CBF reduzirá número de rebaixados no Brasileirão e já comunicou aos clubes
Entidade cria grupo de trabalho e amplia debate sobre acessos e rebaixamentos
Camisa do Brasil. Foto Alamy
A CBF decidiu avançar em uma discussão que, há anos, circula nos bastidores do futebol brasileiro. Em reunião realizada nesta quinta-feira, a entidade informou clubes da Série B que vai estudar oficialmente a redução do número de rebaixados e acessos no Brasileirão. A proposta ainda não tem formato definido, mas já ganhou status de prioridade institucional.
A iniciativa marca um novo passo após debates recentes sobre fair play financeiro e arbitragem. Atualmente, a confederação pretende estruturar o tema por meio de um grupo de trabalho, com participação de dirigentes e técnicos. Com isso, avaliar impactos esportivos, financeiros e organizacionais do campeonato.
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Debate ganha status oficial na CBF
O assunto voltou à mesa com força após manifestações de presidentes de clubes da Série A nos últimos anos. Em março do ano passado, o tema já havia sido citado em encontro entre dirigentes, quando Ednaldo Rodrigues ainda presidia a entidade.
Com a eleição de Samir Xaud, em maio, a CBF sinalizou mudança de postura. Dirigentes da confederação deixaram claro que o debate não ficará restrito a conversas informais. No entanto, a ideia é tratar o tema de forma estruturada e permanente, com estudos técnicos e cenários comparativos.
Possível redução mexe na estrutura atual
Uma das correntes internas defende reduzir de quatro para três o número de clubes rebaixados na Série A. Caso a proposta avance, o ajuste provocaria efeito direto na Série B, que também passaria a ter três acessos à elite.
Ainda não há definição sobre datas para novas reuniões nem previsão de quando uma eventual mudança poderia entrar em vigor. A CBF reconhece que qualquer alteração exige consenso amplo e adaptação do calendário nacional.
O modelo atual está em vigor desde 2004, quando o Brasileirão passou a rebaixar quatro equipes. Os pontos corridos começaram em 2003, com apenas dois clubes caindo. Desde 2006, a Série A conta com 20 participantes, formato mantido até hoje.
Série B acompanha debate com atenção
Ao comunicar os clubes da Série B, a CBF deixou claro que a discussão não se limita à elite. Mudanças no número de acessos impactam diretamente planejamento esportivo, investimentos e metas financeiras das equipes.
Dirigentes veem a possibilidade com cautela. Alguns avaliam que a redução pode aumentar a estabilidade dos projetos. Outros temem a diminuição de oportunidades de acesso, sobretudo para clubes emergentes.
Gramado sintético também entra na pauta
Além do formato do campeonato, a CBF indicou que pretende discutir o uso de gramado sintético. O tema voltou ao debate após críticas públicas de atletas e treinadores, que apontam riscos físicos e diferenças competitivas.
A entidade reconhece a polêmica e pretende avaliar critérios mais claros para a liberação desse tipo de piso. A discussão envolve segurança, padronização e impacto no rendimento esportivo.
Limite de estrangeiros
Outro ponto sensível é o número de estrangeiros permitidos por partida. Atualmente, os clubes podem relacionar até nove atletas não brasileiros. Há movimentos para reduzir esse limite.
Os defensores da mudança argumentam que o alto número prejudica a formação de jovens atletas nacionais. Já os clubes destacam a necessidade de manter competitividade e liberdade de mercado. Sendo assim, a CBF confirmou que o tema será analisado junto às demais pautas.

