Brasileirão terá 10 novas regras a partir da 23ª rodada; veja o que muda
CBF antecipa medidas da IFAB para combater a cera e aumentar o tempo de bola rolando
Brasileirão é a grande pedida desta quarta-feira (Foto: Marlon Costa/AGIF)
O Campeonato Brasileiro terá mudanças importantes a partir da 23ª rodada. Os 40 clubes das Séries A e B aprovaram nesta segunda-feira (10) um pacote de novas regras apresentado pela CBF, com foco principalmente no combate à cera e no aumento do tempo de bola rolando.
Ao todo, dez medidas entram no pacote. Entre elas estão limites de tempo para goleiros, cobranças de lateral, tiros de meta e substituições. Além disso, jogadores atendidos precisarão esperar antes de voltar ao campo e somente os capitães poderão discutir determinadas decisões com os árbitros.
A maior parte das novidades já apareceu durante a Copa do Mundo. No entanto, a CBF também aprovou uma medida inédita: quando o goleiro receber atendimento médico, sua equipe terá de ficar temporariamente com um jogador de linha a menos.
Por que a CBF decidiu mudar as regras?
O principal motivo aparece nos números. Um estudo encomendado pela CBF Academy à Opta analisou 177 partidas do Brasileirão antes da paralisação para a Copa do Mundo.
De acordo com o levantamento, os jogos tiveram média de apenas 52 minutos e 54 segundos de bola rolando. O número colocou o Campeonato Brasileiro atrás de MLS, Bundesliga, Ligue 1, Premier League, LaLiga e Serie A italiana. Entre os campeonatos analisados, somente o Argentino apresentou resultado inferior.
A CBF identificou alguns fatores que ajudam a explicar esse cenário. Excesso de faltas, demora nas cobranças, reposições prolongadas e tentativas de gastar tempo aparecem entre os principais problemas.
Por isso, a entidade estabeleceu uma primeira meta: elevar rapidamente o tempo efetivo para aproximadamente 57 ou 58 minutos. Posteriormente, pretende alcançar entre 59 e 60 minutos de bola rolando por partida.
Veja as 10 novas regras do Brasileirão
1. Goleiro terá oito segundos com a bola
Os goleiros poderão permanecer no máximo oito segundos segurando a bola com as mãos.
Caso o limite seja ultrapassado, o adversário receberá um escanteio. Dessa forma, a punição deixa de depender apenas de advertências e passa a oferecer uma vantagem direta ao outro time.
2. Tiro de meta terá limite de cinco segundos
A arbitragem também passará a controlar o tempo utilizado nas cobranças de tiro de meta. Isso porque o jogador terá cinco segundos para colocar a bola novamente em jogo.
Se ultrapassar esse período, a equipe perderá a posse. Nesse caso, o adversário terá direito a cobrar um escanteio.
3. Lateral cobrado em cinco segundos
A mesma lógica será aplicada às cobranças de lateral. Depois da autorização e da contagem do árbitro, o jogador terá cinco segundos para realizar a cobrança.
Caso demore além do permitido, a posse será revertida. Portanto, o lateral passará automaticamente para o adversário.
4. Jogador terá dez segundos para sair em substituição
As substituições também entram no combate à perda de tempo. O atleta substituído terá dez segundos para deixar o gramado.
Caso ultrapasse o limite de maneira injustificada, poderá receber cartão amarelo. Sendo assim, a medida pretende evitar as saídas demoradas normalmente utilizadas nos minutos finais.
5. Atendimento médico deixará jogador um minuto fora
O jogador que receber atendimento médico dentro de campo deverá permanecer fora do gramado durante um minuto.
Assim, pedir a entrada da equipe médica passa a ter uma consequência esportiva temporária. A intenção é reduzir interrupções provocadas por atendimentos sem necessidade evidente.
6. Atendimento ao goleiro também terá punição para a equipe
Essa é uma das mudanças que mais chamam atenção. Como o goleiro não pode simplesmente permanecer fora do campo depois de receber atendimento, a CBF adotará uma solução diferente.
Quando o goleiro for atendido, o treinador ou o capitão deverá indicar um jogador de linha da própria equipe. Esse atleta ficará fora do gramado durante um minuto.
Na prática, portanto, o time ficará temporariamente com dez jogadores. A medida busca evitar que supostos problemas físicos dos goleiros sejam utilizados para interromper a partida sem qualquer consequência.
7. Somente o capitão poderá conversar com o árbitro
As tradicionais aglomerações de jogadores ao redor dos árbitros também serão combatidas. Em determinadas discussões, somente o capitão terá autorização para se aproximar.
O árbitro poderá sinalizar o início desse protocolo levantando o braço com o punho cerrado. Nesse momento, os outros atletas precisarão manter aproximadamente quatro metros de distância. Sendo assim, quem desrespeitar a determinação poderá receber cartão amarelo.
8. Cobrir a boca durante discussão poderá provocar expulsão
Outra medida aprovada envolve discussões entre jogadores. Atletas que cobrirem a boca com as mãos durante determinados confrontos poderão receber cartão vermelho.
A proposta busca permitir que situações potencialmente graves possam ser identificadas com maior clareza. Entre as dez mudanças apresentadas, essa foi a que encontrou maior resistência dos clubes.
De acordo com publicação da ESPN, 26 votaram favoravelmente e 14 foram contrários. As demais medidas receberam aprovação por 38 votos a dois, com Grêmio e Vitória contrários à implementação ainda em 2026.
9. VAR poderá revisar segundo cartão amarelo
O árbitro de vídeo também ganhará uma nova possibilidade de intervenção. O VAR poderá revisar um segundo cartão amarelo quando a advertência provocar uma expulsão.
A regra não valerá para o primeiro amarelo. Portanto, a revisão estará relacionada diretamente às situações em que a decisão deixa uma equipe com um jogador a menos.
10. VAR poderá corrigir escanteio antes de gol ou pênalti
Outra mudança amplia a atuação do VAR em jogadas originadas por escanteios concedidos incorretamente.
Se um escanteio marcado de forma errada resultar posteriormente em gol ou pênalti, o árbitro de vídeo poderá revisar a origem da jogada. Essa mudança, porém, está prevista para entrar em vigor a partir de 2027.
Por que as mudanças começam no meio do Brasileirão?
A CBF decidiu aproveitar a pausa provocada pela Copa do Mundo para estudar o problema e preparar os árbitros. Durante a intertemporada, profissionais da arbitragem passaram por treinamentos na Granja Comary, em Teresópolis.
Paralelamente, o levantamento realizado com dados da Opta ajudou a entidade a identificar onde o Campeonato Brasileiro mais perde tempo durante as partidas.
A CBF decidiu, então, antecipar medidas que fazem parte das mudanças previstas pela IFAB. Em vez de esperar pela próxima temporada, a entidade pretende utilizar a reta final de 2026 para adaptar clubes, jogadores e árbitros.
Por isso, boa parte das novidades começará a valer já na 23ª rodada do Brasileirão. O primeiro efeito que a CBF pretende medir será justamente o mais simples: quanto tempo a bola realmente ficará em jogo depois das mudanças.

