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Justiça afasta Pedrinho da SAF do Vasco; saiba impacto nas negociações do clube

Presidente do Vasco perde controle da SAF após decisão judicial que apontou falhas de governança

Douglas Nunes
Formado em Jornalismo e com especialização em jornalismo esportivo, Douglas é jornalista há mais de 10 anos. Trabalhou com assessoria na Escola Zico e no Audax-RJ, além de ter sido repórter do Grupo O Dia. Está no mercado de iGaming desde 2016.
Justiça afasta Pedrinho da SAF do Vasco; saiba impacto nas negociações do clube

Pedrinho, presidente do Vasco (Crédito: Divulgação/Vasco)

O Vasco viveu nesta terça-feira um dos capítulos mais delicados desde a criação da SAF. Em decisão da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, o presidente Pedrinho e outros dois integrantes do Conselho de Administração foram afastados de suas funções no futebol do clube.

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A medida atende a um pedido da 777 Carioca LLC e se baseia em apontamentos feitos pelo Conselho Fiscal da Vasco SAF. Com isso, Pedrinho perde temporariamente o controle da empresa responsável pela gestão do futebol cruz-maltino.

Ao mesmo tempo, a Justiça nomeou a advogada Samantha Longo como interventora pelos próximos 60 dias. A profissional passa a ser a responsável pela administração da SAF enquanto ocorre a reorganização da estrutura de governança.

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A decisão aumenta a instabilidade política do clube justamente em um momento em que o Vasco tenta vender o controle da SAF e busca recursos para reforçar o elenco.

Por que a Justiça afastou Pedrinho da SAF?

A decisão tem origem em questionamentos levantados pelo Conselho Fiscal da Vasco SAF durante a análise das demonstrações financeiras de 2025.

De acordo com o documento citado pela juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca, foram identificadas falhas consideradas graves na governança corporativa da empresa.

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Entre os pontos mencionados aparecem problemas nos controles internos, limitações à fiscalização, falta de transparência e ausência de aprovação formal de atos societários relevantes.

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Na avaliação da magistrada, os elementos apresentados justificavam uma intervenção cautelar para preservar a administração da companhia enquanto as apurações continuam.

Caso Jean David foi citado na decisão

Um dos pontos que chamou atenção foi a inclusão das denúncias feitas pelo atacante chileno Jean David. O jogador, que deixou o Vasco no fim de 2025, afirmou que sofreu pressão para pagar comissões relacionadas à sua transferência para o clube.

Segundo o relato do atleta, pessoas ligadas à negociação teriam exigido pagamentos posteriores à conclusão do negócio.

“Aconteceram algumas coisas e percebi que pessoas dos dois clubes estavam envolvidas”, declarou Jean David em entrevista concedida meses atrás.

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A juíza menciona o caso como um dos elementos que reforçaram a necessidade de aprofundar a fiscalização sobre a gestão da SAF. O Vasco, por sua vez, sempre negou irregularidades e informou que abriu procedimentos internos para apurar as denúncias.

Quem assume o comando da Vasco SAF?

Com o afastamento de Pedrinho, Christiano Stockler Campos e Felipe Elias, a gestão passa para Samantha Longo. A advogada possui experiência na área esportiva e empresarial e já atuou como diretora jurídica da CBF.

Segundo a decisão judicial, ela terá a missão de reorganizar os processos internos da companhia. Além disso, deverá apresentar relatórios periódicos à Justiça a cada quinze dias.

Entre as atribuições estão o fortalecimento dos mecanismos de governança, a ampliação da transparência e a melhoria dos processos de prestação de contas.

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O Vasco ainda pode vender a SAF?

Apesar do impacto político da decisão, a negociação para venda da SAF não foi bloqueada. Nos últimos meses, o Vasco avançou nas conversas com o empresário Marcos Lamacchia, que negocia a aquisição de 90% dos ativos do futebol.

A expectativa interna era formalizar um Memorando de Entendimento ainda nas próximas semanas. Entretanto, a decisão judicial acrescenta uma nova exigência ao processo.

Por que a 777 continua tendo influência?

Mesmo com os direitos políticos e patrimoniais suspensos em decisões anteriores, a 777 Carioca continua sendo formalmente acionista da Vasco SAF.

Por isso, a Justiça destacou que qualquer operação de venda dependerá da concordância da empresa ou de autorização específica dos órgãos competentes. Em um dos trechos mais importantes da decisão, a magistrada deixou clara essa condição.

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“Qualquer alienação depende da anuência da peticionante”, registra o documento.

Na prática, isso significa que o Vasco não possui liberdade total para concluir a venda sem considerar os interesses da antiga controladora.

O que muda para o futuro do clube?

O afastamento de Pedrinho ocorre em um momento extremamente delicado para o Vasco. Dentro de campo, a equipe ocupa a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e convive com limitações financeiras para reforçar o elenco.

Fora dele, a SAF atravessa mais uma disputa jurídica envolvendo governança, controle societário e futuro administrativo. A chegada de uma interventora judicial cria um cenário inédito na história recente do clube e aumenta a incerteza sobre os próximos passos da gestão.

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Por outro lado, a decisão não encerra as negociações para entrada de um novo investidor. Pelo contrário. A própria Justiça reconheceu que a interventora poderá auxiliar uma eventual venda da SAF durante seu período de atuação.

Assim, os próximos meses serão decisivos não apenas para o futuro do futebol vascaíno, mas também para definir quem comandará o projeto de reconstrução do clube nos próximos anos. O que parecia apenas uma negociação societária se transformou em uma disputa que pode redefinir os rumos do Vasco dentro e fora de campo.

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