Colina explica que FIFA busca acelerar o futebol e reduzir perda de tempo
Chefe da arbitragem da entidade afirma que mudanças buscam educar jogadores e tornar o jogo mais dinâmico
Pierluigi Colina comenta novas regras do futebol. Foto: Thiago Bernardes/Pacific Press/Alamy Live News.
A FIFA apresentou um pacote de alterações nas regras do futebol com foco em reduzir a perda de tempo e aumentar o ritmo das partidas. O responsável por explicar as mudanças foi Pierluigi Collina, chefe da arbitragem da entidade e ex-árbitro internacional, que destacou que o objetivo principal não é punir atletas, mas modificar comportamentos dentro de campo.
Segundo o dirigente italiano, as novas medidas procuram tornar o jogo mais fluido sem alterar a essência da modalidade. Em entrevista à imprensa italiana, Collina reforçou que as decisões surgem após testes práticos em diferentes competições e análises conduzidas pelo International Football Association Board (IFAB).
“O objetivo não é punir, mas convencer os jogadores a não perder tempo”, afirmou.
Contagem regressiva contra atrasos no reinício das jogadas
Uma das principais novidades envolve a criação de uma contagem regressiva de cinco segundos para cobranças de laterais e tiros de meta. O árbitro iniciará a contagem quando identificar intenção clara de retardar o reinício da partida.
Collina explicou que a regra difere do limite aplicado aos goleiros, que possuem orientação de oito segundos para reposição da bola. Sendo assim, fatores como posicionamento dos companheiros e disponibilidade da bola impedem a fixação de um tempo rígido.
A proposta busca reduzir interrupções frequentes que quebram o ritmo do jogo. Para a FIFA, pequenas demoras acumuladas ao longo da partida impactam diretamente o tempo efetivo de bola rolando.
Substituições e “lesões táticas” entram no foco das mudanças
As substituições também passam a receber atenção especial. Além da obrigação já existente de o jogador sair pelo ponto mais próximo do campo, testes mostraram que limites de tempo funcionam melhor do que advertências disciplinares para evitar atrasos.
Experimentos realizados na MLS indicaram queda significativa nas substituições demoradas após a implementação da medida. A avaliação interna apontou melhora na continuidade das partidas.
Outro alvo das alterações são as chamadas “lesões táticas”. Jogadores atendidos pela equipe médica deverão permanecer fora do campo por um minuto antes de retornar. De acordo com Collina, a regra oferece dois efeitos simultâneos: permite recuperação adequada e desencoraja simulações.
Testes realizados durante a Taça Árabe de 2025 mostraram redução expressiva nas interrupções médicas consideradas desnecessárias.
VAR pode ganhar novas funções nas decisões de expulsão
O uso do árbitro de vídeo também deve passar por mudanças relevantes. A FIFA discute permitir a revisão de segundos cartões amarelos que resultem em expulsão, algo atualmente fora do protocolo padrão.
Collina reconheceu que decisões equivocadas nesse tipo de lance podem alterar completamente o rumo de uma partida. De acordo com o ex-árbitro, a evolução tecnológica justifica ampliar o alcance do sistema.
“Uma expulsão injusta pode influenciar diretamente o resultado do jogo. É uma pena não corrigir um erro claro”, comentou.
Além disso, a entidade avalia permitir revisões em escanteios marcados de forma equivocada. A ideia é corrigir rapidamente a decisão original, evitando que um erro gere consequências maiores, como um gol irregular após cobrança.
Futuro do VAR e novas discussões sobre comportamento em campo
O IFAB prepara uma avaliação ampla do VAR após quase uma década de utilização. Entre as possibilidades analisadas está o modelo de revisão “a pedido”, semelhante ao utilizado em competições com menor estrutura tecnológica por meio do sistema Football Video Support.
Collina também abordou questões comportamentais. A arbitragem estuda medidas para impedir que jogadores cubram a boca durante discussões em campo, prática vista como tentativa de esconder ofensas ou pressões indevidas.
“Se alguém esconde o que diz, existe um motivo, e normalmente não é positivo”, afirmou.
O dirigente ainda classificou como inaceitável abandonar o campo em protesto contra decisões arbitrais. Ao mesmo tempo, garantiu que atletas vítimas de racismo continuarão protegidos por protocolos específicos, sem sofrer punições disciplinares.
Testes seguem em andamento e novas ideias entram em avaliação
Entre as experiências futuras está uma nova interpretação da regra de impedimento, conhecida como “day-light”. O modelo analisa o espaço visível entre atacante e defensor para determinar a posição legal, buscando favorecer o jogo ofensivo.
O principal campeonato do Canadá servirá como laboratório para os testes iniciais. Isso porque a FIFA pretende analisar dados antes de decidir sobre eventual implementação global.

