Vasco demite Renato Gaúcho após desgaste com elenco
Treinador deixa o comando cruz-maltino após apenas 22 partidas; declarações públicas e relação com jogadores pesaram na decisão da diretoria
Renato Portaluppi se revoltou com a Conmebol (Foto: AP Photo/Bruna Prado/Alamy)
O Vasco anunciou na noite desta quinta-feira (18) a saída de Renato Gaúcho do comando técnico da equipe. A decisão foi tomada em comum acordo entre as partes e encerra a terceira passagem do treinador por São Januário após pouco mais de quatro meses de trabalho.
Em comunicado oficial, o clube agradeceu pelos serviços prestados e desejou sucesso ao treinador na sequência da carreira.
“O Vasco da Gama informa que Renato Gaúcho não é mais o treinador da equipe profissional. A decisão foi tomada em comum acordo entre as partes. O Vasco agradece ao técnico e sua comissão pelos serviços prestados durante sua terceira passagem pelo clube e deseja sucesso na continuidade de suas carreiras”, informou o clube.
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Começo empolgante
Contratado no início de março para substituir Fernando Diniz, Renato comandou o Vasco em 22 partidas. Nesse período, a equipe conquistou nove vitórias, seis empates e sofreu sete derrotas. Sob seu comando, o time marcou 33 gols e sofreu 31.
Embora o início tenha sido promissor, com vitória sobre o Palmeiras em São Januário e uma sequência positiva de resultados, o desempenho caiu gradualmente. Ao mesmo tempo, problemas internos começaram a ganhar força nos bastidores do clube.
Declarações públicas ampliaram desgaste com o elenco
Nos últimos meses, parte dos jogadores passou a demonstrar incômodo com a maneira como Renato Gaúcho expunha questões internas em entrevistas coletivas. O episódio que gerou maior repercussão envolveu comentários do treinador sobre a adaptação de atletas colombianos ao futebol brasileiro.
A declaração não agradou aos jogadores estrangeiros do elenco, especialmente Marino Hinestroza, Andrés Gómez, Cuesta e Rojas. Além disso, a repercussão negativa ultrapassou os limites do clube e chegou à imprensa internacional.
Posteriormente, outras entrevistas também aumentaram o desgaste. Renato passou a citar frequentemente a falta de opções no banco de reservas, a necessidade de reforços e as dificuldades herdadas do início ruim do Vasco no Campeonato Brasileiro.
Internamente, muitos atletas entenderam que essas declarações transferiam parte da responsabilidade pelos resultados para o elenco. Algo que piorou o ambiente no clube.
Relação com jogadores enfraqueceu ao longo da temporada
Além das entrevistas, a diretoria identificou um desgaste crescente na relação entre o treinador e parte do grupo. Pessoas ligadas ao dia a dia do CT Moacyr Barbosa passaram a avaliar que Renato havia perdido apoio de uma parcela importante dos jogadores.
Embora ainda mantivesse boa relação com atletas como Thiago Mendes e Hugo Moura, a percepção interna era de que a conexão entre treinador e elenco já não era a mesma dos primeiros meses de trabalho.
Outro fator que contribuiu para esse cenário foi a comparação constante com Fernando Diniz. Enquanto o ex-técnico era elogiado por proteger o elenco publicamente e assumir responsabilidades em momentos de crise, Renato passou a ser visto como alguém que expunha problemas internos com frequência.
Essa diferença de postura aumentou o desconforto em momentos de pressão e ajudou a ampliar o desgaste nos bastidores.
Métodos de treinamento também geraram questionamentos
A forma de conduzir os treinamentos também se transformou em tema de debate dentro do clube. Jogadores e integrantes da diretoria perceberam uma mudança significativa na rotina de trabalho após a saída de Fernando Diniz.
Enquanto o antigo treinador realizava atividades detalhadas, com foco intenso em posicionamento, movimentações e aspectos técnicos específicos, Renato apostava em uma metodologia considerada mais simples.
O treinador priorizava conversas individuais e trabalhos coletivos com bola, reduzindo o nível de detalhamento tático dos treinamentos. Embora o modelo tenha agradado inicialmente por aliviar o ambiente após o desgaste da reta final da passagem de Diniz, os resultados negativos acabaram aumentando as críticas.
Derrota para o Bragantino marcou ponto de ruptura
Um dos momentos mais delicados da passagem de Renato aconteceu após a derrota por 3 a 0 para o Bragantino, em São Januário.
Durante a partida, o treinador respondeu às vaias da torcida com gestos em direção às arquibancadas. Depois do apito final, voltou a interagir com torcedores que o criticavam enquanto caminhava para o vestiário.
Nos bastidores, o clima ficou ainda mais tenso. De acordo com relatos internos, Renato chegou a colocar o cargo à disposição. Diante da situação, a diretoria optou por não levá-lo para a entrevista coletiva, escalando apenas o diretor Admar Lopes e o capitão Thiago Mendes para atender a imprensa.
A partir daquele momento, a permanência do treinador passou a ser tratada como cada vez mais improvável.
Vasco inicia busca por novo treinador
Mesmo antes da oficialização da saída, a diretoria já discutia alternativas para o comando técnico. O entendimento interno era de que o trabalho dificilmente resistiria à paralisação do calendário provocada pela Copa do Mundo.
Agora, o Vasco terá cerca de quatro semanas para definir um substituto. A reapresentação do elenco está marcada para a próxima segunda-feira no CT Moacyr Barbosa.
O próximo compromisso oficial será no dia 22 de julho, contra o Independiente Medellín, pela ida dos playoffs da Copa Sul-Americana. Poucos dias depois, o time voltará a campo pelo Campeonato Brasileiro para enfrentar o Mirassol.
Atualmente, o Vasco ocupa a 17ª colocação da Série A e está dentro da zona de rebaixamento, cenário que aumenta a pressão sobre a diretoria para encontrar rapidamente um novo comandante.

