Fifa corta árbitro da Somália da Copa do Mundo após veto dos EUA e gera polêmica internacional
Omar Artan, que seria o primeiro somali a atuar em um Mundial, teve a entrada barrada nos Estados Unidos e foi retirado da equipe de arbitragem do torneio
Árbitro é considerado um dos melhores da África (Crédito: Ulrik Pedersen/Cal Sport Media via AP Images/Alamy Live News)
A participação do primeiro árbitro somali na história da Copa do Mundo terminou antes mesmo de começar. A Fifa confirmou a retirada de Omar Artan do quadro de arbitragem do Mundial de 2026 após o profissional ter sua entrada negada nos Estados Unidos.
O caso ganhou repercussão internacional porque o árbitro possuía visto válido e já estava escalado para trabalhar na competição organizada por Estados Unidos, Canadá e México.
Além disso, Artan faria história ao se tornar o primeiro árbitro da Somália a atuar em uma Copa do Mundo.
Leia mais: Bruxa solta! Argentina e Uruguai podem ter que cortar astros lesionados
Fifa confirma exclusão de Omar Artan
Em nota oficial, a entidade máxima do futebol informou que o árbitro não poderá participar do torneio:
– A Fifa pode confirmar que o oficial de arbitragem Omar Abdulkadir Artan não poderá treinar nem atuar na Copa do Mundo 2026 após ter sua entrada nos Estados Unidos negada. A Fifa não se envolve nos processos de imigração dos países sedes, incluindo concessões de vistos, e foi informada pelas autoridades que a situação do Sr. Artan não será alterada neste momento.
Dessa forma, a entidade optou por retirar o profissional da lista de árbitros selecionados para a competição.
Autoridades barraram o árbitro ao chegar aos Estados Unidos
Segundo informações divulgadas por autoridades somalis, Omar Artan desembarcou nos Estados Unidos, mas as autoridades de imigração impediram sua entrada no país. Após a negativa, o árbitro seguiu viagem para a Turquia.
Até o momento, as autoridades dos Estados Unidos não explicaram publicamente os motivos da decisão.
De acordo com Ciise Aden Abshir, assessor do Ministério da Juventude e Esportes da Somália, Artan possuía documentação regular para ingressar no país. A ausência de justificativas oficiais aumentou ainda mais a repercussão do episódio.
Governo da Somália critica decisão
A exclusão do árbitro gerou forte reação entre representantes do futebol somali. Para Ciise Aden Abshir, a decisão ultrapassa o impacto individual sobre o profissional.
-Ele é um dos árbitros mais respeitados da África e negar sua entrada nos Estados Unidos e impedi-lo de trabalhar prejudica não apenas a ele pessoalmente, mas também mina o compromisso do futebol com a equidade, o mérito e o espírito de fair play – disparou.
O dirigente também pediu apoio da comunidade internacional do futebol ao árbitro durante este período.
Omar Artan viveu ascensão no futebol africano
Aos 34 anos, Omar Artan atravessa o momento mais importante da carreira. Integrante do quadro da Fifa desde 2018, o árbitro atua regularmente no campeonato nacional da Somália e ganhou reconhecimento em competições continentais.
Em 2025, a Confederação Africana de Futebol(CAF) elegeu Omar Artan como Árbitro do Ano, consolidando seu nome entre os principais profissionais do continente. Por isso, muitos trataram sua convocação para a Copa do Mundo como um marco para o futebol somali.
Caso acontece em meio a restrições migratórias
O episódio ocorre em um contexto de endurecimento das políticas migratórias dos Estados Unidos em relação à Somália. O país africano está entre as nações afetadas por restrições de viagem impostas pelo governo de Donald Trump.
Nos últimos meses, a administração do bilionário ampliou medidas relacionadas à entrada de cidadãos somalis em território do país norte-americano.
Embora não exista confirmação oficial de que esse fator tenha motivado a decisão envolvendo Omar Artan, o caso ocorre em meio a esse cenário diplomático.
Enquanto isso, a entidade segue sem indicar quem ocupará a vaga deixada pelo profissional na equipe de arbitragem da Copa do Mundo de 2026.

