Corinthians é um dos times que entra em campo pela Copa do Brasil (Foto: Joisel Amaral/AGIF)
O Ministério Público de São Paulo abriu uma nova frente de apuração envolvendo o Corinthians. Nesta quinta-feira, a Promotoria enviou um ofício ao clube solicitando informações detalhadas sobre o contrato firmado com a Incentiva Serviços Combinados, Tecnologia e Marketing para Empresas Ltda., empresa responsável pelo programa Fiel da Sorte.
O clube encaminhou o pedido poucas horas depois da divulgação de uma reportagem que revelou pagamentos superiores a R$ 6,9 milhões à empresa. Segundo a publicação, o Corinthians continuou repassando recursos mesmo sem promover o programa oficialmente havia cerca de dois anos.
Ministério Público estabelece prazo de dez dias
O ofício foi assinado pelo promotor Cássio Conserino. No documento, ele determina que o Corinthians apresente uma explicação detalhada sobre o contrato e os pagamentos realizados.
O prazo para resposta é de dez dias. Caso o clube deixe de atender à solicitação, poderá responder por desobediência.
Segundo o promotor, a investigação também possui ligação com outros procedimentos já conduzidos pelo Ministério Público envolvendo o Corinthians. Entre eles está a apuração sobre retiradas de dinheiro em espécie sem a apresentação de comprovantes.
Pagamentos continuaram após o programa
O Corinthians lançou o Fiel da Sorte em junho de 2023 como um benefício para os associados do Fiel Torcedor. Na época, o clube prometeu sorteios frequentes de prêmios e experiências exclusivas. Os torcedores também passaram a ter acesso às chamadas “rabiscadinhas”, uma espécie de raspadinha digital disponível na plataforma oficial.
Nos primeiros meses, o Corinthians divulgou amplamente o programa nas redes sociais e na Neo Química Arena. A partir de abril de 2024, porém, o clube interrompeu as campanhas de divulgação.
Apesar disso, o Corinthians continuou a realizar os pagamentos à Incentiva. Documentos obtidos pela reportagem mostram que o clube quitou 34 parcelas ao longo do contrato. Além disso, o valor mensal aumentou com o passar do tempo, saltando de pouco mais de R$ 124 mil para cerca de R$ 343 mil em abril deste ano.
Corinthians rescindiu contrato e cobra indenização
No mês passado, a diretoria decidiu encerrar unilateralmente o vínculo com a Incentiva. Isso porque o Corinthians alegou descumprimento de obrigações contratuais por parte da empresa. Além disso, informou que pretende cobrar uma indenização de R$ 3 milhões pelo encerramento antecipado do acordo, que teria validade até 2028.
Outro ponto que chamou atenção é que a última autorização concedida pelo Governo Federal para a realização dos sorteios venceu em setembro de 2024. Ainda assim, um relatório recebido pelo Corinthians aponta que o programa permaneceu ativo até dezembro de 2025.
Empresa nega irregularidades e contesta rescisão
A Incentiva afirma que nunca foi oficialmente comunicada sobre a rescisão do contrato.
Segundo a empresa, as atividades do programa continuaram até o fim de maio de 2026. A defesa também atribui ao Corinthians a falta de renovação das autorizações necessárias para novos sorteios. Além disso, a empresa sustenta que a divulgação do Fiel da Sorte era responsabilidade do próprio clube.
Clube amplia apuração interna
Enquanto responde ao Ministério Público, o Corinthians também conduz uma investigação interna sobre o caso.
A diretoria avalia solicitar uma perícia judicial para calcular o eventual prejuízo causado pelo contrato. Paralelamente, tenta confirmar se todos os prêmios prometidos aos torcedores realmente foram entregues.
Após a rescisão, o clube retirou todas as referências ao Fiel da Sorte de seus canais oficiais e do aplicativo Universo SCCP. As duas últimas notas fiscais emitidas pela Incentiva também permaneceram sem pagamento, ampliando o impasse entre as partes.

