Gianni Infantino, presidente da Fifa (Crédito: Fabrizio Corradetti/LaPresse/Alamy Live News)
A proposta da Fifa de criar uma empresa para administrar seus ativos comerciais e vender parte das ações a investidores privados ganhou mais um importante opositor. Depois da Uefa, agora foi a vez da Concacaf, confederação que reúne as federações das Américas do Norte, Central e Caribe, anunciar oficialmente que rejeita o projeto apresentado pelo presidente Gianni Infantino.
A decisão foi tomada nesta quinta-feira, após uma reunião com as 41 associações filiadas à entidade. Em comunicado oficial, a Concacaf afirmou que há “profundas preocupações” sobre a forma como a proposta foi conduzida e questionou a necessidade de recorrer ao capital privado após o sucesso financeiro da última Copa do Mundo.
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Concacaf critica falta de transparência da Fifa
Ademais, no comunicado, a entidade destacou que as federações demonstraram preocupação com a ausência de um processo adequado de discussão antes da apresentação do projeto.
Segundo a Concacaf, houve falta de participação dos órgãos responsáveis pela governança da Fifa, além de um prazo insuficiente para analisar uma proposta dessa magnitude.
“Durante a reunião, os membros expressaram profunda preocupação com a falta de devido processo legal em torno da proposta, o prazo artificialmente curto imposto e a ausência de qualquer revisão ou aprovação pelos órgãos de governança relevantes da FIFA.”
Além disso, a confederação questionou por que a Fifa busca investimentos privados justamente após realizar a Copa do Mundo mais lucrativa da história. Por isso, as 41 federações filiadas decidiram rejeitar oficialmente o projeto.
Entidade lembra histórico de corrupção da Fifa
Outro ponto que chamou atenção foi a referência feita pela Concacaf ao passado da própria Fifa. A entidade lembrou os escândalos de corrupção que marcaram a organização nos últimos anos e alertou para a necessidade de preservar a governança do futebol.
“A Concacaf é uma confederação unida pelo amor ao nosso esporte, onde o futebol vem em primeiro lugar. A história mostrou à FIFA e à família do futebol o que acontece quando os responsáveis pelo esporte perdem de vista esses valores.”
Dessa forma, a confederação reforçou que considera indispensável ampliar a transparência antes de qualquer mudança estrutural envolvendo as principais competições da entidade.
Entenda a proposta da Fifa
O projeto de Infantino prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que concentraria os direitos comerciais, de transmissão, patrocínio, licenciamento e operação das competições organizadas pela Fifa.
A entidade estima que a nova empresa teria valor de mercado de 20 bilhões de dólares (cerca de R$ 102,3 bilhões). Com isso, a venda de aproximadamente 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões) em ações manteria a Fifa como acionista majoritária, enquanto investidores privados teriam participação minoritária.
Segundo a entidade, os recursos obtidos permitiriam ampliar significativamente os investimentos destinados às federações nacionais.
Fifa promete ampliar repasses às federações
Caso os membros aprovem a proposta, a Fifa pretende aumentar os valores distribuídos por meio do programa FIFA Forward.
Atualmente, cada federação recebe R$ 41 milhões por ciclo. A previsão é aumentar para aproximadamente R$ 102 milhões até a Copa de 2030, chegando a R$ 112,5 milhões até 2034 e R$ 123 milhões no ciclo de 2038.
Apesar dessa promessa, a resistência cresce entre as confederações continentais. Depois da oposição da Uefa e da Concacaf, o projeto enfrenta um cenário delicado e seguirá como um dos principais temas políticos do futebol mundial.

