Luiz Eduardo Baptista é o presidente do Flamengo (Crédito: Paula Reis/Flamengo)
O Flamengo decidiu assumir um papel ativo no debate sobre o futuro do futebol brasileiro. Em um documento de 65 páginas enviado à CBF, o clube apresentou 66 propostas que abrangem praticamente todos os setores da indústria esportiva nacional.
O objetivo declarado é ambicioso. De acordo com os cálculos apresentados pelo Rubro-Negro, as medidas poderiam elevar a participação econômica do futebol brasileiro de 0,72% para 1,21% do Produto Interno Bruto até 2035. Isso representaria um impacto superior a R$ 153 bilhões na economia ao longo da próxima década.
Calendário
O Flamengo considera o calendário brasileiro um dos principais entraves para o crescimento do futebol nacional. Por isso, o clube propõe horários fixos para partidas ao longo da temporada, além da divulgação antecipada das tabelas para reduzir mudanças de última hora.
Além disso, o documento sugere uma pausa anual de 21 dias durante o inverno e a paralisação completa das competições durante as Datas Fifa. De acordo com o clube, essas medidas melhorariam a recuperação física dos atletas e aumentariam a qualidade técnica dos campeonatos.
Rebaixamento e acesso
Uma das propostas mais polêmicas envolve o sistema de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. O Flamengo sugere reduzir gradualmente o número de equipes rebaixadas da Série A.
Inicialmente, o número cairia de quatro para três clubes. Em um segundo momento, seria criado um playoff entre equipes das Séries A e B. No modelo final defendido pelo clube, apenas dois times seriam rebaixados diretamente.
Arbitragem e tempo de jogo
Na arbitragem, o Flamengo defende uma combinação entre tecnologia e profissionalização. Sendo assim, o clube propõe a adoção do impedimento semiautomático, sistemas de confirmação automática de gol e novas ferramentas para auxiliar decisões em campo.
Ao mesmo tempo, o documento pede dedicação exclusiva para árbitros, plano de carreira estruturado e maior transparência nas decisões do VAR. A ideia é reduzir erros, aumentar a confiança dos torcedores e melhorar o tempo efetivo de jogo.
Segurança nos estádios
O Flamengo entende que os estádios precisam ser mais seguros e também mais atrativos para as famílias. Por isso, propõe a criação de setores familiares e mistos em todas as arenas das Séries A e B.
O clube também sugere a ampliação da biometria facial, a criação de um cadastro nacional para torcedores violentos e o fim gradual dos jogos com torcida única. Em contrapartida, defende mais liberdade para festas de arquibancada e manifestações culturais das torcidas.
Infraestrutura
Na área de infraestrutura, a principal proposta é a adoção de gramados híbridos em todas as competições das Séries A e B. Isso porque o Flamengo argumenta que a medida elevaria o nível técnico das partidas e reduziria problemas causados por campos em más condições.
O documento também prevê critérios mínimos para estádios e centros de treinamento, incluindo iluminação moderna, acessibilidade, conectividade e inspeções periódicas para garantir padrões nacionais de qualidade.
Marketing e promoção do Brasileirão
O Flamengo acredita que o Campeonato Brasileiro pode ser promovido de forma mais eficiente. Entre as sugestões está a criação de um evento oficial para lançamento da competição, reunindo atletas, técnicos, patrocinadores e imprensa.
Além disso, o clube propõe campanhas especiais para partidas de maior apelo, fortalecimento de rivalidades históricas e uma estratégia conjunta entre clubes, emissoras e CBF para valorizar a marca do Brasileirão.
Permanência de jovens talentos
A saída precoce de promessas para o exterior também aparece entre as preocupações do documento. O Flamengo sugere mecanismos financeiros que incentivem os clubes a manter seus principais talentos por mais tempo no país.
O texto ainda propõe certificação para clubes formadores, programas educacionais para atletas e iniciativas que aumentem a valorização dos jovens jogadores antes de uma eventual transferência internacional.
Governança e SAFs
No campo da governança, o Flamengo defende regras mais rígidas para aumentar a transparência e reduzir conflitos de interesse. Entre as propostas está a proibição de que um mesmo grupo econômico exerça influência relevante sobre dois clubes da mesma divisão.
O documento também sugere auditorias independentes, maior fiscalização financeira e critérios mais rigorosos para investidores interessados em adquirir SAFs.
Situação financeira dos clubes
Para melhorar a saúde financeira do futebol brasileiro, o Flamengo propõe o fortalecimento do fair play financeiro e mecanismos que incentivem maior responsabilidade fiscal por parte dos clubes.
O documento também sugere compensações para equipes com maiores custos logísticos, regras mais rígidas para recuperação judicial e maior controle sobre investidores que pretendam assumir SAFs.

