhante caso o Atlético não resolva a pendência.
A comparação busca pressionar a entidade e o clube brasileiro, sobretudo em um momento em que o Galo se movimenta no mercado e tenta reforçar o elenco para a sequência da temporada.
Negociação por Assadi amplia o desconforto
O interesse do Atlético em Lucas Assadi, um dos principais nomes da Universidad de Chile, serviu como estopim para a manifestação pública. Para o dirigente chileno, não faz sentido que um clube discuta uma contratação de alto valor enquanto mantém compromissos anteriores em atraso.
Nos bastidores, a situação é vista como um sinal de desgaste nas relações entre as partes. O caso também pode gerar repercussão no mercado, uma vez que eventuais sanções da Fifa impactariam diretamente o planejamento esportivo do clube mineiro. O Alvinegro também acertou a contratação de Preciado.

