Danilo pela seleção brasileira. Foto Alamy.
A poucos dias da partida contra o Haiti pela segunda rodada da Copa do Mundo, Danilo concedeu uma das entrevistas mais sinceras desde a chegada de Carlo Ancelotti à Seleção Brasileira. O lateral falou sobre o momento da equipe após o empate com Marrocos, analisou os desafios do trabalho do treinador italiano e saiu em defesa de Endrick, que ainda não estreou no torneio.
As declarações acontecem em meio à pressão por uma resposta da Seleção após uma atuação abaixo das expectativas na estreia.
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Danilo vê Endrick como peça importante
A ausência de Endrick contra Marrocos gerou debates entre torcedores e analistas. Considerado uma das maiores promessas do futebol brasileiro, o atacante permaneceu no banco durante os 90 minutos e viu crescer a discussão sobre seu espaço dentro da equipe de Ancelotti.
Danilo, porém, tratou de afastar qualquer dúvida sobre a importância do jovem atacante.
“Endrick é uma joia rara do futebol brasileiro. É um jogador de potência, de poder de decisão, estrela. Queremos tê-lo perto. Hoje no treino ele fez gol. Ontem ele deu um chute no Nannetti e quase tirou o moleque do treino. É tudo que queremos ter. Queremos que ele tenha o maior protagonismo. Para mim, Casemiro, Neymar… é a nossa última chance, a Seleção vai continuar com essa galera. O que pudermos fazer para que eles se sintam importantes, nós faremos. No último jogo ele não entrou por decisão do Mister, mas é um jogador que vai ser importante.”
Em seguida, Danilo deixou uma mensagem direta ao atacante e reforçou que o momento exige tranquilidade.
“Eu digo para ele manter a cabeça fresca. Ele será muito importante para a gente.”
Brasil ainda busca identidade sob comando de Carlo Ancelotti
Danilo também aproveitou a entrevista para refletir sobre o momento vivido pela Seleção nos últimos anos.
De acordo com o lateral, as constantes mudanças de comando técnico dificultaram a criação de uma identidade sólida dentro da equipe nacional. Na avaliação do jogador, essa falta de continuidade ajuda a explicar alguns dos problemas observados durante o empate com Marrocos.
“Temos que ter certeza de que aquele primeiro tempo foi totalmente aquém das nossas capacidades. A não criação de uma identidade e as trocas constantes de treinadores têm influência na ansiedade. Quando se tem algo coeso, você se agarra naquilo quando tudo fica difícil. Isso é uma coisa que não conseguimos construir.”
Danilo admite diferença para Argentina e França
Um dos momentos mais marcantes da coletiva aconteceu quando Danilo comparou o estágio atual do Brasil ao de outras seleções que aparecem entre as favoritas ao título.
Sem esconder a realidade, o lateral afirmou que Argentina e França possuem atualmente um nível de maturidade coletiva superior ao da equipe brasileira.
“Depois do jogo contra a França, falei a todos que não tínhamos a mesma maturidade deles, nem da Argentina. Isso não quer dizer que não podemos chegar longe. Talvez tenhamos que usar outros mecanismos. Talvez não pressionar tão alto, abrir mão da posse de bola e deixar o comando do jogo com o adversário. Isso também é maturidade. Temos Raphinha, Vini, Endrick e Rayan. Na hora da brecha, temos gente para fazer gol.”
Experiência ajuda a controlar ansiedade após estreia frustrante
Outro ponto abordado pelo jogador foi o impacto emocional causado pela atuação diante de Marrocos. Segundo Danilo, a expectativa dentro do grupo era realizar uma estreia dominante, controlando o adversário durante toda a partida. Quando isso não aconteceu, a equipe precisou encontrar equilíbrio para evitar que a ansiedade prejudicasse ainda mais o desempenho.
“Existia muita expectativa interna em fazer um jogo grande, de domínio, de pressão a todo tempo. Quando acontece o contrário, com o adversário tendo várias ocasiões, não é fácil de gerir. A primeira coisa foi trazer essa calma no vestiário. Muitas vezes correr menos não quer dizer que não há entrega, mas que há mais calma.”
Na visão do lateral, a reação apresentada no segundo tempo mostrou que o grupo conseguiu ajustar parte dos problemas observados antes do intervalo.
Organização da CBF recebe elogios do lateral
Conhecido por já ter feito críticas à estrutura do futebol brasileiro em outras ocasiões, Danilo surpreendeu ao elogiar o trabalho desenvolvido pela atual gestão da CBF.
O jogador afirmou que percebe uma organização maior nos bastidores da Seleção e acredita que isso pode gerar benefícios importantes não apenas nesta Copa do Mundo, mas também nos próximos ciclos.
“Sempre fui um grande crítico da desorganização. Já tive alguns debates com o Rodrigo Caetano. Tenho que reconhecer que o trabalho do pessoal que assumiu a CBF trouxe uma tranquilidade maior com coisas que o atleta não tem que lidar. Hoje existe planejamento e organização que é das melhores que já tive aqui dentro.”
Para o lateral, a continuidade desse processo será fundamental para fortalecer a identidade da Seleção Brasileira nos próximos anos.

